quarta-feira, 27 de março de 2013

Odorico, Paes, Cabral, Nuzman, o estádio que honra o nome e um documentário definitivo - Por Lúcio de Castro



Não é preciso ser engenheiro. Tinha tudo para dar errado. Quando os interesses da população são os que menos interessam, mais dia menos dia a conta chega. No caso do Engenhão, que mais uma vez honra o nome do trânsfuga corrido por denúncias de corrupção, era uma questão de tempo. Terminado em correria desabalada porque aquela turma ilibada tinha que sair na foto da abertura do Pan, agora cobra a conta. Os 60 milhões de reais iniciais viraram 380 (!). Mas estavam na abertura Cabral, Paes, Nuzman. Como Odorico com sua pressa em inaugurar o cemitério, o resto (no caso, nós contribuintes), dane-se. 

Há algo extraordinário e definitivo para entender o que está acontecendo. A pressa é inimiga da perfeição e dos Odoricos. Está tudo lá. Vá ao you tube e bote esse endereço (está em 4 partes: http://www.youtube.com/watch?v=uiVXnyVFS7U‏ 

Ou basta botar no Google “feras da engenharia o engenhao”. Um documentário do Discovery mostra a razão de tudo (na verdade, foi feito para exaltar mas acabou servindo para mostrar como foi feito). Pressa. Necessidade de acabar tudo porque os Odoricos querem. E tome gambiarra. Não havia tempo. Se desse errado depois, e daí? Um monstro daquele, uma cobertura ousada arquitetonicamente, tocada sem maiores testes, com pressa. As placas de conexão não dão certo? Toma uma gambiarra. Os tubos tem problemas? Um reforcinho...Módulos amassados? Vigas amassadas? Se virem. Os odoricos precisam estar na foto. Está tudo no programa. 

Lá pelas tantas, a empreiteira Delta que toca a obra, (é, aquela mesmo, dos amigos do Cabral e Cia) sai. Efeitos do guardanapo. Entra outra. Menos tempo. Interessa é tocar a obra. Se eventualmente desabar na cabeça de alguém, será mesmo na cabeça do populacho. Dane-se. O prefeito agora fala grosso. Sabia de tudo, sempre soube. Há tempos recebeu relatório dando conta que o “modelo matemático utilizado para calcular a estrutura do teto não se cumpre”. Deixou rolar. Mas veja o tal documentário. A irresponsabilidade desses caras. Os mesmos que destruíram o Maracanã. Por toque de caixa. À sorrelfa. Dane-se a gente, dane-se o populacho, dane-se a história da cidade, dane-se tudo. Irão brindar de guardanapo na cabeça em Paris. Dizer que quem fala sobre isso é baixo astral. Melhor parar por aqui para não dar os devidos nomes a esses usurpadores. São Sebastião do Rio de Janeiro vai cuidar de vocês.  Ao menos agora o estádio honra o nome. 
 
Lúcio de Castro, blogueiro e integrante da equipe da ESPN Brasil, é carioca, formado em História e Jornalismo. Conquistou os principais prêmios de jornalismo: Embratel (2003 e 2006), TV Globo (2005,2006 e 2009) Anamatra Direitos Humanos 2009, Prêmio Direitos Humanos MJDH/OAB 2008 e 2010, Ibero-Americano (UNICEF-EFE) Fundación Nuevo Periodismo (dirigida por Gabriel Garcia Márquez) e Vladimir Herzog (2011)

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