domingo, 31 de julho de 2011

Mundo Estranho XXXII

Se a moda pega aqui no Brasil, os tatuadores ficarão milionários....




Notícia do UOL:
 
"A inglesa Jacqui Moore, 41, cobriu 85% do seu corpo com tatuagens em comemoração ao seu divórcio e a um novo capítulo em sua vida, segundo reportagem do tabloide britânico "The Sun".
Ela, que mora em Oxford, no Reino Unido, e tem dois filhos, se separou do marido Martin em 2003 e ficou tão feliz com sua recém-encontrada liberdade que queria marcar o momento com uma tatuagem normal, mas mudou de ideia ao conhecer um novo amor.

"No momento em que entrei no estúdio de arte conheci Curly e nos apaixonamos", conta. "Curly" é o tatuador Andreas Moore, 45, que fez aquela única tatuagem normal se transformar em uma gigantesca arte que demorou oito anos para ficar pronta.

As únicas partes de seu corpo sem desenhos são a axila esquerda, a perna direita e a maior parte do rosto. As libélulas, tarântulas e flores aplicadas por Curly não foram cobradas e estima-se que o serviço poderia ter chegado a mais de R$ 34 mil.

Ela se sente orgulhosa das tatuagens e planeja preencher os 15% restantes de seu corpo.

Sua filha de 21 anos, Kristi, não está muito feliz com a mudança radical da mãe. "Mas como ela tem duas tatuagens não pode argumentar muito comigo", relata Jacqui."

Fumaça no ar

É só aqui perto do Shopping Estrada ou tem mais fumaça pela cidade?

Na Vitrine

Fotografia de Caio Vilela


Esta semana(que para mim,como para muitos,se encerra no domingo rs):

Fabrício Carpinejar

E QUE SE PONHA A ROUPA DO VENTO

O jogo é inventar a goleira
mais do que a bola.

Garagens são traves,
lápides são traves,
cercas são traves,
chinelos são traves.

O que pode ser levado
com uma mão,
adivinhado pelas pernas.

Postes de luz são traves,
placas são traves,
lixeiras são traves,
bancos são traves.

Marcar o chão numa linha imaginária,
daqui pra ali é o campo.
E o mundo não existe mais
fora do giz branco.

Um quarto está pronto a céu aberto.
Um quintal no meio da casa.
Uma rua cortando a praça.

Corra no jardim sonâmbulo,
pise a grama com raiva, raízes
são cadarços amarrados
nos tornozelos das árvores.

Há coices, quedas, uivos:
nada termina a vida,
essa explosão suspirada.

É um transe, a trave;
trânsito parado, feriado.
O defensor descansa
na tranca dos joelhos.
O pássaro voa de cabeça a cabeça,
descasca a chuva, espalha os cabelos.

A trave é montinho, formigueiro,
capuz de ciscos, ninhos.
Formigas transportam alimento
por dentro dos seus riscos.

Que seja capacete de moto,
um tijolo, um toco,
qualquer troco de mato e entulho.

Dez passos ao lado e uma altura infinita,
fazer endereço para receber cartas,
desenhar gol de letra.

Trave é o quadro-negro dos pés.
Caroço de brilho, queimadura de cometa.
Na praia, no calçadão, no descampado.
Tudo o que foi costurado pelo invisível
entre o corpo e uma porta.

Pedras são traves,
bambus são traves,
frutas são traves.
Até crianças são traves
para o adulto passar
de volta à infância.


Publicado na Revista Serafina
Folha de São Paulo
P. 18, Junho de 2010

Rota de colisão

Eu e o Rotavírus...

Adeus Inferno, o Purgatório nos espera...o Céu é o limite!!!

Provocado pelo amigo Gervásio Neto, aí vai...
Para algumas religiões, o inferno representa a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento, de condenação e pela origem do termo significa "as profundezas" ou o "mundo inferior". No dia 20 de fevereiro deste ano o Goytacaz estreou na Série C do campeonato estadual contra o Carapebus. Pela sua historia quase centenária de conquistas, para o “azul do povo”, disputar essa categoria era como viver no “inferno” do futebol, com todo respeito aos demais participantes do campeonato.
Foram inúmeras as  dificuldades enfrentadas pelo grupo de trabalho que hoje compõe a “linha de frente” do Departamento de Futebol azul. Um clube até então desacreditado e com inúmeros problemas financeiros, problemas esses que não acabaram, apesar do acesso conquistado na tarde heróica vivida em Três Rios no  domingo passado e na tarde de ontem veio a coroação final com a conquista do título, após a vitória de 1 a 0 sobre o Juventus na casa do adversário.
Parafraseando o pensamento do escritor e poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que dizia que "as dificuldades crescem à medida que nos aproximamos do nosso objetivo”, com o Goytacaz não foi diferente. Depois de praticamente mandar no campeonato nas duas primeiras fases, na terceira a equipe não começou bem e esteve muito próxima de abandonar a competição naquele momento. Na virada do turno o clube somava apenas dois pontos e vinha da primeira derrota no certame, sofrida contra o Yasmin. Enquanto isso, o Carapebus já somava 7 pontos e o Yasmin 6. 
Foi então que entrou em jogo vários aspectos que fazem parte de uma equipe vitoriosa, como: superação, trabalho e acima de tudo a fé. A mesma que o Cristo nos ensinou que remove as montanhas. Obviamente que quando Jesus disse que “a fé remove montanhas”, falava no sentido moral e não de uma montanha de pedra, que sabemos ser impossível remover. E "removemos"...

Voltamos ao "Purgatório" da Série B. Purgatório sim, pois lá não é o nosso lugar. Queremos o Céu, materializado pela presença do clube na Série A do  Estadual. Lá sim, é o lugar cativo desse clube de tradição e de torcida apaixonante e apaixonada!!!
Saudações alvianis!!!

Perseguição da ditadura ao irmão quase encerra carreira de Zico

Do jornalista Evandro Éboli, em "O Globo".

"A intromissão do regime militar no futebol não se restringiu à exploração ufanista do desempenho da seleção tricampeã na Copa de 70. Durante a ditadura, até mesmo jogador de futebol era perseguido pelos agentes da repressão.

Foi o caso de Fernando Antunes Coimbra - um dos irmãos de Zico -, que teve sua carreira de atleta interrompida de forma prematura, no início da década de 1970, por ser considerado comunista. Nando, como é conhecido, foi o primeiro ex-jogador de futebol a ser anistiado pelo governo e indenizado.

O rótulo de "subversivo" não interferiu apenas na carreira de Nando, mas também na de seus irmãos. Segundo a família, Edu deixou de ser convocado para a seleção de 70 por ser irmão de um perseguido político. E Zico, pela mesma razão, foi esquecido da seleção olímpica que foi a Munique (Alemanha), em 1972, e que ajudou a classificar no Pré-Olímpico de 1971, na Colômbia. Sua não convocação quase o fez abandonar o futebol.

A carreira de Nando no futebol durou menos de seis anos, entre 1966 e 1972. Ele saltava de um clube para outro após intervenção de agentes do governo e era excluído dos times sem qualquer explicação dos dirigentes. Nando começou no juvenil do Fluminense e, como profissional, atuou no Santos (do Espírito Santo), América (RJ), Madureira, Ceará, Belenenses e Gil Vicente. Esses dois últimos, clubes de Portugal.

O jogador foi perseguido até mesmo no exterior. Quando se transferiu para o Belenenses, em 1968, foi procurado e interrogado em um hotel de Lisboa por dois agentes da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), do ditador Salazar. Preferiu voltar ao Brasil sem ter feito uma partida sequer pelo time.

- Tinha 22 anos e chegaram dois caras de terno, sabendo tudo da minha vida. Fiquei desesperado, chorei um monte e consegui voltar para o Brasil - contou Nando."

Charge do dia- Chico Caruso

Mundo Estranho XXXI

Do site Planeta Bizarro:


Uma lápide misteriosa que apareceu em um parque em Sherman Oaks, distrito de Los Angeles (EUA), tem intrigado os moradores. Ela teria sido vista pela primeira vez ma semana passada, segundo reportagem da emissora de TV "KTLA".
Na lápide de mármore aparece o nome de Jeffrey Lang, com as datas 1976 e 2012. "A lápide diz que a pessoa morreu em 2012, mas não é 2012 ainda. Então, acho que é algum tipo de brincadeira sobre o fim do mundo", disse uma moradora.

Mundo Estranho XXX


Do site TechTudo:

"O britânico Chris Staniforth, de 20 anos, morreu com coágulos no sangue depois de ficar jogando Xbox por 12 horas a cada sessão. O jovem sofreu um bloqueio pulmonar quando desenvolveu uma trombose venosa profunda.

Seu pai David, 50, declarou ao jornal The Sun: "como pai, você acha que jogar videogame não pode fazer mal algum aos seus filhos, porque você sabe o que eles estão fazendo. Crianças de todo o país estão jogando esses games por longos períodos e não percebem que isso pode matá-los".

Tudo começou quando Chris estava em uma entrevista de emprego e contou a um amigo que estava sentido dores no tórax. Ele disse que acordou no meio da noite com uma "sensação estranha" no peito e uma frequência cardíaca incrivelmente baixa, embora tenha voltado ao normal depois.

David conta que logo depois da entrevista, começou a sofrer novamente: "ele deixou cair um pacote de goma de mascar e quando foi pegá-la, caiu para trás e começou a sofrer espasmos". Seu amigo chamou uma ambulância, mas os paramédicos não conseguiram salvá-lo.

Nesta sexta-feira (29), um médico legista confirmou TVP (trombose venosa profunda) como a causa da morte, apesar de Chris ter apenas 20 anos de idade, não possuir um histórico de doença e nem complicações médicas. TVP é um coágulo no sangue que se desenvolve em uma das veias profundas no corpo que ocorre geralmente na perna ou inferior do tronco. TVP geralmente está associada a longos períodos de inatividade, como sentar em um voo de longa distância.

Seu pai contou que Chris sentava-se entretido por horas em cada jogo: "Chris viveu por seu Xbox. Quando ele ganhava um jogo poderia jogá-lo por horas e horas a fio, às vezes 12 horas sem parar".

Ele tinha a esperança de ter uma carreira em computadores e foi oferecido um lugar para estudar Game Design da Universidade de Leicester.

Para evitar que outros pais sofram o mesmo que ele, David lançou uma campanha de sensibilização sobre TVP e jogos de computador. Ele admite que são viciantes e divertidos, mas destaca os perigos que podem surgir com esta ação compulsiva.

David não culpa a Microsoft, fabricante do Xbox, simplesmente não quer que outro filho morra por jogar videogame por horas. A Microsoft recomenda que os jogadores deem um tempo para pausas e exercícios e que tenham outras atividades."

Pro dia nascer feliz


"As virtudes dos homens são semelhantes ao vôo dos pássaros. Não se prenda aos atrativos inferiores. A ave que se habitua com a paisagem rasteira, perde o gosto pela altura."

Provérbio indiano

sábado, 30 de julho de 2011

ESPN Brasil:Dilma usa Pelé para esvaziar a bola de Ricardo Teixeira


Do site da ESPN Brasil:

"O primeiro evento oficial da Copa do Mundo de 2014 teve saldo positivo na organização, mas deixou clara a insatisfação política contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. No sorteio das Eliminatórias do Mundial, neste sábado, no Rio de Janeiro, a presidenta Dilma Rousseff usou Pelé como instrumento para diminuir a importância de Teixeira.

Após nomear durante a semana Pelé como embaixador honorário da Copa de 2014, Dilma fez questão de exaltar Pelé em seu discurso na Marina da Glória, chamando o ex-jogador de "querido" e "craque inesquecível". Depois dos elogios a Pelé, a presidenta falou o nome dos políticos presentes e fez apenas uma breve citação a Ricardo Teixeira. Nas cadeiras da platéia do evento, Pelé ficou sentando entre Dilma e Teixeira.

"O Brasil continua a ser identificado como o país do futebol e isso nos envaidece. Amamos o futebol, ganhamos cinco Copas do Mundo e aqui nasceram muitos dos maiores craques de todos os tempos, a começar pelo maior deles, o nosso querido Pelé, que fizemos questão nomear como embaixador honorário", discursou Dilma Rousseff.

O distanciamento entre Dilma e Teixeira ficou evidente. Segundo informação do portal UOL, ela pediu uma sala reservada na Marina da Glória para evitar qualquer contato com Ricardo Teixeira. Dilma também já teria recusado duas audiências com o presidente da CBF, que tem sido acusado de corrupção. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi quem teve a palavra inicial no evento, mas Teixeira nem sequer subiu ao palco.

Nas ruas do Rio, cerca de 500 pessoas protestaram contra Teixeira, colocando em prática uma manifestação que teve início pelo Twitter na internet.

Os comentaristas e blogueiros do ESPN.com.br, Paulo Vinícius Coelho e Mauro Cezar Pereira, explicaram a estratégia de Dilma durante o sorteio das Eliminatórias, exaltando Pelé e diminuindo Teixeira.

"Ele (Teixeira) foi tratado, exclusivamente, como presidente da CBF. A presidente fez questão de não dizer presidente do Comitê Organizador Local (COL). Ao nomear Pelé embaixador, Dilma tomou uma providência para tirar a Copa do pior cenário da corrupção", afirmou PVC

"A participação, a importância, o peso da presença do 'Dono' da Copa até aqui foi claramente reduzida. A aparição presidencial foi o fato mais importante do lado não esportivo deste evento bancado com a grana dos impostos que pagamos. Pelé, que talvez nem desse as caras, foi colocado como Embaixador da Copa para ofuscar a importância dos políticos e dirigentes. E deu certo", explicou Mauro Cezar.

Atitudes políticas à parte, o evento no Rio de Janeiro teve sucesso na organização durante as duas horas de duração. Foram gastos R$ 30 milhões, pagos pela prefeitura e pelo governo estadual, na cerimônia. Com a presença de autoridades do esporte e técnicos de diversas seleções do mundo, os grupos das Eliminatórias de Europa, Àfrica, Ásia, Oceania e Concacaf foram sorteados. Na América do Sul todos jogam contra todos em dois turnos.

Craques brasileiros do presente e do passado foram responsáveis pelo sorteio. Ronaldo, Cafu, Bebeto, Zico, Zagallo, Neymar, Paulo Henrique Ganso, Cafu, Lucas, Lucas Piazon e Fellipe Bastos foram as estrelas da cerimônia comandada por Fernanda Lima e Tadeu Schmidt, apresentadores da TV Globo. Ronaldo lamentou o fato de não poder atuar em uma Copa dentro do Brasil, e Zagallo mostrou o otimismo de sempre ao apostar no hexacampeonato da seleção brasileira.

Entre as atrações musicais, o telão exibiu uma apresentação de Frank Sinatra e Tom Jobim nos Estados Unidos em 1967, cantando "Garota de Ipanema" em português e inglês, enquanto Daniel Jobim, neto do maestro, acompanhava ao vivo no Rio na voz e no piano. A cantora baiana Ivete Sangalo também foi ao palco cantando "Acelera Aê" e "Aquarela do Brasil", acompanhada pela Orquestra de Heliópolis, composta por crianças da maior favela de São Paulo.

Em meio a tudo isso, alguns contratempos e gafes. Parte da estrutura montada na Marina da Glória foi danificada antes do evento. Fortes ventos rasgaram algumas lonas que fechavam o galpão, quando alguns convidados já estavam por lá, mas funcionários logo conseguiram consertar o estrago.

No palco, duas vaciladas. No sorteio das Eliminatórias africanas, Cafu se confundiu e chamou o santista Neymar de "Nilmar". No momento das seleções da Europa, o apresentador Tadeu Schmidt chamou Ronaldo de "Romário", mas logo percebeu o erro e corrigiu, arrancando um sorriso do Fenômeno."

-------------------------------------------------------

Espero sinceramente que nossa presidenta continue com este pensamento.

Um pouco do meu trabalho

Ele voltou!!!


E quando ele está em campo, a estória é outra. Ganhamos um jogo dificílimo contra o forte Cruzeiro em Minas. E com golaço de Loco Abreu, o cara!
Coincidência ou não, nesta manhã consegui comprar uma linda camisa preta do meu time com o número 13. 13 de Loco. Loco Abreu.
Desculpe aí, Papai Joel.

PT com apetite voraz


Já pensando na sucessão estadual, quando o senador Lindberg Farias deve vir como candidato, o PT investe estrategicamente em algumas cidades do interior. Em Carapebus, é certa a filiação do ex-prefeito Eduardo Cordeiro, que na noite de ontem comemorava em um bar nas proximidades da Pelinca, os resultados de uma pesquisa na cidade.
Mas o partido de Lula quer mais. Em fase de namoro estão o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, como candidato em Macaé, o deputado e ex-prefeito Sabino em Rio das Ostras e Pedrinho Cherene em São Francisco do Itabapoana.
E em Quissamã, são enormes as chances da candidata do prefeito Armando Carneiro ser a vereadora petista Fátima Pacheco.
Por alguns dos nomes citados, percebe-se mais uma vez que aquele PT de antigamente morreu há muito, muito tempo.
Aguardemos.

Parabéns torcedores do Goytacaz!

Foto: do torcedor Gustavo Rangel, meu amigo Guga.


Ganhando fora de casa por 1 a 0 seu jogo contra o Juventus, o Goytacaz sagrou-se mais cedo campeão estadual da 3ª Divisão. Para a imensa torcida alvi-anil, a quinta maior de nosso estado, nossas congratulações.
Fico a imaginar como estão meus amigos Gustavo Rangel, Marquinho Cegueira e até Marcelo Bessa, que me deu aula durante o jogo, e só deve ter ficado sabendo depois.
Que este título sirva de estímulo para uma campanha digna e vitoriosa em 2012!
A foto que ilusta a postagem, eu peguei "emprestada" no blog do também torcedor azul, Roberto Moraes.

Atualizado às 08:58: Este blogueiro se penitencia por, inicialmente, não ter dado o crédito da foto ao amigo Gustavo Rangel, um dos torcedores mais apaixonados do Azul da Rua do Gás, e sempre presente nos jogos, já que também atua de maneira efetiva no blog do seu time do coração. E faz um desafio-pedido: Guga, que tal uma postagem relatando como foi a emoção de vivenciar in loco este momento marcante?

Na Vitrine


Arte de Rufino Tamayo



Esta semana:Fabrício Carpinejar

Antes das fotografias

Sofri com a separação dos pais. Carregava a sensação de que tinha sido difícil, percebo agora que foi um desastre. Ao mexer no baú da família para catar flagrantes da infância, encontrei o álbum de casamento dos dois. Capa dura, nomes dos noivos em relevo dourado, livro grosso para eternidade mesmo, resistente às traças e porões.
Fiquei intrigado no momento de folheá-lo. Tive que sentar e interromper a pressa.
Voltei no tempo. No papel vegetal entre as páginas, havia desenhado o contorno das fotografias. Copiei à mão cada imagem, colorindo depois. São mais de 50 folhas transparentes preenchidas, duplicando pai e mãe no altar, reproduzindo convidados e bastidores da festa.
Na época (mentalidade de criança ferida), fiz uma cópia reserva das cenas. Raciocinei que os dois não seriam mais amigos, jogariam duas décadas de casados no lixo e providenciei um backup primitivo com o lápis Faber Castell HB2. Ansiei preservar a história usando as armas do estojo de 1ª série. Aproveitei meu conhecimento de copista do Pernalonga.
Lembro que não dei mole na separação: briguei com os irmãos, esperneei no sofá, chantageei no carro, planejei greve de fome, renunciei futebol, peguei recuperação, chorei no mercado, passei recreio no SOE, ia de um lado para outro da sala ao quarto para diminuir a distância das palavras. Olha, coitados de Carlos Nejar e Maria Carpi, criei um inferno para reconciliá-los, demorei a constatar que o paraíso deles também não era o meu.
Diante do flashback, eu me pus a comparar o que fui com o que sou. Todos, quando pequenos, sofrem com o divórcio dos pais, indicativo de trauma, término da idealização e receio de parar num orfanato. E todos, quando maduros, consideram a separação necessária e natural.
É impressionante o quanto nos esforçamos para manter os pais juntos, e não realizamos quase nada pelo nosso casamento na vida adulta.
E se lutássemos para entender nossa esposa como defendemos nossa mãe? Se realizássemos metade da birra feita com o pai durante a despedida de nossa mulher? Se trocássemos o orgulho da cobrança pela cumplicidade emocionada do erro? Se desejássemos falar menos e ouvir a voz dela mais um pouco?
Se fôssemos meninos para sempre, nenhuma separação seria fácil. O amor não morreria fácil. O papel vegetal protegeria as fotos.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 26/07/2011
Porto Alegre (RS), Edição N° 16773
e postado pelo autor no seu blog:http://carpinejar.blogspot.com/

Cronicando no sábado


Saudade: nó difícil de desatar

Walnize Carvalho

Meses atrás, indo à casa do meu saudoso pai (onde ainda reside mamãe – sua companheira de tantos anos) ela me presenteou com um dos seus adornos: uma echarpe de seda colorida com o seguinte comentário: - Leve para você. Só peço que não desate o nó que foi feito por seu pai, com muito carinho para mim.
O entrelaçamento era de beleza artesanal: uma mistura de laço e nó de gravata. Belo de se ver; difícil de se fazer e impossível de se querer desmanchar.
Por um momento vi diante de meus olhos patenteada mais uma de suas artes: a de fazer nós com perfeição. E foram tantos!... O que era dado na linha da minúscula agulha em seu tempo de alfaiate; os que fazia com esmero nas múltiplas gravatas que possuía e – em especial – os que utilizava barbantes para amarrar embrulhos. Nestes não importava o conteúdo, a embalagem assumia ares de presente de aniversário.
O certo é que cada nó possuía um particular detalhe que só ele – meu pai – sabia atar e desatar.
Voltei para casa, já com o mimo no pescoço, com lágrimas nos olhos e um nó apertado na garganta.
Com avidez fui à estante do meu quarto e busquei o livro “Quase memória”, de Carlos Heitor Cony, com a certeza de que o relendo encontraria identificação com o sentimento que me dominava.
Para quem não leu (e recomendo) o autor “se reencontra com o pai – já falecido há 10 anos - através de uma encomenda que lhe chega às mãos”.
Fiz a releitura com emoção e criteriosamente extraio fragmentos que reproduzo aqui para os leitores:
“(...) Foi então que olhei bem o embrulho. Só ele daria nó exato e sólido. Só ele fazia essas pequenas coisas com perícia. (...) Colocava solenidade nas coisas, fosse apanhar objeto no chão ou fazer a barba, tudo demandava uma técnica que só ele sabia. (...) Me aproximei para admirar o nó perfeito, justo, uma obra de arte. (...) Parece exagero louvar um nó, mas o pai era o primeiro a se vangloriar na arte de dar nó. (...) Olho com admiração, com bruto respeito a obra-prima feita com aqueles dedos...”
Respiro fundo. Coincidência? Semelhança?
Fecho o livro.
Saio de casa. Caminho pela cidade. Meus passos lentos me levam pelas ruas tal qual o nó da echarpe me levou “pelas ruas da memória”.

Pro dia nascer feliz


"Se fecharmos a porta a todos os erros, a verdade ficará de fora."

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Na Vitrine


Esta semana:Fabrício Carpinejar

Décima elegia

(Poema do livro Terceira Sede)


Só na velhice o vento não ressuscita.
A água dos olhos entra na surdez da neve
e escuta a oração do estômago, dos rins, do pulmão.

O sono desce com a marcha dos ratos no assoalho.
Tudo foi julgado e devemos durar nas escolhas.

Só na velhice os grilos denunciam o meio-dia.
O exílio é na carne.

Esmorece o esforço de conciliar a verdade
com a realidade.
A neblina nos enterra vivos.

Só na velhice o pó atravessa a parede da brasa,
o riso atravessa o osso.
Deciframos a descendência do vinho.

Os segredos não são contados
porque ninguém quer ouvi-los.
O lume raso do aposento é apanhado pela ave
a pousar o bule das penas na estante do mar.

Só na velhice acomodo a bagagem nos bolsos do casaco.
O suspiro é mais audível que o clamor.

Recusamos o excesso, basta uma escova e uma toalha.

Só na velhice os músculos são armas engatilhadas.
O nome passa a me carregar.

É penoso subir os andares da voz,
nos abrigamos no térreo de um assobio.
Pedimos desculpa às cadeiras e licença ao pão.

O ódio esquece sua vingança.
Amamos o que não temos.

Só na velhice digo bom-dia e recebo
a resposta de noite.
Convém dispor da cautela e se despedir aos poucos.

Só na velhice quantos sofrem à toa
para narrar em detalhes seu sofrimento.

O pesadelo impõe dois turnos de trabalho.
Investigo-me a ponto de ser meu inimigo.

Sustentamos o atrito com o céu, plagiando
com as pálpebras o vôo anzolado, céreo, das borboletas.

Só na velhice há o receio em folhear edições raras
e rasgar uma página gasta do manuseio.
Embalo a espuma como um neto.

Confundimos a ordem do sinal da cruz.
O luto não é trégua e descanso, mas a pior luta.

Só na velhice a forma está na força do sopro.
Respeito Lázaro, que a custo de um milagre
faleceu duas vezes.

O medo é de dormir na luz.
Lamento ter sido indiscreto
com minha dor e discreto com minha alegria.

Só na velhice a mesa fica repleta de ausências.
Chego ao fim, uma corda que aprende seu limite
após arrebentar-se em música.
Creio na cerração das manhãs.
Conforto-me em ser apenas homem.

Envelheci,
tenho muita infância pela frente.

Hoje no Trianon

Charge do dia- Amarildo

Será que ainda há quem...


celebre o dia 29 como Dia do Nhoque da Fortuna ou da Sorte?


"A lenda conta que São Pantaleão, num certo dia 29 de dezembro, vestido de andarilho, perambulava por um vilarejo da Itália. Faminto, bateu à porta de uma casa e pediu comida. A família era grande e tinha pouca comida mas apesar disso não se importou em dividir seu nhoque com o andarilho, cabendo a cada um sete massinhas. São Pataleão comeu, agradeceu a acolhida e se foi. Depois, a família percebeu que embaixo de cada prato havia dinheiro. Por isso, tradicionalmente todo dia 29 é dia do nhoque da fortuna ou da sorte, acompanhado do famoso ritual de colocar dinheiro embaixo do prato e comer primeiro os sete pedacinhos em pé, fazendo um pedido para cada um deles. "
As pessoas que acreditam repetem o ritual mensalmente sempre no dia 29 .

Deixando de lado as crendices populares,saborear nhoque é uma ótima sugestão para jantar de fim de semana.Não acham?
Ah!...com um bom vinho e em ótima companhia.Isto é que é sorte grande!

É ...pois é...


Os que esperam ou desesperam com as minhas postagens matinais já sabem que publico:"Nesta data..."
Sendo assim...

...em 29/07/1890 faleceu Van Gogh em Auvers-sur-Oise, França.

A genialidade de Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Em vida, o artista holandês, que passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a miséria, vendeu apenas uma pintura _ "O Vinhedo Vermelho". Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, "O Retrato de Dr. Gachet", pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões.
Maior expoente do pós-impressionismo em sua fase mais produtiva (1880/90), Van Gogh foi completamente ignorado pela crítica e pelos artistas.
Ao morrer o seu caixão foi coberto com girassóis, flor que ele amava. Aliás, a tela "Os Girassóis" é uma das obras-primas de Van Gogh.

Fnte:educacao.uol.com.br/biografias

Pro dia nascer feliz


"As grandes coisas não são feitas por impulso, mas através de uma série de pequenas coisas acumuladas."

Vincent Van Gogh

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Programação do SESI em agosto

Na Vitrine


Esta semana: Fabrício Carpinejar

Pessoa predileta

Sou barman da memória.
Misturo as bebidas, as lembranças e giro de um lado para outro tentando entender. Dependendo do que vejo, sou capaz de dançar.
Minha primeira vez com a Cínthya, não recordo o que tomei, nunca consegui repetir. Permaneço com ela somente para descobrir a receita. É mentira, já estou brincando porque estou emocionado. Costumo fazer isso: brincar quando estou nervoso, brincar quando estou desesperado, brincar quando estou angustiado, o que me torna um homem aparentemente bem-humorado. Se não fosse minha cultura, dançaria sertanejo. E sertanejo universitário, para mostrar com que copo derramado você vem conversando.
Não desejava amar de novo. Acabava de me separar. Experimentava um pavor corajoso, o mesmo que sentia de pequeno, quando tinha que atravessar o pátio escuro correndo, correndo acelerado, para buscar a bola abandonada na grama.
Fui trocar prosa fiada com um grande amigo no bar. Mandei um torpedo antes para Cínthya, de quem somente conhecia a voz ao telefone, avisando que estaria no Apolinário. Ela desenhou camisas com minhas crônicas. Um trabalho artesanal para oferecer de presente aos amigos.
Ela veio em quinze minutos, meu amigo não acompanhou o relâmpago. Imaginei que conversaria com uma fã, alguém que gostava do meu estilo, que inflamaria a vaidade. Mas não. A gente começou a discutir a ponto de fazer uma queda de olhos mais do que de braço.
O amigo se isolou, assistia ao entrave como a uma partida de tênis, cuidando os arremessos na marca. Logo desistiu e pagou sua parte na conta.
Não que ela fosse truculenta. Pelo contrário, educada e delicada, tomada de uma fragilidade de quem prende a respiração e tira vidro da pele. Havia uma leveza em seus cabelos, um vento próprio, a impressão é que andava com um pajem em suas costas. Vá que seu anjo seja um pajem.
Luminosa, aérea, linda em seu despojamento, percebia nela uma pobreza de paraíso. Ela era toda essencial, não se conseguia roubar coisa alguma de seu temperamento. Não usava nenhum vestido, não apareceu produzida, estava de jeans e uma camisa básica, sem pintura. Como se fosse descer para pegar uma carta em seu edifício. Não me concedeu importâncias de visita.
Aquele primeiro encontro é incompreensível mesmo. Não criamos nenhuma cumplicidade imediata, nenhuma sintonia evidente; cortejamos o deboche. Os garçons não diriam que ficaríamos juntos, apostavam 3 por 1 que não sairíamos no mesmo carro. Nem nós. O destino escreve rápido e esconde a folha. Mudo a cena, viro de cabeça para baixo e não capturo o que nos aproximou. Por quê?
Talvez o riso dela, que aumentava a altura do teto. Talvez a boca límpida, que não sobrava em nenhuma palavra. Ou sua capacidade de se devotar a cada frase com “o quê?” como se não houvesse escutado para ganhar tempo do revide.
Ela foi lavar as mãos e me aproximei e passei a lavar seus braços, seu rosto, a ensaboá-la, nem pensando em como receberia meu gesto, se me afastaria com violência ou aceitaria mansamente a minha loucura. Naquela hora, eu queria dar banho nela. Naquela hora, esqueci o lugar. Esqueci que estava cheio. E beijá-la era beijar sua pálpebra por dentro.
Somos tão diferentes e tão apaixonados. Ela tem disciplina, eu tenho obsessões. Eu guardo minhas culpas no desejo e distribuo desculpas. Ela odeia culpa e não perdoa. Sou alucinado por casamento, ela jura que é cativeiro. Cansamos com frequência, não aceitamos fácil um ponto de vista, não falamos amém para uma teoria ou uma descoberta, o que é estranho para mim depois de imprevisíveis metáforas. Convivemos com réplica, tréplica, uma curiosidade infinita pelo avesso. Não convivemos com o suspiro, porém com o soluço. O soluço é o nosso suspiro. O soluço é o suspiro da discussão.
Ela tem um medo assombroso de mim, do quanto posso feri-la. Eu tenho um medo danado dela, porque é bem capaz de viver sem mim. A linda cretina nunca disse que não vive sem mim, acredita? Nunca, nem dormindo…
O amor dela é tranquilo, imutável, o meu é para agora, renovável. Ai se ela não demonstra apego numa tarde, mergulho em surto. Ela não depende de jura e declarações, está bem assim, cercada de um silêncio atento, sabendo que a amo. Quando preciso dela, ela supõe que é drama e mais uma artimanha para ser o centro dos acontecimentos. Quando ela precisa de mim, eu deduzo que ela procura se afastar e perdeu o interesse. Já brigamos no carro, no elevador, no shopping, acordamos vizinhos, assustamos os donos e seus cães na rua e insistimos e nos perdoamos porque somos tão apaixonados.
Existem enigmas guardados na pequena mesa de um bar da Cidade Baixa. O enigma é o futuro do segredo. Muito mais do que poderia beber naquela noite. Muito mais do que poderia conservar numa vida. Muito mais do que possuo condições de antecipar pela minha ansiedade.
A esperança pode vencer a experiência. A esperança é uma experiência.

E no SESC...


(clicar na imagem para ampliar)

Nesta quinta no Sesi


Samba & Outras Coisas com Maria Fernanda
Teatro do SESI Campos
Data: 28/07 (quinta-feira)
Horário: 20h
Entrada (1kg de Alimento)
Classificação: 12 anos

Grande sucesso de público, o Samba & Outras Coisas no SESI promove uma agradável conversa com direito a muito samba. No teatro SESI Campos, o projeto será embalado pela cantora e compositora Maria Fernanda, que apresentará canções de seu CD de estreia, “Raízes do Samba“, previsto para ser lançado no fim deste ano. Voz: Maria Fernanda Violão: Sebastião Floriano Baixo:Marcelo Silva Bateria: Gilberto Marinho Percussão: Marcelo Fortunato e Maximiller.

Havia uma pedra no caminho...


... do Campos shopping(saída do elevador para a garagem)!

Um belo exemplo


Sou um assumido fã de esportes. Gosto de acompanhar campeonatos de futebol, vôlei, basquete, atletismo, natação, judô ou o que mais estiver à disposição. Acompanho a programação da ESPN sempre que estou em casa, e às vezes a da SportTV. Ontem, durante uma entrevista com o grande Wlamir Marques, me emocionei com uma frase que sinceramente não esperava ouvir dele, não sei bem o porque. Wlamir, um senhor nos seus 80 anos, é duas vezes medalhista de bronze olímpico, duas vezes campeão mundial (isso mesmo, o Brasil é bi-campeão mundial de basquete masculino e uma vez no feminino), várias vezes campeão sulamericano e brasileiro, e não é dado a ufanismos baratos. Sua marca é a isenção, tranquilidade e conhecimento de basquete.

Pois bem, perguntado pelo José Trajano qual o seu maior orgulho como atleta, a resposta veio imediata e surpreendente:

"Meu maior orgulho é ter sido porta bandeira da delegação brasileira nas Olimpíadas de Tóquio em 64. A bandeira brasileira deve ser conduzida na vertical, nem inclinada para frente ou para trás, nem para os lados porque a bandeira brasileira não se curva perante ninguém".

Esta frase, dita com a tranquilidade que foi dita, por quem foi dita e da forma como foi dita me emocionou, porque eu vi ali uma declaração genuína de amor a pátria, partida de um senhor que dedicou grande parte da sua vida a representar o país e sem o patriotismo idiota preconizado pelos "idiotas da objetividade" tão comuns na mídia desportiva.

Grande Wlamir!

Dia do agricultor...


...28 de Julho.
Em algum momento, em sua evolução, o homem descobriu que podia tirar da terra o seu alimento.
Estudos arqueológicos, etnográficos e históricos mostram que ao mesmo tempo, em várias partes do mundo, o homem passou a mexer na terra com o objetivo de se alimentar, que é o que conhecemos como Agricultura: uma arte, a arte de cultivar a terra.
A Agricultura de Hoje
A agricultura como é feita hoje, a chamada agricultura convencional, se baseia num conjunto de técnicas produtivas que surgiram em meados do século XIX, conhecida como a segunda revolução agrícola, e que se baseou no lançamento dos fertilizantes químicos. Expandiu-se após as grandes guerras, com o advento do emprego de sementes manipuladas geneticamente para provocar o aumento da produtividade, associado ao emprego de agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes) e de maquinaria agrícola.

Esse modelo de agricultura industrial, envolvendo uso intensivo de produtos químicos e grande especialização, tem predominado na agricultura e produção de alimentos mundial.

O Dia do Agricultor foi instituído pelo Decreto 48.630, de 27/07/1960 - acontece na mesma data de aniversário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Do:www.portalsaofrancisco.com.br

Nascimento e amizade

Pro dia nascer feliz


"Amizade consiste em esquecer o que se dá e lembrar o que se recebe."
Alexandre Dumas

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Na Vitrine


Esta semana:Fabrício Carpinejar

NENHUMA MULHER SE ACHA BONITA

Toda mulher bonita não se acha bonita. Mesmo a mais bonita.
É alguma coisa que não agrada: a orelha, o pé, a mão. São detalhes imperceptíveis para a tripulação barbuda. Ou as veias estão muito saltadas ou as unhas quebram rápido.
Uma coisinha que somente ela nota.
E ela sofre duas vezes: quando alguém descobre e quando ninguém enxerga.
A segunda opção é a mais triste. Caso o problema passar despercebido, partirá do princípio de que é tão insignificante que não merece a atenção dos outros.
Toda mulher se vê filha única do defeito. E não é um defeito, mas uma cisma. A maior parte dos defeitos é superstição.
Talvez o martírio feminino venha do excesso de controle: ela se olha demais, e tudo ganha o dobro de importância. O homem se olha de menos, e nunca teve estrias e celulite.
Para a mulher, espelho é lupa. Para o homem, espelho é janela.
Uma espinha, por exemplo, quando descoberta por uma mulher torna-se o próprio rosto. O rosto não existe mais, somente a espinha, que é alisada a cada preocupação.
Mulher não se acha realmente bonita. Nem Brigitte Bardot antes. Nem Gisele Bündchen agora.
Mulher nenhuma no mundo é vaidosa; vaidade é a confirmação de um atributo e ela desconhece suas qualidades.
Mulher nenhuma acredita que é bonita, apenas disfarça que é bonita.
O elogio que recebe soa como ironia. A ausência de elogio soa como reclamação.
Arrumar-se de manhã para a mulher não é um prazer, e sim um pânico.
No fundo, ela se considera um encalhe. Jura que qualquer novo amor é resultado de compaixão ou cegueira masculina.
Mulher não nasce bonita, torna-se provisoriamente bonita (em sua concepção, a beleza dura apenas um dia).
Ela se monta por 24h, mais do que isso não consegue: carrega o medo de se desmanchar com a luz e desiludir a expectativa do próximo.
Seus cuidados são vinganças: à infância, ao deboche da família, ao bullying na escola.
Dentro dela, ela continua uma nerd. Guardará para sempre a imagem de menina inteligente e problemática, de gorda balofa, de desengonçada e fora do time, de alta girafa, de sardenta enferrujada, de vesga fundo de garrafa.
Não adianta convencê-la de que ela é linda, ela se acorda despenteada e nasce de novo, como se não tivesse vivido antes.
Não é falsa modéstia, sequer é modéstia, ela se percebe feia. Toda mulher bonita acredita que, no máximo, pode se ajeitar.
Em seus olhos, corre uma insatisfação permanente que não permite descanso e luto.
Se seus cabelos são lisos, ela gostaria que fossem cacheados; se são cacheados gostaria que fossem ondulados, se são ondulados gostaria que fossem crespos.
A beleza é uma conclusão. E toda mulher vive de dúvidas, toda mulher é uma pergunta. Uma insaciável pergunta.

Click!

(clicar na imagem para ampliar)

É o fotógrafo Diomarcelo Pessanha quem convida:

CURSO DE FOTOGRAFIA -
NOVA TURMA
AGORA TODA QUINTA-FEIRA DAS 18:30 ÀS 22:30

Sem medo de ser piegas...


Pai...Paz!

Walnize Carvalho


Há de se ter (como tem) um forte motivo para lembrá-lo neste dia. Afinal, se ainda estivesse entre nós, meu pai ( Waldir Carvalho) estaria completando nesta data, 88 anos.
E é por causa da saudade, que chegou como chuva miúda em dias intermináveis, que proponho falar dele. Não do alfaiate, radialista, funcionário público, escritor e sim do homem atrás do homem, ou seja, seu melhor personagem construído: ele mesmo.
Com nitidez, sua figura esguia se apresenta diante dos meus olhos.
Pareço ver suas mãos... Mãos habilidosas que fizeram vestimentas impecáveis (como honrou sua profissão de alfaiate!); mãos que escreveram histórias ditadas pelo coração e mente; mãos que tocaram violão em saudosas serenatas; mãos que desenharam “sombras” para alegrar as filhas meninas (como esquecer as figuras que foram projetadas nas paredes quando faltava luz?); mãos que até traçaram esboços arquitetônicos (a estante da sala de casa, onde ainda abriga seus livros foi “projetada” por ele); mãos que dedilharam na velha máquina de escrever – fiel companheira – quase toda a sua obra radiofonizada; mãos que teclaram o computador e formataram textos (alguns adormecidos em seu arquivo).
Pareço ouvir seu assobio marcante ao chegar à casa.
Pareço relaxar embalada ao som de suas músicas preferidas.
Pareço escutar sua voz... Pausada, mansa, ponderada. Suas frases inesquecíveis, seus ensinamentos, dos quais punha sempre em prática, pois fez da vida um aprendizado constante de Amor e Fraternidade.
Pareço espiar os seus hábitos diários... A barba feita bem cedo, o rádio ligado, os bate papos vesperais no Boulevard; sua saída e retorno do trabalho; as horas incontáveis em sua biblioteca: lendo, escrevendo, organizando papéis e idéias em momentos de suas criações literárias.
Pareço observar obedecendo a rituais que lhe soavam prazerosos. Certa vez, sentenciou: “O dia tem 24 horas. Divido em 8 para o descanso, 8 para o trabalho e 8 para o lazer. Nestas últimas, subdividido em ler, escrever, estar com a família, meditar.”
Falei em meditação e me recordo que era espiritualista ( fiel seguidor dos preceitos da Ordem Rosacruz) e espirituoso ( embora contido, sabia fazer graça relatando fatos curiosos).E estes fatos curiosos e muitos deles engraçados, que me fazem ir em busca de guardadas folhas de papel de seda ( amareladas pelo tempo) onde releio algumas das suas produções humorísticas para o Rádio:”O Noivado da D.Esperança”,“Dr.Mata A.Machado” em meio a inúmeras novelas...Reencontro também velhos artigos ( minuciosamente arquivados) escritos para jornais locais.
Um homem simples sem ser simplório; afeito a gravatas, avesso a bravatas. Um homem da palavra e de palavra. Um homem grande. Um grande homem.
A saudade se acentua. Caminho até a minha sala. Passo suavemente os dedos sobre: “A Roda dos Expostos”,”O escravo Cirurgião” e outros tantos de sua obra literária.
Abro cortinas. Espio pela janela. Dia frio.sol de inverno.
Recosto-me no sofá ouvindo uma melodia de sua predileção.
Uma infinita Paz me invade.
Pareço sentir sua presença.

Para sempre lembrado



Nesta data,se vivo fosse estaria completando 88 anos, meu pai (Waldir Carvalho): escritor, romancista e historiador. Amante incondicional desta terra goitacá.
Saudade...

Pro dia nascer feliz


"Prefiro ser amado a ser respeitado"
Waldir Carvalho

terça-feira, 26 de julho de 2011

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!



O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, propôs aos fiéis em seu blog a realização de uma abstinência de lixo audiovisual nos primeiros 21 dias de agosto. “Será um jejum de toda e qualquer informação secular: TV, internet, jornais, revistas, radio, enfim, de tudo o que não for de Deus.”

Nestes dias, a quarta temporada do programa “A Fazenda”, da TV Record, emissora do bispo, deverá estar a todo vapor. Na busca de audiência a qualquer preço, esse reality show tem se equiparado em baixo nível com o Big Brother Brasil, da TV Globo.

No ano passado, “A Fazenda” ficou em segundo lugar no Ranking da Baixaria na TV, de acordo com levantamento da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Só perdeu para o “Pânico na TV”, da Rede TV! A classificação foi feita com base em denúncias de telespectadores.

“A Fazenda” deste ano começou na terça-feira (19) e terá duração de 85 dias. Por enquanto, os participantes estão se conhecendo melhor. O Compadre Washington, líder do grupo de pagode “É o Tchan”, por exemplo, já avisou Monique e Dinei que ele é feio, mas de uma coisa tem certeza: “Eu faço gostoso, a pegada aqui é boa”.

Se o Compadre e outros participantes cumprirem o que falam, o reality show terá boa audiência, recompensando o pesado investimento da emissora.

Uma das fontes de receita da Record, que possibilita investimento como esse, é a Igreja Universal, que compra o horário da madrugada da emissora a peso de ouro. O que vale dizer que os dizimistas que aderirem à abstinência do lixo televisivo estarão financiando as “pegadas” do Compadre Washington.

Em seu blog, Edir Macedo disse que não adianta ser religioso, obreiro, pastor e bispo se o fiel não estiver disposto a vencer “os espíritos das trevas” com iniciativas como a do jejum de lixo secular.

Mas o próprio bispo, pelo que fica subentendido, poderá não se submeter a tal jejum porque, como destacou, ficará dispensado quem trabalha ou depende de informação.

Espera-se, agora, que um dia o bispo Macedo promova jejum de hipocrisia.



Fonte: Paulopes / O Verbo / Projeto AMIGOS

Se ficar o bicho pega, se comer o bicho come...



Caminhava hoje em Macaé, durante meu horário de almoço, quando me deparei com a manchete da "Folha da Manhã" que dizia que o presidente do PMDB estadual, Jorge Picciani limitou em 3 as candidaturas da oposição nas eleições municipais ano que vem. É lamentável e vergonhoso para Campos, que um político como Picciani, envolvido em várias denúncias, sempre muito mal explicadas, seja o porta voz de um movimento oposicionista de uma cidade como Campos. Assustei-me ainda mais ao ver na foto que ilustrava a matéria, o nobre deputado Eduardo Cunha, também velho conhecido de todos nós, um dos maiores representantes do "toma lá, dá cá" que rola desde sempre em Brasília. E junto deles, várias representantes da chamada Frente Democrática.
Desculpem-me, mas não dá para levar isso a sério. Quem deve estar rindo à toa é a turma de Garotinho.
E eu, pelo jeito, terei que anular meu voto.

Na Vitrine


Esta semana:Fabricio Carpinejar

Uma das crônicas do livro:Mulher Perdigueira

Brigamos quando não desejamos brigar. Existe paz e amor. Não existe paz no amor. John Lennon errou a equação.
Por isso, decidi que agora vou planejar uma briga com a namorada. Agendar uma briga. Arrumar uma data mensal para o inferno dos berros, choro e insultos. É o dia da ofensa no lugar das pequenas e irritantes DRs.
Em vez de avisar que pretendemos nos acalmar e ajudar, que somente pretendíamos conversar na boa, assumiremos que é uma guerra desde a primeira palavra. Dará no mesmo ao querer e não querer discutir.
Não será fácil, vamos rir dispersivos no início, haverá a inclinação para comentar algo do trabalho ou cafungar o pescoço, sentiremos fome, dependeremos de concentração e orelhas fervendo. Mas vale o sacrifício, trata-se de uma catarse necessária para empobrecer os recalques.
Prefiro uma mulher que me ofenda tudo num dia do que uma mulher que me ofenda um pouco por dia. É melhor. Mais sadio. Menos insano.
Desde que os casais aceitem uma regra básica: não vale colher insultos durante o entrevero para cobrar depois.
Pode falar as maiores perversidades e mentiras nos 90 minutos do confronto, incluindo intervalo e troca de lado na cama (gritaria que não dura um jogo de futebol indica o fim do amor). Pode juntar suspeitas avulsas, perguntas ancestrais e rumores antigos. É uma promoção: só nome feio e ofensa de baixo calão. Até xingar a mãe é permitido.
A única exigência é respeitar o território da hostilidade, fazer um círculo de giz no espaço e no tempo e permanecer naquela roda. Nada sai do contexto. Não vale embrulhar salgados e impropérios para a manhã seguinte. Deve-se comer somente na festa da raiva. No instante da cólera. Com sangue quente.
O grande problema dos atritos domésticos é que o insulto de uma briga passa a ser transportado para a seguinte e para a seguinte. No fim das contas, a batalha é uma só que nunca terminou. Uma gripe mal-curada que gera a vontade de cuspir na próxima gripe.
Caso reunirmos uma noite para limpar o pulmão, cansaríamos de tossir e bufar. E o suspiro reencontraria a brisa e pediria para andar de mãos dadas com o beijo.
Feito esse passo, agora é o momento de lavar a honra do ciúme.
Pior do que ciúme é a falta de ciúme. A indiferença é uma doença muito mais grave. Alguém que não está aí para o que faz ou não faz, para onde vai e quando volta. De solidão, chega a do ventre que durou nove meses.
Tão cansativa essa mania de ser impessoal no relacionamento, de ser controlado, de procurar terapia para conter a loucura. Loucura é não poder exercer a loucura.
Permita que sua companhia seja temperamental, intensa, passional. As consequências são generosas. Ela suplicará o esquecimento com mimos, sexo e delicadeza. O perdão é sempre mais veemente do que o rancor.
Repare que no início do namoro todos são descolados, independentes, autônomos. Aceitam ménage à trois, swing e Chatroulette. Não caia, é disfarce, medo puro de desagradar.
Se minha namorada arde de desconfiança, agradeço. Surgirá a certeza de que se importa comigo.
A vontade é abraçá-la com orgulho e reconhecimento, como um aniversário secreto. Às vezes ela cumpre seu ciúme, às vezes ela satisfaz um capricho e atende minha expectativa de ciúme. O importante é que não falha.
Com uma mulher ciumenta ao lado nunca estaremos isolados, nunca estaremos tristes, nunca estaremos feios. Deixo que ela mexa em meu Orkut, deixo que ela leia meus e-mails e chamadas no celular, deixo que ela cheire as minhas camisas, deixo que ela veja meus canhotos e confira os cartões de crédito (com sua revisão, nem dependo de contador, é improvável um engano nas faturas).
Facilitarei o acesso às máquinas, devidamente abertas e ligadas em cima da mesa, e tomarei banho para não incomodar. No jantar, esclarecerei qualquer dúvida.
Perigoso é não responder e deixar a namorada imaginar. Entre a realidade e sua fantasia, mil vezes contar o desnecessário. Estarei em lucro. Não faço nem metade do que ela pressentiu.

Interessante...

ENDOCRINOLOGISTA AMERICANO LANÇA POLÊMICA AO CULPAR O CONSUMO DE DOCES E ATÉ SUCOS PELA EPIDEMIA DE OBESIDADE
www1.folha.uol.com.br

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO

Açúcar é veneno. Do mais natureba, o mascavo, até o suco de fruta ou o famigerado xarope de milho, o açúcar está por trás de doenças cardíacas, diabetes e câncer.
E deveria ser proibido para menores de 21 anos, como o álcool e o cigarro.
É com essas declarações polêmicas que o americano Robert Lustig, endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia em San Francisco, ganhou fama internacional nos últimos anos.
Sua palestra "Açúcar: a verdade amarga" teve mais de 900 mil acessos no YouTube (tinyurl.com/ldgu9k). Há duas semanas, suas teses foram tema da reportagem de capa da revista do "New York Times". Abaixo, os principais trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone.
Folha - O senhor defende que as pessoas eliminem totalmente o açúcar da dieta?
Robert Lustig - Não, eu não sou um "food nazi". Eu como açúcar, mas muito pouco.
Nosso corpo tem uma capacidade muito limitada para metabolizar o açúcar e nós vivemos muito acima dela. Não precisamos de frutose para viver. Nosso corpo ficaria muito bem sem nenhuma frutose [açúcar refinado, a sacarose é composta de 50% de frutose e 50% de glicose].
Qual é o máximo de frutose que deveríamos ingerir?
Não temos certeza. Mas uma estimativa é 50 g por dia. Meus estudos mostram as similaridades entre frutose e álcool. Eles são metabolizados da mesma forma, no fígado. E nós sabemos qual é o limite de toxicidade para o álcool: 50 g. A epidemia de obesidade começou quando o consumo de frutose ultrapassou os 50 g por dia [ou 100 g de açúcar, o mesmo que duas latas e meia de refrigerante].
A Associação Cardiológica Americana publicou uma orientação, em agosto de 2009, da qual eu sou coautor, dizendo que o consumo atual de açúcar nos EUA é de 22 colheres de chá por dia. Deveríamos reduzir isso para nove colheres no caso de homens e seis no caso de mulheres.
Qualquer açúcar é ruim, não importa se é mascavo ou xarope de milho?
Todos são igualmente ruins.
Deveríamos substitui-los por adoçantes artificiais?
Adoçantes artificiais são uma questão complicada. Não fizemos todos os testes para saber o que os adoçantes fazem no organismo.
Segundo uma linha de estudos, uma vez que a língua sente o sabor doce, o cérebro se prepara para a entrada do açúcar no sangue. Se ele não entra, o cérebro fica confuso, o que pode levar a um aumento no consumo de açúcar.
Há estudos ligando o consumo de adoçantes a obesidade e doença cardíaca.
Qual a alimentação que os pais devem dar a seus filhos?
Crianças devem comer comida de verdade.
Mas isso inclui suco de fruta natural...
Não, suco de fruta, mesmo natural, não é comida de verdade. Deus fez suco de fruta? Não. Deus fez fruta. Qual é a diferença entre a fruta e o suco? Fibras. A fibra é a parte boa da fruta, e o suco, a má.
Sempre que há frutose na natureza, há muita fibra ""há uma exceção, o mel, mas este é policiado pelas abelhas.
As fibras limitam a velocidade da absorção dos carboidratos e das gorduras do intestino para a corrente sanguínea. Quanto mais rápido a energia sai do intestino e vai para o fígado, maiores as chances de danificar o órgão.
Quando o senhor diz que crianças devem comer comida de verdade, isso inclui um sorvete no fim de semana?
Sim. Quando eu era pequeno, sobremesa era uma vez por semana. Hoje, é uma vez por refeição. Esse é o problema. Eu tenho duas filhas pequenas e é isso que faço. Se é dia de semana e elas querem sobremesa, ganham uma fruta. Uma bola de sorvete, só no fim de semana. Elas seguem as regras e não ficam sonhando com doces.
O senhor propõe que a venda de doces e refrigerantes seja proibida para menores, como cigarros e álcool.
Sim. Refrigerantes não têm valor nutritivo, não fazem nenhum bem às crianças. Se os pais quiserem que seus filhos tomem refrigerante, que comprem para eles.
Não é exagero comparar açúcar a álcool e cigarros?
Não. Cigarros e álcool causam dependência, e açúcar também. Nos refrigerantes, tanto a cafeína como o açúcar causam dependência. Sal e gordura causam hábito, mas não dependência.
Como o senhor explica os efeitos nocivos do açúcar?
Quatro alimentos foram associados à doença metabólica crônica: gorduras trans, aminoácidos de cadeia ramificada [soja], álcool e frutose.
A frutose, quando é metabolizada, libera substâncias tóxicas chamadas espécies reativas de oxigênio [radicais livres], que levam a danos nas células no longo prazo, envelhecimento e, potencialmente, câncer.

Nesta terça


Choro & Cia. com coral e homenagem a Sebastião Motta

O Conjunto Regional Carinhoso recebe, nesta terça, 26, o coral MedCanto, da Faculdade de Medicina de Campos, e Júlio Motta, neto do saudoso sambista campista Sebastião Motta, a quem prestará justa homenagem. Será mais uma edição inesquecível do Projeto Choro & Cia., no foyer do Teatro Municipal Trianon. A boa música pede passagem a partir das 20h e a entrada é franca!

Certíssima

Parece que maternidade fez bem à bela Adriana Galisteu, não é Celsinho? Ou, como diria o outro: "poxa, que coxa!"

No dia da vovó...


...no meu imaginário desfilam várias.Vão desde minha avó Mocinha às que me ocorrem agora: Dona Benta (do Sítio do Picapau Amarelo); vovó Donalda: vovó Mafalda e a do desenho animado("O Xodó da vovó")...
Em todas reconheço carinho, dedicação, decisão e humor.

Pro dia nascer feliz


"Mais do que máquinas precisamos de humanidade;mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido."

Charles Chaplin

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Na Vitrine


Esta semana(a minha semana começa às segundas!rs):Fabrício Carpinejar

Fabrício Carpi Nejar, ou Fabricio Carpinejar, como passou a assinar em 1998 (Caxias do Sul, 23 de outubro de 1972) é um poeta e jornalista brasileiro.
Filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional.
Desde maio, mantém a coluna que antes era ocupada por Moacyr Scliar no jornal Zero Hora.
É mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

No perfil do seu blog, assim se apresenta:"Escritor, jornalista e professor universitário, autor de dezessete livros, pai de dois filhos, um ouvinte declarado da chuva, um leitor apaixonado do sol. Quando conseguir se definir, deixará de ser poeta."
http://carpinejar.blogspot.com/

Para começar bem...

O fim é lindo

Minha casa é estranhamente regulada. Quando uma lâmpada queima, as outras vão junto. É um boicote que aumenta em minutos para testar a paciência. O gás da cozinha falta bem no momento da janta, e logo de madrugada, com o objetivo de me constranger ao telefone com uma lista infindável de entregadores. Se o computador estraga, o chuveiro também e o microondas sofre problemas de circuito. Confio que os aparelhos se imitam e conversam entre si. Devem reivindicar melhores condições de trabalho e uso, cobrar insalubridade, ou estão cansados das extensões e da sobrecarga indevidas. O certo é que minha casa é grevista. Insurgente. Nunca acontece de algo quebrar isoladamente.
Cheguei a minha residência depois de uma série de viagens. E mal acendi a luz, puf, puf, puf. Meu dedo estalou em cada interruptor. Teve até choque. Foi patético, para não dizer desanimador. Corredores mexendo as sombras, as paredes escorrendo a cegueira.
Mas, um pouco antes de explodirem, as lâmpadas aumentaram sua fosforescência. Puxaram todo o resto de força para refulgirem a extinção. Estenderam seus aros como nunca antes, com a potência de um refletor.
O mesmo ocorreu com o gás de cozinha, a chama das bocas subiu com perigosa curiosidade. Poderia ouvir o fogo gemer. Ele escurecia as bordas das panelas com sua assinatura. Quase formava os dedos de uma mão.
Conclui que o fim é lindo.
Assim como as luzes da casa e do fogão, o amor perto do desastre não se economiza. Não mais se contém. É desesperadamente transparente.
Um casal diante do fim terá a grande noite de sua vida por não prever uma próxima. Sairá do esconderijo porque não se vê mais seguro. Mostrará do que é capaz. Queimará o que guardou, não fará mais nenhum jogo, esquecerá a sedução e os conselhos dos amigos. Mais intensidade do que intenção.
É o escândalo da verdade. Tímidos se transformam em terroristas, calmos ficam enervados, pacientes se portam como histéricos. Por um instante, não há medo de fazer as propostas mais desvairadas, confessar palavras reprimidas, estender os olhos como um lençol limpo.
O fim é lindo. Do crepúsculo, de uma vela, de uma chuva. O fim é esperançoso, exigente. Pancadas de beleza. O som e o sol pulam como um suicida ao avesso para dentro da vida.


De volta pro meu aconchego...


De volta da mini férias(uma semaninha em Niterói) é hora de buscar o coelho que ficou na casa da empregada;ver se os peixes ainda vivem( a água do aquário está turva!)e organizar a casa que ficou aos (des)cuidados dos filhos e, principalmente,rever a neta mais nova,que também viajara em companhia da mãe.
Os versos da canção: "as flores do jardim de nossa casa, morrerão todas de saudade de você!..." são o retrato da realidade.Da jardineira vazia sobrou esta plantinha ,que - por questões de sobrevivência -se agarrou as pedrinhas da parede!

Mundo dá adeus a Amy

E também...


...do motorista.

Comemora-se o Dia do Motorista em 25 de julho porque também é Dia de São Cristóvão, o padroeiro deste profissional do volante.
Cristóvão significa "aquele que carrega Cristo". Ele era um gigante que queria servir ao mais poderoso de todos os homens. A princípio serviu a Satanás, mas quando soube que o mais poderoso era Jesus, converteu-se e foi viver na margem de um rio. Lá, carregava pessoas de uma margem a outra.
Como o trabalho de Cristóvão era transportar os viajantes através dos rios, tornou-se padroeiro dos viajantes e dos condutores de veículos, tanto profissionais quanto amadores.
Do:wikipédia

Hoje é dia ...


...do escritor

Escrever pode ser um ofício, um passatempo, uma forma de desabafo, uma manifestação artística. A escrita tem várias funções dentro da linguagem e o verdadeiro escritor é aquele que sabe utilizar-se de cada uma destas funções para atingir seu objetivo, seja ele informar ou encantar quem o lê.

Pro dia nascer feliz


"O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com os seus olhos aquilo que todos vê em sem se dar conta disso."

Rubem Alves

domingo, 24 de julho de 2011

Na Vitrine


Esta semana:Adriana Falcão

O homem que só tinha certezas

Nem o homem feliz de Maiakovsky nem o homem liberto de Paulo Mendes Campos, resolvi imaginar outra improbabilidade. Digamos que aparecesse agora, justo aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, mais exatamente, bem aí na sua frente, um homem que só tivesse certezas.

O homem que só tinha certezas quase nunca usava ponto de interrogação, e em seu vocabulário não constavam as expressões: talvez, quiçá, quem sabe, porventura.

Parece que foi de nascença. Ele já teria vindo ao mundo assim, com todas as certezas junto, pulou a fase dos por quês e nunca soube o que era curiosidade na vida. Na escola, era uma sensação. Mas não ligava muito pra isso não. E cresceu achando muito natural viver derramando afirmações pela boca. Tinha resposta pra tudo, o homem que só tinha certezas, mas o maior orgulho do homem eram as certezas mais duvidosas que ele tinha. A certeza de que o mais fraco ia vencer, de que as coisas iam melhorar, de que o desenganado ainda teria muitos anos pela frente.

A notícia espalhou-se rapidamente. Como ele vivia no meio de pessoas, e pessoas vivem cheias de dúvidas, logo começaram a pedir sua opinião para os mais diversos assuntos, os triviais e os de grande importância, e ele, certo de que podia viver muito bem de suas certezas, virou um consultor. Pendurou em sua porta uma placa onde estava escrito "Consultor de tudo" e o negócio foi crescendo aos pouquinhos. Devido ao boca-a-boca favorável de clientes e a um único anúncio no rádio, passou a atender, sem nenhum exagero, milhares de pessoas por dia, até que limitou o número de consultas diárias para quatrocentos e oitenta, um minuto e meio por pessoa, o que era mais do que suficiente para uma resposta certa desde que a pergunta não fosse muito longa.

Chegava gente do país inteiro e depois de outros continentes, pessoas comuns, pessoas ilustres, todas elas indecisas, mas cada pessoa só tinha direito a uma pergunta por consulta, o que as deixava mais indecisas ainda. Certa vez uma moça chegou na dúvida se devia perguntar primeiro sobre o amor ou o trabalho, no que o homem respondeu, sobre o amor, é claro, senão você não vai conseguir trabalhar direito, e deu por encerrada a consulta. O homem que só tinha certezas aconselhou um garoto tímido a tomar quatro cervejas, encorajou um político receoso a aprovar um projeto esquisitíssimo que se destinava a melhorar a vida dos homens, avisou a uma senhora preocupada com os anos que no caso dela nada melhor do que beijos na boca, desentorpeceu um rapaz doente de amor por uma mulher que gostava de outro, convenceu o ministro da fazenda de que ou o dinheiro era pouco, ou eram muitos os homens, ou ele estava louco, ou alguém tinha se enganado nas contas.

Não demorou muito para se tornar capa de todas as revistas e personagem assíduo dos programas de TV. Para cada pergunta havia uma só resposta certa e era essa que ele dava, invariavelmente, exterminando aos pouquinhos todas as dúvidas que existiam, até que só restou uma dúvida no mundo: será que ele não vai errar nunca? Mas ele nunca errava, e já nem havia mais o que errar, uma vez que não havia mais dúvidas.

Num mundo que só tinha certezas, o homem que só tinha certezas virou apenas mais um homem no mundo. Melhor assim, ele pensava, ou melhor, tinha certeza.

Um dia aconteceu um imprevisto, e o homem que só tinha certezas, quem diria, acordou apaixonado. Para se assegurar de que aquela era a mulher certa para ele, formulou cento e vinte perguntas, que ela respondeu sem vacilar, mandou fazer mapas do céu, exames de sangue, contagem de triglicerídeos, planilhas complicadíssimas e finalmente apresentou a moça à sua mãe e ao seu cachorro. Os dois se amaram noites adentro, foram a Barcelona, tiraram fotos juntos, compraram álbuns, porta-retratos, garfos, facas, um escorredor de pratos, tiveram filhos e tal, e, desde então, por alguma razão desconhecida, o homem que só tinha certezas foi perdendo todas elas, uma por uma. No início ainda tentou disfarçar, por via das dúvidas, quem sabe era um mal passageiro? Mas as dúvidas multiplicavam-se como praga (dúvidas se multiplicam?), espalharam-se pelo mundo, e agora, meu Deus? Deus existe? Existe sim. Ou será que não? Ele não estava bem certo.

Domingo azul!


Goytacaz classificado para a final da Terceirona e Uruguai campeão da Copa América!!!

O Azul da Rua do Gás se classificou nos pênaltis e o Uruguai meteu 3 a 0 na ridícula e retranqueira seleção paraguaia. A mesma que a seleção da CBF não conseguiu vencer duas vezes.

Agora espero que Loco Abreu volte mais animado. E ajude a recuperar meu Botafogo.