sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vai que alguém queira saber!...


Do:http://blog.estantevirtual.com.br/


A origem do Carnaval

"Ao contrário do que muitos imaginam, a origem dessa festa popular é européia. Foram os portugueses que, em 1641, início da colonização brasileira, trouxeram a festividade para o nosso país. O Entrudo português, precursor do Carnaval tal qual o conhecemos, possuía diferenças significativas com a folia de hoje. Por vezes, violento, ele se caracterizava por brincadeiras de rua em que os foliões arremessavam água, ovos e farinha nos transeuntes. Com pouco mais de requinte, os bailes de máscara da Itália Renascentista também influenciaram o Carnaval brasileiro, sobretudo, nas classes mais nobres do país. Mas não tardou para que os brasileiros dessem o seu “jeitinho” e uma pitada de originalidade à comemoração. Nossos foliões acrescentaram elementos africanos ao Entrudo e as mascaradas italianas, fazendo com que o Carnaval brasileiro ganhasse o batuque dos tamborins e o colorido das serpentinas."

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Saindo do forno


Lançamento de livro comemora 30 anos do Sambódromo do Rio
O presidente da Fundação de Arte de Niterói, André Diniz
com Diogo Cunha, vai lançar logo após o carnaval 
o livro “Na passarela do Samba”
que fala sobre os 30 anos do sambódromo,
 suas polêmicas e curiosidades.
 Embora ainda não tenha data marcada, 
o lançamento promete não deixar a folia passar em branco.

Do Face pro blog


Um cronista veio nos visitar


"A arte de ser infeliz"
Paulo Mendes Campos

O homem perfeitamente infeliz tem saúde de ferro; check-up e estação de águas todos os anos; seus males físicos são apenas dois: dor de cabeça (não toma comprimido porque ataca o coração) e azia (não toma bicarbonato porque vicia o organismo).

O pai e o avô do homem infeliz morreram quase aos noventa anos -- e ele o diz freqüentemente.

Banho frio por princípio, mesmo no inverno, e meia hora de ginástica diária.

O homem perfeitamente infeliz julga-se ameaçado: ao norte, pela queda de cabelo; ao sul, pela desvalorização da moeda; a leste, pelo acúmulo de matéria graxa; a oeste, pela depravação dos costumes.

Não empresta dinheiro; não deve nada a ninguém; toma notas minuciosas de todas as suas despesas; nunca pagou nada para os outros; não avaliza nota promissória nem para o próprio filho; tem manifesto orgulho disso tudo.

Não tomou conhecimento de qualquer revolução artística ou literária depois de 22: gênio é o Rui; brasileiro é o Rui; saber português é o Rui.

Iniciar oração com o pronome oblíquo é para ele um crime contra o idioma pátrio, embora seja esta toda a sua ciência a respeito de gramática.

Em sua sala de jantar, um quadro a óleo: o ipê florido, moldura dourada, assinatura de Josimar ou Asdrúbal.

A força de vontade do homem perfeitamente infeliz é tremenda: deixou de fumar há onze anos, três meses, cinco dias. Se não deixou, poderá deixar a qualquer momento.

Racista, embora só o confesse aos mais íntimos; admite vagamente todas as religiões; não pratica nenhum culto, mas considera o catolicismo um freio.

Sem simpatia política em aparência, vota por instinto nos candidatos mais reacionários.

Antigamente, para ele, era muito melhor que hoje: um dos erros fatais do Brasil foi derrubar Dom Pedro II.

Acha-se (e infelizmente é verdade) insubstituível em seu trabalho; sem ele, o escritório não anda.
Sempre o primeiro a chegar a enterros de parentes, amigos, conhecidos, colegas; também o primeiro a saber e divulgar que abriram e fecharam Fulano, não há nada a fazer.

Ver televisão é o seu recreio mental mais importante; resolver problemas de palavras cruzadas desenvolve o raciocínio e enriquece o vocabulário -- uma de suas teses preferidas.

O homem perfeitamente infeliz sabe o que é enfiteuse e pignoratício.

Conhece os preços de todos os gêneros e de todos os objetos usuais; está sempre de olho em qualquer transação imobiliária lucrativa; se possui imóveis alugados (quase sempre os possui), é mestre em fabricar um contrato desvantajoso para o inquilino; mestre ainda em sonegar imposto de renda; dá aula sobre a maneira mais efetiva de se proceder a uma ação de despejo.

Sua psicologia: todo homem tem seu preço.

Sua economia: poupar os tostões.

Sociologia: o povo não sabe o que quer.

Filosofia: o seguro morreu de velho.

O homem perfeitamente infeliz ama os seus de um amor incômodo ou francamente insuportável.

Considera-se dono de excelente bom humor; em família, porta-se com severidade, falta de graça e convencionalismo; cita provérbios edificantes e ditos históricos; sua glória é poder afirmar, diante de alguém em desgraça: "Bem que eu te avisei!"

Arrola o futebol, o samba e a cachaça entre as vergonhas nacionais.

Não diz "minha mulher", mas "minha esposa"; a esposa do homem perfeitamente infeliz é muito mais perfeitamente infeliz do que ele, que nada percebe.

O mal profundo do homem perfeitamente infeliz é julgar-se um homem perfeitamente feliz."

(Revista Manchete -  02/04/1960)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Como fazer uma Copa do Mundo no Brasil


Solidariedade

Do:Ururau

Com estoque baixo, Hemocentro 

de Campos realiza campanha pré-Carnaval

Banco de sangue necessita de doações para suprir as demandas do Carnaval
 Carlos Grevi/Mauro de Souza/Arquivo

Banco de sangue necessita de doações para suprir as demandas do Carnaval

























Com o estoque baixo e precisando aumentar o número de doações
 nesta semana que antecede o Carnaval, a equipe do
Hemocentro Regional de Campos
está colocando a sua Unidade de Coleta Móvel
 na rua e solicitando a colaboração de toda a população.
A ação é uma parceria com a Fundação CR3
 – Programa Petrobras Jovem Aprendiz e
 conta com o apoio da Casa de Leis.
  Na quinta (27/02), a Unidade de Coleta Móvel 
vai estar na sede da Fundação CR3, 
no Bairro Novo Cavaleiros, em Macaé, das 8 às 15h.  
A assistente social do Hemocentro, Maria Gonçalves,
 diz que a unidade precisa equilibrar seu estoque
para atender a demanda do Carnaval.
“O número de doações não tem sido satisfatório.
 Se continuarmos nesse ritmo, chegaremos ao Carnaval em condições
 de atender somente as emergências”, afirma Maria.
O chefe do Departamento Administrativo do Hemocentro,
 Luciano Costa, pede que as pessoas compareçam
à Unidade Móvel ou ao Hemocentro, que funciona
 no Hospital Ferreira Machado (HFM),
e recebe doações diariamente, inclusive
 aos sábados, domingos e feriados, das 07 às 18h. 
"A nossa meta é receber 500 doadores 
 até a próxima sexta-feira (28/02). 
Contamos com a colaboração e solidariedade
 da população de Campos e de todos os municípios
atendidos pelo Hemocentro", afirma Luciano. 
O banco de sangue atende a Campos
 e mais 15 municípios das regiões
 Norte e Noroeste Fluminense.
Para doar sangue é preciso estar em boas condições
 de saúde, apresentar
 um documento original de identidade com foto,
 ter peso superior a 50 Kg, idade entre 16 e 69 anos,
 não estar em jejum
 não ter ingerido alimentos gordurosos nas últimas três horas.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

'Humor não serve mais para nada', diz Jaguar, em sua 'última entrevista'


ARNALDO BLOCH
DO:"O Globo"

RIO - O título acima pode dar a entender que Jaguar, o cartunista mais escrachado do país, está amargurado. Afinal, aos 82 anos, teve que parar de beber, um duro golpe. Mas, em quatro horas de conversa, ele emenda uma piada na outra sem perder o fôlego, ri como criança, chama a fotógrafa Ana Branco de ditadora e, quando ela deixa o local para fotografar um bueiro que explodiu, sugere que gazeteie a pauta: “Bueiro estourado e Jaguar, dá no mesmo”. Sem medo de patrulha, o fundador do “Pasquim”, hoje chargista do “Dia”, dispara contra todo mundo. E desenha, bebe cerveja sem álcool, canta e, apesar da amnésia abstêmia que às vezes interrompe sua fala, passa a limpo, ou a sujo, uma vida que daria livro, filme ou ópera. De vanguarda...


No próximo dia 29 você faz 82 anos. Acontece que fevereiro de 2014 só tem 28 dias. Como é que fica?
Só faço aniversário de quatro em quatro anos. Na prática, tenho 20 anos e meio. Mas ando alquebrado. Este olho esquerdo está caído. Eu ia hoje ao médico dar uma levantada, mas tinha esta entrevista. Estou cansado de entrevistas. Outro dia me ligou uma menina da revista “F,” eu achei que era “S”, aí ela disse: “É ‘F,’ de foda-se”. Eu respondi: “Que modos são esses? Eu sou um velhinho!” Quando chegou aqui, era uma garota de 18 anos, olhos azuis, uma santa. Trouxe 20 pessoas. Veio também o (desenhista e roteirista) Arnaldo Branco, que eu respeito muito. E o Allan Sieber, que dizem que é o maior cartunista do mundo. Bom, o mais tatuado tenho certeza de que é. Mas chega! Esta é minha última entrevista. Ou não... mas é, sim. Depois de sair no GLOBO, só falo para o “New York Times”.
Há dois anos você levou um susto. Com a bebida. Parou mesmo?
Tive um carcinoma no fígado. Um “Che”. Segundo os exames, está extinto. Fiz muito turismo hospitalar em São Paulo. Agora só vou lá para comer, porque no Rio atualmente se come mal e caro. Se parei de beber? Parei. Agora, só cerveja sem álcool. Quer dizer, tem 0,5% de álcool. Ou seja, de 0,5 em 0,5 a gente pode chegar a um resultado expressivo! Como disse aquele comediante Marcelo Adnet, que também está abstêmio, “é zero, mas pelo menos não é usada”. Boa, né? Mas para quem tomava Underberg depois do café... eu até ganhei uma placa deles, a bebida foi criada no ano do meu nascimento: “Pelos serviços prestados desde 1932”. Na época, fiquei indignado: eu só comecei a beber Underberg com 10 anos!
Essas oito décadas foram bem loucas, não? Para quem quis servir ao Exército e sonhava comandar navio...
Eu entrei para a tropa porque tinha asma e era tão mimado pela minha mãe que achava que ia virar bicha. Meu número, para piorar, era 4-24. Depois, passei para a Marinha Mercante. Quando ia fazer minha primeira viagem, gamei numa guria e larguei tudo. Minha vida sempre foi assim. Como no filme “Match point”, do Woody Allen: a bola no filete da rede. Eu cometi todos os crimes possíveis — pode ser até que já tenha matado gente —, mas acho que já prescreveram. Cometi crimes ecológicos terríveis. No início dos anos 1950, saí do Exército muito doidão e fui dar um rolezinho na Amazônia. Passava os dias tomando cachaça, comendo as índias e dando tiro de chumbinho em macaco-prego. Mas eles não eram inocentes. Invadiam a palafita, roubavam tudo. Rádios, gravadores, comida. Eram alcoólatras. Bebiam nossa cerveja e à noite desabavam na mesa de sinuca, chapadões.
Como anda o Brasil na sua opinião? E o humor, tão importante durante a ditadura?
O Brasil continua uma merda, graças a Deus. Se não, o que seria de mim e dos meus colegas? Mas o humor não serve mais para nada. Quando uma charge, hoje, vai ser um acontecimento? O mundo e a internet assimilaram o humor de uma maneira que virou cocô de mosca. Pode xingar a mãe, falar o que quiser que não faz a menor diferença. E a gente ainda tem que concorrer com os grafiteiros, que agora os críticos chamam de artistas, mas só fazem emporcalhar a cidade e impôr-se. Isso me faz lembrar aquele polvo psicodélico da Tomie Ohtake na Lagoa. O Marcos Vasconcellos, meu amigo, compositor, desenhista, arquiteto, um radical, comprou bananas de dinamite e me chamou para a gente pegar um pedalinho de cisne e explodir aquilo. Declinei. Ainda bem, pois ia matar os mendigos que moravam naquele horror. Mas, voltando ao humor, ele anda muito sério, muito inteligente, sofisticado, mesmo quando é bom. O pessoal não se preocupa em fazer rir. A gente se sente feliz da vida quando consegue entender a piada. Por isso eu mudei. Detestava os Três Patetas. Hoje, adoro aquela coisa de martelada na cabeça, panelada na cara, dente arrancado. É o suprassumo. Mesmo assim, como hoje colaboro com um jornal popular, “O Dia”, sou reconhecido por taxistas e mendigos. Uma caixa de supermercado outro dia viu minha assinatura e perguntou: “Jaguar, o cartunista?” Eu disse: “Como é que você sabe?” E ela: “Eu posso ser humilde, mas me interesso por cultura.” Eu achei tão bonitinho!
Passados os acidentados anos Sarney/Collor/Itamar, tivemos três presidentes: Fernando Henrique, Lula e Dilma. Qual o seu olhar sobre eles?
São todos muito fraquinhos. Está faltando um estadista. Dilma é atrozmente medíocre. “Estresse hídrico” é o cacete. Lula eu conheci levado pelo Henfil, camisa de malha, jeans e Conga. Nunca acreditei nele. É um cara rancoroso. Uma vez me entregou um prêmio no Municipal. Olhou com uma raiva que nunca superei. Fernando Henrique eu entrevistei e depois ele me pediu para acompanhá-lo ao aeroporto. Estava orgulhoso de um relógio que tinha tudo. Dava para ver hora em Marte. Ele disse: “Olha, faz cálculos, tábuas, o diabo. Pode perguntar o que quiser.” Aí eu perguntei: “Que horas são?” Ele ficou pasmo. Não respondeu até hoje.
Quem foi nosso último estadista? Você tem candidato para as eleições?
Eu? Candidato? Eu não voto! A última vez em que votei foi no Brizola. E me arrependi. Sobre último estadista, não sei. Todo político tem um passado sórdido, que vem à tona ou não. Pensando bem, todo mundo. Só sofre quem espera alguma coisa. Mas isso não me deprime. Eu sofro só se não tiver dinheiro para o chope. Como no tempo em que morei num cubículo na Lapa, lado a lado com Madame Satã. Eu vivia com uma filha de santo. Um dia, baixou nela uma entidade que falava grosso como um monstro. Madame Satã veio acudir e cantou pro santo subir. Depois, a mulher me botou para fora. Fiquei na pior até conhecer a Celia (Regina Pierantoni), no Lamas, naturalmente. Ela arrumou minha vida. São 25 anos de casados. Tomou conta de mim. O que eu acho ótimo. É formidável, doutora, referência mundial em saúde pública. Estamos vivendo muito bem.
Você foi muito criticado pela indenização que recebeu do governo, em 2008, por perseguições durante a ditadura. Ficou com dilemas éticos?
Eu não. Eu achei ótimo. Foi o que salvou minha vida. A ditadura me ferrou, perdi emprego, fiquei no miserê. Foi uma iniciativa da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), eu topei. Nunca tive dinheiro, plano de saúde, carteira assinada. Tem gente que é rica e recebeu o triplo. Faço charges há 60 anos e ganho pouco. Nunca saí com pastinha no braço, como o Mauricio de Sousa, nem tenho a energia produtiva do Ziraldo, de quem sou fã. Nunca tiro férias por medo do bilhete azul. No caso da indenização, o que estragou foi o Ziraldo. Tem horas em que é melhor ficar na moita. Ele foi à ABI e fez um auê, esculhambou todo mundo, disse que quem era contra estava botando o rabo entre as pernas. Aí saiu a maior pancadaria, o Elio Gaspari dando porrada em todo mundo. Só podia ser, não é?
Como você se avalia?
Sou um bom cronista de situações. Mas não sei desenhar. Nunca soube. Se tenho que fazer caricatura, copio do Chico, do Angeli, e as pessoas acham que é um estilo. No Brasil, qualquer um que dure dez anos num ofício é considerado grande profissional. Fui um fiasco nas escolas de desenho. Houve um instituto onde eu tinha que desenhar um busto de Voltaire e aí pus uma mosca no nariz dele. Fui expulso.
Bom, mas a mosca é sua essência. O seu gênio...
É a minha deformação profissional. O.k., faço bons cartuns. Hoje a palavra cartunista ficou importante. Todo mundo é cartunista, mesmo os quadrinistas. Só que tudo podia ser diferente. Houve um tal de Brandão, que fez concurso comigo pra substituir o Borjalo na “Manchete”. Ele era meu colega no Banco do Brasil, onde trabalhei. Meu pai era inspetor lá. O Brandão virou bancário... Eu fiquei só um tempo. Bebia a noite toda, chegava às três com minha lambreta. Assinava a “New Yorker”. Entrei por aí, “A notícia”, “Senhor”, “Pasquim”. Fiz até quadrinhos para O GLOBO. Podia ter virado quadrinista e ganhar tutu, mas dá trabalho... O Quino fazia legendas que eram poesia nas charges. Mas “Mafalda” é uma merda. Eu disse isso a ele, e a chata morreu. Sei lá se foi por isso...
O “Pasquim” foi o auge?
Foi o auge do sucesso. Mas a revista “Senhor” tinha mais qualidade. Paulo Francis, Scliar, Glauco Rodrigues, Bea Feitler. Turma da pesada. Já o “Pasquim” foi só diversão. Até a censura era um barato. Era feita pelo Coronel Juarez, um bonitão, sósia do Gary Cooper. Recebia a gente na garçonnière dele. Pegava o material e riscava a lápis. A gente argumentava. Havia diálogo. O pessoal torcia para chegarem as garotas. Ele apresentava: “Esses são meus amigos do famoso ‘Pasquim’.” Aí liberava as maiores atrocidades! Ele tinha uma turma de coroas na praia, a gente contratou uma loura espetacular de biquíni. Ela levava o material, e ele censurava na praia! E ela, alisando o velho, dizia: “Ah, meu bem, não faz isso, os meninos vão ficar tão tristes...” Ele ficava orgulhoso e liberava.
Já o tempo na prisão (em 1970) não deve ter sido tão divertido...
O quê? Fiquei três meses na Vila Militar. Nunca bebi tanto. Não é piada: foi a fase mais feliz da minha vida. Acordava e pensava: “O que tenho para fazer hoje? Porra nenhuma!” Subornava os guardas para ter cachaça. Bebia do gargalo e jogava num matagal atrás da cela. Consegui ler 60 páginas de “Ulisses”. Depois não retomei. “Ulisses” ou você lê na prisão ou não lê. O Paulo Francis e o (fotógrafo) Paulo Garcês vinham com uns pedaços de pau e apontavam para mim, imitando colonizadores: “Look... this is almost human!” (Olhe... isto é quase humano!) Quando fomos soltos no réveillon de 1970, fui espiar o matagal, e tinha uma pirâmide de garrafas. O coronel responsável vinha perguntar se eu estava sendo bem tratado, eu tinha que tampar a boca por causa do bafo. “O que houve?”, ele perguntava, e eu dizia que era dor de dente. Ele oferecia dentista e eu recusava, explicando que preferia a dor ao dentista. Era tão divertido! Depois o coronel foi exilado para Goiânia porque tinha tratado bem os intelectuais. Coitado.
De que maneira você passa hoje seus dias?
Já li muito, principalmente poesia. Ouço bastante jazz. E fico em casa vendo futebol inglês, espanhol, italiano. O futebol nacional está muito ruim. Eu morei em Santos no tempo de Pelé... Acho que a Copa vai ser um desastre de organização. E não vejo o Brasil batendo os europeus.
O que você gostaria de ter feito e não fez?
Lamento a burrice dos diretores de cinema brasileiros, que não perceberam que sou um grande ator. Em “Natal da Portela”, do (Paulo Cesar) Saraceni, fiz uma ponta, no papel de um comerciante judeu. Só me falaram: Você tem que dizer “Bom-dia, seu Natal!” Procurei um velho judeu e perguntei como ele falava “Bom-dia, seu Natal”, e ele repetiu, com aquele sotaque, até eu aprender. Na hora de filmar, eu digo a fala com um ar servil de estereótipo, e o Milton Gonçalves responde: “Bom-dia é o caralho!” Eu não sabia. Fiz uma cara de espanto. Porra, eu bebia com o Milton e ele me ofende? Depois, fiz em “Tanga (Deu no New York Times?)” o papel de um correspondente americano no país de um ditador, e minha fala era: “E se os marines chegarem?” Minha carreira de ator são nove palavras! Mas foram grandes atuações.
Para terminar, uma análise do jornalismo de hoje.
No meu tempo de redação, de “A notícia”, eu trabalhava com a garrafa de uísque do meu lado, passava a mão na bunda das moças e dormia em cima da mesa. Hoje é cada um fechado na sua mesa, aquele silêncio total, todo mundo olhando para as telinhas... Fico meio pasmo. Agora, o jornalismo? Sou muito velho. Sou viciado em jornal de papel. Leio três por dia. Gosto de tudo. Dizem que vai acabar, mas não enquanto eu viver.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Crônica de uma morte anunciada

                 
                             
                                                      Foto:João Pimentel

             (adaptação à crônica que fiz,quando da “morte” do MONITOR CAMPISTA)                                                          
                                                     Walnize Carvalho
                                                                                                             
Não há como não deixar de parafrasear o escritor e jornalista colombiano -Gabriel Garcia Márquez – e utilizar como título de minha crônica  a  obra  consagrada deste brilhante autor.
Nem há, como também, ficar indiferente e usar o velho chavão : “ A única certeza desta vida é a morte”.E eis que o “paciente” sabia  que iriam adoecê-lo e ,quem sabe, até levá-lo a fenecer .Apesar da idade avançada  gozava  de uma saúde de ferro de causar inveja aos mais novos.
Viril,simples, popular, sempre foi figura querida e estimada pela cidade. Tinha convívio com qualquer classe social: do operário ao intelectual.
Amigo, recebia em sua “casa” a todos com o mesmo carinho e hospitalidade: quer os seus membros efetivos como os visitantes. A “mesa”  sempre posta com um cafezinho tirado na hora complementado de saborosos pães representava o verdadeiro alimento da alma.  
Vivia assim:  firme em seus propósitos, consciente do seus deveres, trabalhando com honradez na missão a ele outorgada.
E foi, que  como herói da resistência começou a ter que administrar adversidades. Passaram a lhe dar doses homeopáticas de desânimo, tristeza, desamor, incompreensão,  fraqueza, disputa de poder  e com as forças por um fio adoeceu... e morreu.
Com o coração enlutado,  despeço de você... ESTÁDIO DO AMERICANO FUTEBOL CLUBE.  



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Coringa X Garotinho

Do blog Radar On-line

Coringa socialista

Garotinho: condenado por acusar sem provar
Garotinho: acusado por Coringa

Cleyton Coringa, o manifestante que delatou na semana passada a lista de vereadores do PSOL que contribuíram com um evento do Ocupa Câmara, é filiado ao PSB de Duque de Caxias desde 2011. Na ocasião, o partido era presidido por Alexandre Cardoso, hoje rompido com o PSB e prestes a entrar no PMDB.
Coringa atira para todos os lados em seus vídeos no YouTube: afirma que Anthony Garotinho pagou ‘manifestantes profissionais’ para acampar em frente à casa de Sérgio Cabral.

Por Lauro Jardim

Após 18 dias no cargo, Ministro da Saúde pede demissão - Ou não....



Após enfrentar uma série de denúncias de irregularidades no Programa Mais Médicos, Arthur Chioro, não aguentou a pressão e pediu demissão do cargo. O decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff foi publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial.
 Mozart Sales, secretário de Educação e Gestão da Saúde, e  nome preferido do ex-ministro Alexandre Padilha, assume interinamente o cargo.

Atualização às 13:29 para esclarecer a realidade dos fatos e alterar o título da postagem:

"O ministro da Saúde, Arthur Chioro, tentou explicar nesta sexta-feira que antes mesmo de assumir a pasta, no início de fevereiro, já tinha combinado com a presidente Dilma Rousseff seu desligamento para tomar posse como professor da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP). O Diário Oficial da União trouxe a publicação hoje da demissão de Chioro, porém, sem explicar o motivo da ‘demissão’. A assessoria de imprensa admitiu a responsabilidade por não ter comunicado com antecedência o procedimento burocrático à imprensa, e alegou que só foi avisada ontem à noite, quando avaliou que só era necessário informar aos jornais apenas hoje, deixando de considerar que o D.O.U é lido cedo.
Em conversa com O GLOBO, na saída da reitoria da instituição de ensino, ele disse que o retorno ao cargo de ministro vai depender da tramitação nos ministérios da Casa Civil e da Educação do processo de cedência, o que pode ocorrer ainda hoje ou se estender até a próxima segunda-feira. Em nota, a Unifesp informou que a oficialização da cessão será publicada ainda nesta sexta-feira no Diário Oficial da União.
- Você acha que faria uma coisa dessas sem que a presidenta (soubesse)? Quando eu fui convidado para assumir o cargo de ministro, eu já tinha sido chamado pela universidade e teria 30 dias. Aliás, um dia antes dela me convidar oficialmente, eu já tinha sido chamado. Então, eu teria até o final de fevereiro, formalmente, para assumir. A presidenta sabia que eu precisaria (tomar posse) - afirmou o ministro, que completou:
— Isso já está acertado antes da minha posse — disse. 

Ex-ministro por um dia
O ministro declarou ainda que, enquanto exercer o cargo na Esplanada dos Ministérios, receberá apenas o salário de ministro, já que não é possível acumular as duas remunerações no serviço público.
- Eu receberei apenas o salário de ministro. É um processo que se chama de cedência, é um processo natural. Vários outros professores, a própria ministra Eleonora (Menicucci) também é docente no mesmo departamento que o meu. E é a mesma natureza. Como servidor público, você não acumula dois salários. É cedido e fica com o salário da remuneração que é maior - disse.
O ministro explicou que, em 2012, prestou o concurso público para professor universitário no Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal do Estado de São Paulo, na disciplina de Política, Planejamento e Gestão em Saúde. Em 2013, ele foi aprovado e foi chamado em janeiro deste ano. Ele evitou falar o salário pago ao cargo ao qual tomou posse.
- Sabe que eu não sei? A Reitoria da Unifesp te fala, é um salário de professor - disse.
Em São Paulo, ele brincou que aproveitará o dia como ex-ministro para resolver assuntos particulares, como ir ao banco e visitar familiares em Santos (SP), cidade onde morou por muitos anos.
- Como ex-ministro, vou aproveitar para fazer aquilo que não tenho muito tempo de fazer em Brasília - brincou."

Do jornal "O Globo"


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E vai ter corrida no Farol!

Mais uma do blog "Ponto de Vista"


Prefeitura recua e confirma corrida no Farol

Após ter barrado o evento esportivo, a Guarda Municipal voltou atrás e agora destinou um local para a Corrida Verão da Família, na orla do Farol de São Tomé. A Prefeitura de Campos noticiou aqui, em seu site, a interdição de trecho da Avenida Atlântica informados pela Guarda Civil Municipal e o Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), órgãos do governo municipal, confirmando a corrida.
Contudo, a matéria ignora completamente a informação que a corrida chegou a ser barrada. Tampouco o Major Francisco Mello, Comandante Geral Interino da Guarda Municipal e Secretário de Paz e Defesa Social, que falou: “Temos muitas atividades sendo desenvolvidas no final de semana e, por uma questão logística, sugerimos três locais para a realização do evento e a fundação reconsiderou a sua avaliação inicial e optou pelo percurso do Lagamar à Colônia de Férias da Terceira Idade”.
Após ser amplamente divulgada na imprensa e também aqui na Folha Online (confira aqui), a corrida foi barrada pelo Major Francisco Mello, comandante da Guarda Municipal, fato solenemente ignorado por ele e pela matéria. Em ofício enviado na terça-feira, 18 de fevereiro, há apenas dois dias, o Major F. Mello se diz impossibilitado de atender ao pedido, face aos inúmeros eventos já agendados para o final de semana. Confira a prova abaixo:
A negativa da Guarda Municipal cancelou momentaneamente a corrida, que tinha 300 inscritos e contava com atletas vindo de fora da cidade, pois não há como fazê-la sem o apoio da guarda. Irritado, com razão, o vereador Neném, cuja bandeira de eleição foi o esporte, botou a boca no trombone ontem na Câmara. O fato foi divulgado aqui no Blog do Bastos, do jornalista Alexandre Bastos, o mais lido da cidade, e ganhou ampla e desfavorável repercussão, tendo sido republicado hoje aqui.
Pressionada, a Guarda Municipal fez um estudo logístico recorde na imensa orla do Farol de São Tomé e em menos de 24 horas “achou” um local para a corrida planejada que tinha sido planejada há meses, fazendo com a Prefeitura voltasse atrás na decisão. Menos mal que isto tenha acontecido. Pelo menos reparou o erro, ainda que por pressão e que não o tenha reconhecido.

Blog Ponto de Vista: “Bebedeira e cachaçada com trio”, pão e circo pode. Esporte, corrida e saúde não

Foto: Check / Prefeitura Municipal de Campos




O chefe da Guarda Municipal, Francisco José Pereira Melo, em absurda decisão, barrou a Corrida Verão da Família, que seria realizada neste domingo, alegando que o horário teria conflito com um trio elétrico. A corrida teria 5 km e seria realizada de 08h00 às 09h00, com todas as suas 300 vagas já preenchidas.
Indignado, com toda razão, o vereador Neném, da base do governo, soltou o verbo ontem na Câmara de Vereadores: “Sinceramente, não vi sentido algum nessa explicação. Trata-se de uma corrida de apenas 5 Km  ocorreria das 8h às 9h e todas as 300 vagas já haviam sido preenchidas.” “Como é que pode barrar? Quer dizer que pode ter bebedeira e cachaçada com trio e não pode ter corrida de rua?”.
A imagem que a Guarda Municipal passa do governo Rosinha é que toda a atenção do verão no Farol é para os trios elétricos, com suas músicas de baixa qualidade, cachês milionários e efeitos colaterais como a bebedeira e cachaçada citadas e violência. Esporte e saúde não tem vez no “Verão da Família”, nem às 08 horas da manhã, porque a cidade parece pertencer aos trios elétricos.
Confira mais informações aqui no Blog do Bastos, fonte deste notícia.

Postagem do blog Ponto de Vista.

Morre Nélcio Mesquita, presidente do Motoclube de Campos



Do site Ururau:

O presidente do Motoclube de Campos morreu na manhã desta quinta-feira (20/02) no Hospital Ferreira Machado (HFM) depois de uma colisão no cruzamento das Ruas Joaquim Suma com Álvaro Grain, na Pecuária.
De acordo a assessoria do HFM, Nélcio Mesquita, 67 anos, sofreu vários ferimentos pelo corpo e teve uma parada cardiorrespiratória. Ele não resistiu e morreu às 11h30.  Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, as duas vítimas estavam em motocicletas. O segundo ferido identificado como M.A.R.G., 41 anos, também foi levado para o Ferreira Machado.

Biblioteca virtual

Na Folha da Manhã
Biblioteca virtual
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A Câmara de Vereadores de Campos disponibiliza em seu site oficial uma biblioteca virtual que, até o momento, possui 79 livros digitalizados de 22 escritores campistas. O projeto é um claro fomento à pesquisa e não só isso: é uma ação de cunho histórico-patrimonial. Para ampliar o número de títulos disponíveis ao público, as famílias de escritores já falecidos são contatadas para a liberação dos direitos autorais e o saldo tem sido bastante positivo: obras de Jorge Renato Pereira Pinto, Waldyr Pinto de Carvalho, Walter Siqueira e José dos Santos Silva Neto em breve serão digitalizadas e colocadas à disposição de estudantes, pesquisadores e demais interessados nas leituras sobre Campos.
De acordo com o presidente da Câmara, vereador Edson Batista, estão sendo consultadas as famílias de escritores que morreram há menos de 70 anos (as obras de escritores mortos há mais de sete décadas são de domínio público) para a liberação dos direitos autorais.
“Esse é um trabalho que está crescendo paulatinamente. Temos a parceria da Academia Campista de Letras para sensibilizar escritores contemporâneos e também contamos com a vasta biblioteca particular do médico Wellington Paes”, destacou.
Dilcéa Smiderle, coordenadora do projeto, é responsável pelo contato com os familiares e salienta a importância desta atividade para as pesquisas. “Esse é um trabalho de resgate histórico e também de preservação da memória desses escritores”, disse.
A escritora Walnize Carvalho (filha do escritor Waldyr Pinto de Carvalho), disse que o projeto da Câmara explora muito bem as possibilidades do mundo virtual e se torna uma oportunidade para que as obras de seu pai sejam lidas (por quem ainda não conhece) e relidas.
“Fizemos (a liberação dos direitos autorais) com muita alegria. Assim, os textos de quem tão bem falou de Campos vão alcançar grande público. A obra do meu pai é importante e necessária para o município”, disse Walnize, acrescentando que a família possui uma obra inédita do escritor sobre Benta Pereira intitulada “O levante”.  Sobre esse título, ela disse que precisa consultar sua mãe para saber se é possível liberar os direitos autorais. O livro foi registrado pelo próprio escritor.
Walnize também destacou a introspecção do pai que mantinha um ritmo diário de leitura e escrita. Waldyr, segundo ela, passava horas em sua “ilha” (uma biblioteca) conversando com seus personagens. Disto ela destaca o gosto pelos diálogos em suas obras que captam o leitor também em leituras mais ágeis, como as da internet. Walnize, também cronista, pensa em disponibilizar ao projeto seus três livros publicados: “Folhas Soltas”, “Olhos de Argos” e “Olhar sobre o cotidiano”. Já “Nilo Peçanha: Campos na história – Rádio Teatro magnífico”, “Só, na multidão”, “Gente que é nome de rua”, “Na terra dos heréos” são algumas obras de destaque de Waldyr Pinto de Carvalho.
A jornalista Silvia Salgado, filha de Hervé Salgado Rodrigues, que escreveu “Na Taba dos Goytacazes”, disse que o projeto chegou “em boa hora”, haja vista que o livro de seu pai está esgotado. “Com a digitalização, um livro importante para a história de Campos pode ser acessado com facilidade e vem ao encontro das necessidades dos pesquisadores”,  pontuou.
Paralelamente à Biblioteca Virtual existe ainda o projeto Autores Campistas, em que é possível conhecer informações biográficas de diversos escritores. Os projetos podem ser acessados no linkwww.camaracampos.rj.gov.br.
Talita Barros
Foto: Genilson Pessanha


Facebook compra WhatsApp por US$ 19 bilhões

Do Jornal "O Globo":

MENLO PARK e RIO — O Facebook anunciou na noite desta quarta-feira a aquisição do WhatsApp por US$ 19 bilhões, sendo US$ 4 bilhões em dinheiro e US$ 12 bilhões em ações da rede social. Além disso, o WhatsApp — definido no comunicado do Facebook como “companhia de mensagens móveis em várias plataformas com rápido crescimento” — terá direito a mais US$ 3 bilhões em “ações restritas” a serem distribuídas aos fundadores do aplicativo e seus funcionários ao longo de quatro anos a partir do fechamento do negócio. É a maior aquisição do mercado de tecnologia desde 2001, quando a AOL comprou a Time Warner por US$ 124 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
— O WhatsApp está a caminho de conectar 1 bilhão de pessoas — disse Mark Zuckerberg ao anunciar a compra. — Todo serviço que atinge uma marca como essa tem um valor incrível. Conheço Jan Koum, fundador e diretor executivo do WhatsApp há muito tempo e estou muito animado por me tornar parceiro de sua equipe, a fim de tornar o mundo mais aberto e conectado.
Por sua vez, o diretor executivo do WhatsApp comentou que a força do aplicativo está na simplicidade das mensagens, que geram “rápido engajamento” dos usuários.
— É uma honra me juntar a Mark e ao Facebook à medida que levamos nosso produto a mais e mais pessoas no mundo — disse Koum.
Nada muda para os usuários
O executivo também fez um post no site do WhatsApp explicando que a operação dará ao aplicativo a flexibilidade para se expandir, enquanto permite que os funcionários se concentrem no coração de seu negócio, as mensagens. “Eis o que vai mudar para vocês, nossos usuários: nada”, garantiu, frisando que a empresa continuará autônoma e operando com independência. “Vocês poderão continuar a usar o serviço por uma taxa nominal, não importa onde estejam ou que smartphones usem”.
Esta é a 44ª aquisição feita pelo Facebook em seus 10 anos de operação, que aliás foram completados no dia 4 fevereiro deste ano. A maior de todas elas até agora foi a do Instagram, em abril de 2012, adquirido por US$ 1 bilhão em ações, sendo finalizada por algo em torno de US$ 750 milhões.
— As empresas que trabalham com internet têm que estar sempre atentas às mudanças do mercado — diz Haroldo Korte, diretor executivo da gestora de fundos de venture capital Atomico, que movimenta cerca de US$ 500 milhões no setor. — Quando o Facebok percebeu que o compartilhamento de fotos agregava grande valor e engajava mais internautas, não perdeu tempo, comprou o Instagram. O mesmo fez a Microsoft, que após lançar sucessivas versões do Messenger comprou o Skype em maio de 2011 por US$ 8,5 bilhões.
Em se tratando de empresas de internet, o valor foi considerado alto por analistas (como termo de comparação, a Google comprou a Motorola, fabricante de smartphones, por US$ 12,5 bilhões em 2011 — se bem que esta acabou vendida à Lenovo por US$ 2,9 bilhões recentemente).
O negócio bilionário coloca foco nos aplicativos de troca de mensagem via web, que substituíram o SMS nos smartphones. No início da semana, o similar Viber foi comprado por US$ 900 milhões pela japonesa Rakuten. Em 2011, a Microsoft adquiriu o Skype por US$ 8,5 bilhões. Para João Moretti, diretor geral da empresa especializada em aplicativos móveis MobilePeople, aquisições como essa não são raras, mas o valor impressiona.
— O WhatsApp se popularizou muito rápido, é difícil encontrar alguém que tenha smartphone e não faça uso dele. Mas o valor da negociação é surpreendente – diz.
A maior interrogação é sobre o modelo de negócio do aplicativo, que cobra US$ 1 por ano de parte dos seus 450 milhões de usuários.
— Não sei como eles vão rentabilizar o negócio, mas é possível que aconteçam mudanças. Nesse mercado é comum empresas comprarem outras pela base de usuários, mas quem usa o WhatsApp também está no Facebook — diz Moretti.
Apesar de Koun afirmar que não haverá mudanças no WhatsApp, a inclusão de anúncios na ferramenta não seria de se estranhar, diz o especialista, já que esse é o foco principal do Facebook desde que a companhia estreou na Bolsa de Valores. Em seu último balanço trimestral, a rede social destacou que anúncios em celulares e tablets representaram 53% do faturamento total com publicidade, o que representa US$ 1,24 bilhão.
Ter uma boa ferramenta de troca de mensagens era quase uma obsessão para o Facebook. No ano passado, a empresa anunciou o “Facebook Phone”, uma espécie de roupagem no sistema Android que facilitava as conversas entre os usuários. A rede social também lançou o aplicativo Facebook Messenger para iOS e Android, que funciona de forma independente ao app do Facebook. No fim do ano, a companhia tentou adquirir o Snapchat por US$ 3 bilhões, mas a proposta foi recusada.
— Com o WhatsApp, eles compraram um líder no mercado de troca de mensagens por celular com uma massiva base de usuários e com forte e constante crescimento — disse Benedict Evans, analista da Andreessen Horowitz em entrevista ao “Financial Times”. — O ponto fundamental é que o mercado de dispositivos móveis se tornou muito maior que o de desktops e as mudanças acontecem de forma muito mais rápida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Então...

O amor acaba

                                                        Por Paulo Mendes Campos



"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova,
depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados,
 diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; 
de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva 
contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto,
 polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; 
na acidez da aurora tropical, depois duma noite 
votada à alegria póstuma, que não veio; 
e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema,
 como tentáculos saciados, e elas se movimentam 
no escuro como dois polvos de solidão; 
como se as mãos soubessem antes 
que o amor tinha acabado; na insônia dos
 braços luminosos do relógio; e acaba o amor
 nas sorveterias diante do colorido iceberg, 
entre frisos de alumínio e espelhos monótonos;
 e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão;
 às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, 
filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, 
no elevador, como se lhe faltasse energia;
 no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar;
 na epifania da pretensão ridícula dos bigodes;
 nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; 
quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia,
 onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar;
 na compulsão da simplicidade simplesmente;
 no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; 
no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias,
 mas que não floresceu, abrindo parágrafos de 
ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores;
 em apartamentos refrigerados, atapetados, 
aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; 
e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, 
caindo imperceptível no beijo de ir e vir; 
em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; 
nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, 
no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala
 e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno
 o amor não começa; na usura o amor se dissolve; 
em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade;
 em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro;
 uma carta que chegou depois, o amor acaba
 uma carta que chegou antes, e o amor acaba;
 na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba
 na mesma música que começou, com o mesmo drinque, 
diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba 
em ouro e diamante, dispersado entre astros; 
e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; 
no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia 
imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, 
tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados;
 e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo;
 na janela que se abre, na janela que se fecha;
 às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa,
 que continua reverberando sem razão até que alguém, 
humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba 
como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar
 com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, 
e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã,
 de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; 
no abuso do verão; na dissonância do outono; 
no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; 
a qualquer hora o amor acaba; 
por qualquer motivo o amor acaba; 
para recomeçar em todos os lugares
 e a qualquer minuto o amor acaba."