terça-feira, 30 de novembro de 2010

Olha a mala branca aí, gente!!!

Do Globoesporte.com:

"O lateral-esquerdo Moreno tem jogado pouco no Guarani, mas é o personagem central de uma polêmica que ronda o Brinco de Ouro às vésperas do jogo contra o Fluminense, no próximo domingo, no Engenhão. Na segunda-feira, ele declarou ao jornal Lance! que teria recebido o contato de um diretor influente do Corinthians para acertar uma suposta mala branca que seria enviada como incentivo ao clube de Campinas. Vale lembrar que o Timão depende de, pelo menos, um empate do Guarani para ter alguma chance de título brasileiro. No entanto, as declarações de Moreno geraram um mal-estar geral no Bugre, entre jogadores, comissão técnica e diretoria.

Nesta terça, na reapresentação do elenco, rebaixado após a derrota para o Grêmio, a conversa tomou conta do clube. Um jogador titular, que não quis se identificar, admitiu que Moreno conversou com alguns jogadores a respeito da mala branca. E que o assunto seria resolvido dentro do elenco, sem participação da diretoria.

- São coisas internas, que não deveriam ter sido expostas. Todo mundo sabe que existe, mas mesmo assim é chato - disse o jogador.

Na comissão técnica, as declarações de Moreno também tiveram impacto. No treino desta terça-feira, no Brinco de Ouro, o jogador teve uma conversa particular com o técnico Vágner Mancini, no meio do gramado. Mancini deu uma dura no lateral-esquerdo, que ouviu a tudo cabisbaixo e pouco retrucou. Depois, ele se juntou ao grupo e participou normalmente da atividade. Moreno foi revelado pelo Corinthians, no início da década, e conhece membros da diretoria do clube do Parque São Jorge.

Representando a diretoria, o coordenador técnico Waguinho Dias mantém a postura que já havia adotado na segunda-feira, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM. Ele diz não participar de negociações por mala branca e garante que não recebeu contatos de Corinthians e Cruzeiro. A decisão, para Waguinho, ficará a cargo dos jogadores. Moreno não passou a situação para a cúpula do Bugre.

- O atleta não veio comunicar nada a nós, soubemos disso pela imprensa. Não conversamos com o Moreno, mas vamos entender o que se passa. Mas tenho de dizer que não é uma situação da diretoria, os atletas que se resolvam em relação a isso. Se houver qualquer acordo entre os jogadores, a diretoria não sabe de nada - afirmou Waguinho Dias.

Após a grande repercussão da entrevista de Moreno, a tendência é que o elenco não aceite mais as ofertas dos clubes interessados em um tropeço do Flu. O clube carioca tem 68 pontos na classificação, contra 67 do Corinthians e 66 do Cruzeiro. Para reforçar a rejeição de qualquer incentivo, os jogadores do Guarani estão com os salários em dia.

- Acho que não há mais clima. E temos é de jogar pela nossa honra - disse o jogador."

Fim de tarde em Macaé







Ainda por cima canta bem...

Beldade toma banho em A Fazenda e dá show de cantoria e outros atributos pra lá de "abundantes", até que chega um "cueca" para atrapalhar a moça.
Ah uma coça!!!

O no dia do Estatuto da terra...


"Cio da Terra"

Guarda-chuvas e sombrinhas

Senhoras buscam proteção do sol escaldante da planície!!!

Não haverá vencedores - Marcelo Freixo

Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.
Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra"- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...
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MARCELO FREIXO, professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

E foi na data de hoje...


...que em 1935 veio a falecer
um dos mais importantes poetas portugueses:

Fernando Pessoa








Dele,um dos poemas de que mais gosto:

TABACARIA

(heterônimo Álvaro de Campos)

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.


Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.


Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.


(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)


Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.


(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)


Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente


Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.


Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,


Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.


Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.


Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.


Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.


(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."



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Pro dia nascer feliz


"As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Bons tempos...

Bem...me atrevo a colocar aqui para os amigos do Sociedade uma gravação de áudio lá da década de 90. Na ocasião, fiz parte junto com alguns feras da música local da Big Band Blues Show, como o nome sugere, uma grande banda do melhor estilo soul music e blues. Na guitarra, chamo a atenção para o já saudoso Luizz Ribeiro da Avydores do Brazyl. Além dele, completavam o time: Faíco Araújo (teclado), Ângelo Nani (Gaita), André Rangel (baixo), Renato Arpoador (bateria), Oswaldo Lessa (Sax), Magno Filho (trompete), Xará (trombone) e esse que vos escreve no vocal.



Do tempo...do tempo... do tempo



Comemorar com ele mesmo: o café


Pois é...
Hoje,29 de novembro
é Dia do CAFÉ!



Assim sendo...
"São inúmeras as lendas sobre o aparecimento do costume de beber café. A mais conhecida e mais plausível delas é a que nos conta que em meados do século XV, um pastor da Etiópia, chamado Kaldi, notando que as cabras ao ingerirem os frutos de certo arbusto se tornavam mais vivas e adquiriram mais disposição, resolveu fazer uma infusão com os tais frutos e experimentá-la. Achando que seu estado de espírito e sua disposição física melhorara, continuou a beber a infusão e passou a propagá-la. Daí em diante, foi-se difundindo o uso de beber a infusão preparada com frutos do cafeeiro."

Fonte:www.cccmg.com.br

Pro dia nascer feliz


"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males."

Voltaire

domingo, 28 de novembro de 2010

Vamos combinar...

Por demais piegas essa estoria de...

Eu sou o melhor, o mais rápido, o mais influente, o mais importante, o mais imparcial, o mais bonito, o mais gostoso, o mais cheiroso...

é cada um...

Melhor mesmo é o meu Fluzão que acaba de ganhar do Palmeiras e está com  uma mão no título do Brasileirão...

Dá-lhe Fluzãoooooooo!!!!!!!!!!!

Um título perfeito...

Poucas vezes na vida vi um título de múscia tão apropriado e perfeito...

"Jesus Alegria dos Homens"
Autor: Bach

Detalhe: vídeo com tradução...imperdível!!!

Rugas

Luiz Fernando Verissimo

Com quase 70 anos, Paul McCartney tem a cara lisa. Não sei como está a cara do Ringo, o outro Beatle vivo, mas supondo-se que ele também não aparente a idade, e comparando-se a cara dos dois com a dos Rolling Stones, pode-se especular que tenha havido um acordo entre as duas bandas.Em algum momento do final dos anos sessenta os Beatles e os Stones teriam se encontrado em segredo para dividir o mundo e decidir o destino de cada um. Caberia aos Beatles fazer as melhores melodias e sofisticar o rock com álbuns temáticos como o "Sgt. Pepper’s", aos Stones se manterem fiéis ao backbeat básico e serem a versão bandida dos Beatles.
Também teriam escolhido o público que queriam e estabelecido qual seria a longevidade de parte a parte e o que caberia de tragédia e de glória a cada lado. Mas principalmente teriam feito a repartição das rugas. Os Stones ficariam com todas e em troca durariam mais. Os Beatles envelheceriam melhor ou, como no caso do John e do George, nem envelheceriam. De qualquer maneira, nunca teriam rugas. Em compensação durariam menos.
O dramaturgo inglês Tom Stoppard (que se parece um pouco com ele) contou que certa vez lhe disseram que Mick Jagger tinha aquelas rugas todas de tanto rir, ao que ele retrucou que nada poderia ser tão engraçado assim.
Já as rugas do Keith Richards são claramente as marcas de uma vida vivida aos extremos. Richards provou de tudo, entre secos, molhados e com duas pernas.
E sobreviveu para contar: sua autobiografia, chamada apenas "Vida", acaba de sair. Num trecho reproduzido na resenha do livro recentemente publicada pela revista "New Yorker" ele conta que às vezes viajava nas drogas com o John Lennon, mas que Lennon não conseguia acompanhá-lo.
Depois de tomar e cheirar o que havia, muitas vezes durante dias, ele estava pronto para trabalhar enquanto o John invariavelmente acabava no banheiro, segundo ele, "abraçando a porcelana".
Mas a quantidade de rugas na cara de Mick Jagger, Keith Richards e os outros Stones não se explica apenas pela passagem do tempo. Elas acumulam funções, são as rugas deles e as rugas que os Beatles não tiveram. Estava tudo combinado.

Programa de visitas mediadas nas exposições do SESC

CONVITE

Programa de visitas mediadas nas exposições do SESC
Exposições
DNA – Esculturas em 3 Dimensões
Vida e Arte na Periferia
Campos – Museu a Céu Aberto

As visitas às exposições são mediadas por arte-educadoras e constam de atividades lúdicas, pedagógicas e reflexivas.
Público-alvo: Escolas e demais interessados.
Visitas mediadas: de terça à sexta-feira a partir das 13h, ou em outros dias e horários a combinar.
Agendar com Vera: (22) 8117-5398 ,(22) 8117-5398 ou vera_plet@yahoo.com.br

DNA – Esculturas em 3 Dimensões
Exposição composta por esculturas retorcidas em metal, estabelecendo um paralelo às recentes descobertas do mapeamento genético. Artista: Adriano Ferraiuoli
Vida e Arte na Periferia
Flagrantes da vida na periferia, uma construção simbólica da simplicidade, fruto de consciente elaboração estética. Artista: Wellington Cordeiro.
Campos – Museu a Céu Aberto
Mostra fotográfica que retrata prédios e monumentos históricos da cidade de Campos dos Goytacazes.
Curadoria: Wellington Cordeiro.


Espetáculo: Auto de Natal dos Irmãos Brothers

Dia 1/12 (quarta-feira) – 15h –Ginásio

O “AUTO DE NATAL DOS IRMÃOS BROTHERS” narra a história do nascimento de Cristo, de forma emocionante. O espetáculo transcorre num clima lírico e divertido, que emociona a platéia, ao evocar a presença de um dos seres mais carismáticos e iluminados que já povoou este planeta. O roteiro, que traz a marca dos Brothers, respeita a narrativa da história tradicional, contada pela Bíblia. Entretanto, a cena é invadida pela pureza e pela magia do circo, esbanjando humor e poesia. Dentro do espírito pop e multicultural da companhia teatral-circense, com roteiro de poucas palavras, mas com muito vigor e ação física - marca registrada deste grupo.
Os IRMÃOS BROTHERS utilizam os mais variados recursos circenses para contar esta história: o Anjo Gabriel, no momento da anunciação, três reis magos dão como oferendas ao Menino Jesus presentes que são mágicas; um burrinho ganha vida na pele dos atores saltando por todo o espaço etc. A trilha sonora do espetáculo mistura ritmos que vão do clássico, pop, ao espiritual. Hoje, já é tão tradicional quanto o chester no Natal ou o champanhe no réveillon. É um espetáculo ideal para toda família!
SESC – Rio de Janeiro

Av. Alberto Torres, 397, Centro, Campos dos Goytacazes, RJ

Comandante fala sobre novos riscos

Depois de muita expectativa, o Morro do Alemão foi ocupado pelos policiais militares, federais, civis e agentes das Forças Armadas . O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, que está à frente da arrojada operação, diz que o trabalho mais cansativo e que requer mais paciência virá agora, já que será feita uma "varredura" completa no local. Disse ainda que é preciso muito cuidado, pois é grande a possibilidade de uma armadilha por parte dos marginais.
Mas, sem dúvidas nenhuma, trata-se de um momento histórico. As imagens mostram uma polícia preparada e bem diferente da que nos acostumamos a ver e conviver nos últimos anos.

A Arte de quem faz arte


Esta "tela" foi pintada no muro do meu quintal pela minha netinha VALENTINA(ela hoje completa 5 anos).
É ela quem dá colorido à minha vida;pinta meu céu de esperança;desenha meu arco-íris de sonhos...

Pro dia nascer feliz


"De todos os presentes da natureza para a raça humana, o que é mais doce para o homem do que as crianças?

Ernest Hemingway

Seminário “O Ensino da Arte Contemporânea e o Ensino Contemporâneo da Arte” na UENF

Seminário “O Ensino da Arte Contemporânea e o Ensino Contemporâneo da Arte”

Pólo Regional Arte na Escola – UENF
“O Ensino da Arte Contemporânea: Um Espaço Poético” é o título da palestra a ser ministrada pela Profa. Greice Cohn, que é graduada em Licenciatura em Educação Artística – Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes - EBA/UFRJ em 1985, Especialista e Mestra em Tecnologia Educacional – NUTES/UFRJ (2004), cuja pesquisa buscou novas abordagens de materiais educativos em vídeo para o ensino da Arte. Tem formação profissional também na área de Artes Cênicas, na Casa das Artes de Laranjeiras (1987). Leciona Arte desde 1984 na rede privada e pública, e é professora de Artes Visuais do Colégio Pedro II desde 1994. Coordenadora Pedagógica do Pólo Arte na Escola/UFRJ a partir de 2007, onde coordena grupos de estudos e ministra cursos de Extensão. Tem artigos publicados em diversas revistas e Anais de Encontros de Arte-Educação nos quais tem participado.
Seminário “O Ensino da Arte Contemporânea e o Ensino Contemporâneo da Arte”

Organização: Pólo Regional Arte na Escola - UENF
Local: Centro de Convenções da UENF
Data: 04 de dezembro de 2010 (sábado)
Horário: 8h às 18h
Inscrições: www.artenaescolauenf.org.
Taxa de inscrição: R$10,00
Público alvo: O Seminário é destinado a todos os interessados no ensino da arte.
Informações: contato@artenaescolauenf.org
fone: (22) 2724-3471

Programação
Manhã:
8:00 - Abertura
8:30 - Palestra: "Aprendendo e Ensinando Arte Contemporânea”
Palestrante: Maria da Penha Fonseca – Universidade Federal do Espírito Santo - UFES/ES
9:45 - Debate
10:30 - "Artes Visuais: Enredando Olhares." (Apresentação Grupo de Estudos em Artes Visuais do Pólo Regional Arte na Escola UENF)
11:00 - Debate
11:30 - “Animação Cultural Escolar: diálogos possíveis...com a Escola e a Comunidade.” (Apresentação do Grupo de Estudos em Animação Cultural Escolar do Pólo Regional Arte na Escola - UENF e relançamento da publicação.)
12:00 – 14:00 - Almoço
Tarde:
14:00 - Palestra: “O Ensino da Arte Contemporânea: Um Espaço Poético.”
Palestrante: Greice Cohn – Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ / RJ e Colégio Pedro II.
14:45 - Debate
15:30 - “O Ensino Contemporâneo da Arte e a Metáfora do Rizoma”. (Apresentação do Grupo de Estudos em Arte na Educação do Pólo Regional Arte na Escola - UENF)
16:00 - Debate
16:30 - Oficinas de Arte Contemporânea
18:00 - Encerramento
Pólo Regional Arte na Escola - UENF
Casa de Cultura Villa Maria
Rua Baronesa da Lagoa Dourada, 234, Centro
Campos dos Goytacazes, RJ
arteuenf@uenf.br
poloartenaescolauenf@yahoo.com.br
fone:(22)2724-3471

Doação de sangue- URGENTE

O pedido nos chega por e-mail da leitora Gianna Barcelos:
"Queridas pessoas irmãs,

vou ser submetido a intervenção cirúrgica para 4 pontes de safena.
Para tal, necessito doadores de sangue.

A doação de sangue é um ato de reposição do banco de sangue.
Todo tipo sanguíneo é aceito.
Neste caso, basta informar, no ato de doação, a ser feita no
HEMOCENTRO DO HOSPITAL FERREIRA MACHADO:
Data da Cirurgia: 29 DE NOVEMBRO (fazer doação até este dia).
Cirurgia a ser feita no HOSPITAL ESCOLA ÁLVARO ALVIM.
Paciente: Gustavo Polycarpo Péres (meu nome nem precisa ser mencionado).
Preciso de 20 doações para a cirurgia.
Muitíssimo grato,
de coração.
Gustavo."

sábado, 27 de novembro de 2010

Caminhando, vi e fotografei...


Não é disco voador!É tão somente uma casa de formigas feita na areia...

Lembrei-me deste texto...



no "Dia de combate ao câncer de pele". Ele é a tradução feita por
Pedro Bial de “Everybody is free to wear sunscreen”(Baz Luhrman)



Filtro solar!

Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta:
usem o filtro solar!
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece...
Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação
é tão eficaz quanto mascar chiclete
para tentar resolver uma equação de álgebra.
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos 22, o que fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Dance.
Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas no filtro solar, acredite!

O sol, o vento e a folhagem


Walnize Carvalho

Tenho por hábito acordar cedo. Como a obedecer a um ritual abrir janelas, saudar o dia e ser saudada pelo bem te vi, que mora no poste da calçada em frente à minha casa.
Vez por outra, abro exceção indo adormecer mais tarde, pois me deixo levar pela leitura de um livro embalada pela brisa noturna.
Noite de lua cheia, então (?!) é um convite para vê-la nascer imperiosa na linha do horizonte e no seu posto reinar entre estrelas até o dia seguinte.
E num dia seguinte( dia de domingo) a este encontro prazeroso entre eu e o telão celestial que me vi entregue ao sono deixando o relógio biológico descompassado.
Foi quando , tal qual crianças que adoram “pregar peça” (dar sustos) os três apareceram: O sol, o vento e a folhagem.
Pela janela fechada do quarto, através das esquadrias de madeira surgiram sombras , que formavam desenhos.Em plena cumplicidade, o vento empurrava a folhagem e o sol brincava de “pique esconde” vindo refletir sobre minhas pálpebras semi cerradas.
No silêncio reinante ( afinal passava pouco das oito e a maioria dos familiares ainda dormia) fiquei como telespectadora única e de primeira fila.
Acabei por abrir os olhos e, já acordada, pensei na forma inusitada de despertar.Um despertar silencioso bem diferente do que acontece na correria do dia a dia onde se obedece ao toque de um despertador; a um chamamento; ao choro de uma criança ou ao som estridente do rádio da casa do vizinho...E tome correria, chuveirada rápida, goles de café sorvidos em pé na cozinha e saídas apressadas, onde a maioria acaba de se arrumar pelo caminho: são homens que abotoam suas camisas; mulheres que retocam batom no retrovisor do carro e crianças mastigando o lanche matinal ao mesmo tempo que amarram os cadarços dos tênis escolares.
Mas, há os não tão ( ou até) madrugadores como eu, que acordam naturalmente na hora desejada.Calmos e revigorados sentam-se à mesa, saboreiam a primeira refeição do dia, ouvem, assistem ou lêem o noticiário já saindo de casa bem informados.
De tudo, o que é imprescindível é acordar apaziguado e agradecido por mais um dia.
De minha parte, faço este exercício diário e quando em vez me pego lembrando daquele despertar inesquecível: o sol,o vento e a folhagem fazendo travessuras em minha janela.

Pro dia nascer feliz


"Se choras porque não consegues ver o sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas."

Tagore

São Sebastião ainda olha por nós e algumas considerações- Lúcio de Castro

São Sebastião coberto de flechas não chega a ser uma imagem nova. Nascemos assim, em meio ao caos de uma guerra entre franceses e tupinambás de um lado e do outro, portugueses em aliança com os temiminós. É a mui leal e heróica cidade do Rio de Janeiro, linda, encantadora, maltratada, “purgatório da beleza e do caos”. Foi no meio desse caos que uma das mais fantásticas civilizações se estabeleceu.

A civilização da vida que se dá e se reiventa na rua, estabelecida a revelia de quem negava vida e cidadania ao povo. A porta se fechava, o direito a vida em plenitude se negava? Tome vida, vida em plenitude de troco. Soavam os tambores do samba, da capoeira, por Iemanjá, reinventava-se a vida. Na fresta, definição brilhantemente cunhada pelo historiador Luiz Antônio Simas, contra tudo e todos, floresceu a civilização que deu ao mundo Pixinguinha, Lima Barreto, Zico, Cartola, Machado, Mané, Noel, Zeca, Leônidas, Di Cavalcanti, Romário, Vinícius, o samba, e tantos outros gênios da raça.

Estivemos sitiados outras vezes. Em 1560, em 1567...Batalhas intermináveis forjaram um pouco dessa história, testemunhadas nas ladeiras da Pedra do Sal e nas águas da baía. De todas essas guerras, ergueu-se uma cidade mais forte, sempre. É preciso analisar todos os aspectos dos acontecimentos de agora. Ponto por ponto, serenamente, e iremos a alguns aqui. Mas sempre com o lembrete de que não se cometa o erro do veredito definitivo e contra a “mui leal e heróica”. Por aqui os dados rolam sempre, e a força de uma civilização construída em bases tão fortes, com história tão monumental não se rompe assim de um dia para o outro. Bateram o martelo tantas vezes contra o Rio e sua gente. Apressados.

“Enterre-se o futebol carioca” (quanta bobagem se falou nesses anos? Quantos programas de tv feitos para analisar o fim do futebol por aqui...quanta pressa, quanta análise superficial...Como se os dramas do futebol carioca não fossem os mesmos de todo o Brasil...) “Enterre-se a cidade”. Enterre-se a economia”. “Enterre-se esse povinho”. E lá vinha São Sebastião do Rio de Janeiro, reinventada, melhor. É preciso refletir, pensar, reconhecer os dramas. Mas sem vereditos definitivos. A história dessa gente não permite.

Dito tudo isso, ou como diria a voz do boteco, feita a ressalva do “muita calma nessa hora”, vale pensar algumas coisas sobre os acontecimentos dessa quinta, 25 de novembro. Sem a pretensão de dono da verdade, sem conhecimento ou pretensão científica, apenas o livre pensar de um coração vagabundo que ama esse lugar. Alguns pontos desse modesto livre pensar:

- A primeira óbvia constatação é a de que nenhum cidadão cumpridor, pagador dos seus impostos e que não vive ao arrepio da lei é contra a retomada de territórios pelo estado da mão de bandidos. Ponto. O apoio para isso é incondicional. Daí a considerar que as UPPs, da forma como concebidas e executadas, e da forma como estão hoje são o caminho para isso, vai uma enorme distância.

- Por razões simples e matemáticas. Uma questão de escala. Escala é a palavra chave para entendermos tal questão e saber se as UPPs, da forma como são hoje, são o melhor caminho para isso. É simples: São cerca de 1.020 favelas no Rio de Janeiro. Hoje as UPPs estão em 14 delas. Faltam apenas 1.006. Mais números: quase quatro mil policiais estão hoje no contingente das UPPs. Mais ou menos 10% do efetivo total. Se 1% das favelas tem UPP, a conclusão é óbvia: falta escala para que o trabalho se amplie, ainda que pelas projeções, até a Copa de 2014, cerca de 40 favelas estejam na mira das pacificações. Ainda assim, ficariam faltando apenas 980 favelas.

- Portanto, que UPPs são positivas (desde que acompanhadas de políticas sociais) é ponto pacífico. Apresentá-las como solução geral e confundir tais unidades com política de segurança como quiseram as autoridades é que foi o grande equívoco, embarcado por tantos. Por uma razão matemática...

- A segunda conclusão é óbvia também e parece, na verdade, ser do gosto do governo estadual do Rio: se apenas algumas favelas sofrem intervenção, e até o modus operandi de ocupação propicia isso, é claro que bandidos saíram de algumas para migrar a outras. E tudo continuará assim: uma área da cidade escolhida para tal faxina e o resto pegando fogo. Algo para inglês ver. No caso, pensando em Copa 2014 e Olimpíadas, inglês, alemão, americano...

- A experiência de varrer a pobreza, o crime e o que esses governantes consideram sujar a cidade para baixo do tapete não é nova. Se alguém não conhece a história, basta ver “Cidade de Deus”. Gente varrida pra longe de seus lugares para não incomodar a zona sul e as pessoas de maior poder aquisitivo. Tal estratégia peca sempre por um detalhe: assim como os adversários esqueciam de combinar planos de marcação com Garrincha, falta sempre combinar com quem é varrido pra baixo do tapete que ele deve ficar ali. Já comentei até nesse blog isso: um dia sempre saem debaixo do tapete levando revolta e sede de revanche.

- A questão da escala numa “guerra” não tem nada a ver com ideologia ou escolha de lado. É matemática pura. Exonerado por Obama recentemente entre outras coisas por falar demais, o general Stanley McCrystal, comandante tido como brilhante no Afeganistão, cansou de avisar que os Estados Unidos estavam se metendo em um novo pântano, um novo Vietnã. Falta escala para derrotarem o inimigo. Depois de nove anos de guerra e milhares de baixas, o general concluiu que os 65 mil soldados americanos atuais eram pouco. Uma escala insuficiente para derrotar o inimigo. Pelas suas contas, faltam mais 40 mil soldados para tirar o país do atoleiro. Na dúvida, Obama tirou o general. O atoleiro prossegue. No Rio falta escala para as UPPs. (falta política de segurança, falta política educacional...Como no resto do Brasil). O atoleiro prossegue.

- Apesar da escala insuficiente para ter êxito, as UPPs, localizadas preferencialmente nas zonas mais abastadas e no coração da classe média, ganharam corações, mentes e uma eleição. Ainda que desde sempre também não fosse completada por um programa social de reintegração na sociedade de quem pode ainda ser reintegrado, deixando mesmo apenas a opção de ir para baixo de algum tapete no subúrbio ou na baixada fluminense. Aqui vale mais uma informação, publicada em matéria da Revista Piauí: as UPPs foram um dos maiores casos de marketing dos últimos anos. Segundo a Revista, os “serviços de comunicação e divulgação” da secretaria de segurança do Rio saltaram de 66,9 milhões para 91,7 milhões de reais. O secretário José Beltrame promoveu 138 almoços com “formadores de opinião” desde a posse, e deu 223 entrevistas, sendo que 39 para a imprensa estrangeira, tendo as UPPs como vedetes na pauta.

- Dessa forma, tudo andava bem. As coisas seguiriam nesse grande acordão, como tantas vezes se fez em nossa política. Viriam 2014, 2016, e a política de segurança seria um sucesso, elevando até o status de governadores a candidaturas maiores. - O conflito, indesejado por quem preferia e queria o velho acordão de varrer pra baixo do tapete acabou sendo inevitável e explodiu.

- Luiz Eduardo Soares, sociólogo, um dos maiores pensadores de segurança pública do país e autor de “Elite da Tropa” tocou em outro ponto definitivo recentemente. Muito antes das UPPs, teria que vir uma mudança geral na polícia do Rio. Sem a qual não faz sentido pensar em qualquer outra ação. O questionamento é de Luiz Eduardo Soares: “Como dar escala às UPPs sem mudar as polícias, fontes do pior mal, da pior ameaça à segurança, que são as milícias (que já suplantaram o tráfico em relevância, força, lucros, poder político e presença física no estado)? De que adianta combater um ou outro tipo de crime, como o tráfico de drogas, se a realidade é que as polícias fluminenses se converteram em incubadoras do crime organizado e sob a mais grave das formas”?

- Bravatas à parte das autoridades falando em sucesso absoluto na ação, a necessidade de maior uso da inteligência da polícia ficou latente na tarde dessa quinta.

- Certo também é que a notícia recebe tratamento ao gosto do freguês quando existe aliança política, aqui escancarada. Quem se lembra do tratamento ao estado do Rio e a segurança nos anos do governo Brizola e vê agora a notícia ao vivo, nas ondas do Globocop deve achar que está em outro estado. Na dúvida, apesar da evidente imagem de 200 bandidos saindo em fila indiana e ilesos de uma ação, o Jornal Nacional fez questão de expressar seu conceito sobre a ação. Existia um “comentarista de violência” na bancada, mas não veio dele a expressão “bem sucedida ação”, repetida por três (3) vezes pela dupla de apresentadores, com pausas. Para que ficasse bem clara e ganhasse corações e mentes, veio editorializada, na boca dos apresentadores: “a bem sucedida ação...”. Fora os editoriais, o trabalho dos profissionais na rua, como de hábito, é digno de elogios.

- O mais curioso veio depois, na Globo News: todos os comentaristas do caso eram cuidadosamente escolhidos para servir o sabor ao gosto do chefe. Quando de repente entra Guaracy Mingardi, cientista social da USP. “Se um gato é cercado, ele acaba arranhando. E se ele consegue fugir, deu errado o cerco e ele poderá oferecer mais perigo”. O desconforto do apresentador foi tão grande que a pressa em mudar de tom fez com que atropelasse o sujeito! Espetacular...!

- O fato é que teremos dias pela frente onde a velha política de segurança de esquadrão da morte irá pesar sobre pobres e muitas vezes inocentes, como já começa. Se não teve a competência para a ação no momento apropriado e devido, sem riscos de inocentes, na calada da noite isso vai se seguir nas favelas da vida. Mas de qualquer forma, São Sebastião parece que mais uma vez olha por nós. Porque a pasmaceira e a política eleitoreira de jogar pra baixo do tapete parece com os dias contados. Ficou exposta. Algo terá que ser mudado. Ao certo, sei apenas que o Rio seguirá. Como sempre seguiu. Nas ruas, na festa, na fresta, no botequim, na favela, na praia, na pelada, no futebol, na sua gente e na civilização de Cartola, Candeia, Pixinga e Noel. Que São Sebastião nos abençoe. Amém.

Ps- escrevo apenas como um sujeito que ama sua cidade, seu país, sua gente. Um curioso que se sente na obrigação cidadã de falar nessa hora. Esse texto estava pronto quando o já citado aqui Luiz Eduardo Soares escreveu sobre o assunto. Mostrando o absurdo de uma política de conflito sem qualquer inteligência, carecendo de uma limpeza profunda. Seu texto culmina com o trecho abaixo, algo que tanto tinha me chamado a atenção. Feliz com a boa companhia, reproduzo o trecho.

“O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro. Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas.
Ou se começa a falar sério e levar a sério a tragédia da insegurança pública no Brasil, ou será pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro à farsa.” Luiz Eduardo Soares.

Eu de novo: para nós, militantes da área de esporte, cabe um outro trecho. Me sinto em ótima companhia aqui novamente. Sempre achei e disse que esse tipo de acontecimento nada tem a ver com o Copa e Olimpíadas. Não podemos cometer esse erro ingênuo. Os problemas desses eventos são outro$$$. Fala de novo, Luiz Eduardo:

"Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?
Sem dúvida. Somos ótimos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o “espírito cooperativo”, ações racionais e planejadas impõem-se. Nosso calcanhar de Aquiles é a rotina. Copa e Olimpíadas serão um sucesso. O problema é o dia a dia".
Lúcio de Castro é jornalista da equipe da ESPN Brasil.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fim do "Casseta e Planeta"


Tem gente que vai gostar....Outras sentirão falta. Eu, para dizer a verdade, já gostei mais deles. E hoje, resolveram parar. Notícia do blog da jornalista Patricia Kogut, de "O Globo":
"No ar na Globo desde 1992, o “Casseta & Planeta, urgente!” sairá da grade da emissora em dezembro, ao fim desta temporada. Os humoristas pediram à direção da Globo para pensar um novo projeto, a princípio para 2011. É o fim do programa, mas o grupo continua. Seus integrantes são amigos desde a adolescência e querem continuar trabalhando juntos.
A decisão foi comunicada agora à tarde à equipe técnica da atração.
O grupo apresentará um novo projeto coletivo. Mas, enquanto isso, nada impede que os humoristas apareçam individualmente na grade da Globo (como aconteceu na série de Marcelo Madureira para o “Fantástico”)."



No site do grupo tem um recado para os fãs:

AS ORGANIZAÇÕES TABAJARA INFORMAM:
"O programa Casseta & Planeta, Urgente! entrará em férias coletivas a partir de 22 dezembro de 2010. O grupo Casseta & Planeta permanece unido e coeso em torno dos mesmos ideais e retornará às suas atividades normais em 2011, totalmente rejuvenescido, botocado e siliconado.
Agradecemos a todos os nossos fornecedores, colaboradores, clientes, telespectadores e credores. Um beijo no caveirão !
CASSETA & PLANETA"
"

Seria cômico, se não fosse trágico!

Apelo em carro na Av. Brasil, no Rio (Foto: Noé A. S. J./VC no G1)

Haiô Silver...a "Cavalaria" chegou

O Exército Brasileiro entrou na guerra contra os traficantes do Rio de Janeiro. Os militares foram aplaudidos esta tarde na Penha, na Zona Norte do Rio. Cinco caminhões e um blindado já chegaram à Vila Cruzeiro. Em seguida, vão "passar o rodo" no complexo do Alemão.

Exército chega à Penha (Foto: Thamine Leta / G1)


Lembrando Grande Otelo...



...que na data de hoje em 1993, morreu de enfarto ao desembarcar na França, onde receberia uma homenagem no Festival de Nantes.

Hoje no Teatro do Sesi


Teatro SESI/Campos
Data: 26 de Novembro (Sexta-feira)
Hora: 20h

Terror chegou à planície?

Dois veículos que estavam em uma oficina mecânica na Rua do Leão, em Campos, pegaram fogo na madrugada de hoje (sexta-feira, dia 26 de novembro). Os dois carros, que têm a mesma marca (Fox) sofreram danos diferentes. Um ficou totalmente destruído. O segundo carro foi queimado em algumas partes.
A polícia investiga o caso e a possível ligação com a série de ataques feitos por bandidos no Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé desde o último domingo. Nestas cidades, especialmente no Rio de Janeiro, dezenas de veículos, inclusive ônibus e caminhões, foram incendiados.
O site NF10 do jornalista Álvaro Marcos, noticiou o fato aqui.

Programação do 16º Búzios Cine Festival


- 26/11 - no Gran Cine Bardot
19h: O Concerto
21h: Aparecida: O Milagre
23h: Turnê
- 26/11 - Praça Santos Dumont
20h: Garfield: Um Super-herói Animal
21h30: O Pequeno Nicolau

- 27/11 - Gran Cine Bardot
19h: O Homem do Lado
21h: Somewhere: Um Lugar Qualquer
23h: Além da Vida

- 27/11 - Praça Santos Dumont
20h: Como Cães e Gatos 2
21h30: Alice no País das Maravilhas
23h30: Muita Calma nessa Hora

- 27/11 (Praça da Rasa)
- 20h: Garfield: Um Super-herói Animal
21h30: O Pequeno Nicolau

- 28/11 (Gran Cine Bardot)
- 19h: O Olhar Invisível
21h: Micmacs: Um Plano Complicado

- 28/11 - (Praça Santos Dumont)
20h: Como Treinar seu Dragão
21h30: A Lenda dos Guardiões

- 28/11 - (Praça da Rasa)
20h: Como Cães e Gatos 2

Informações: www.buzios.rj.gov.br

E no fim de semana em Campos vai rolar...

Evento: Campeonato Campista de Remo
Data: 28 de novembro, às 9h
Local: Cais da Lapa
Informações: www.ururau.com.br

Evento: Noite Classic Rock
Data: 27 de novembro, a partir das 23h30
Local: Av. Pelinca 382
Ingressos: R$ 15
Informações: (22) 2722-7677

Evento: Concurso Garoto e Garota da Fundação Municipal da Infância e Juventude
Data: 29 de novembro, às 13h
Local: Teatro Municipal Trianon

Exposição: A Vida e Arte na Periferia
Data: até 31 de dezembro, de terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 18h
Local: SESC Campos
Informações: www.sescrio.org.br

Evento: Botequim do Samba
Data: até 28 de novembro, somente aos domingos, às 12h
Local: SESC Campos
Informações: www.sescrio.org.br

Espetáculo: Kabul (Adulto)
Data: 25 de novembro, 19h30
Local: Teatro Municipal Trianon
Informações: www.sec.rj.gov.br

Espetáculo: O Planeta Lilás
Data: 27 de novembro, às 17h
Local: SESI Campos
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia)
Informações: www.firjan.org.br

Espetáculo: Tudo Que Eu Queria Te Dizer
Data: 1º de dezembro, às 20h
Local: Teatro SESC Campos
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 12 (inteira) / R$ 6 (meia) / R$ 3 (comerciários)
Informações: www.nf10.com.br

Espetáculo: As Traças da Paixão
Data: 26 de novembro, 20h
Local: Teatro SESI
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 15 (inteira) / R$ 7,50 (meia)
Informações: www.firjan.org.br

#paznorio

Me chamou atenção o número de "trends" relacionados à explosão de violência no Rio no Twitter.

Para quem não sabe, os trends são os temas mais comentados pelos tuiteiros em todo o mundo.

Entre os 10 principais trends:

#BOPE em 3º lugar
#rio em 4º
#paznorio em 5º
Vila Cruzeiro em 7º

Rá tá tá tá tá

Frase atribuída ao Capitão do Bope no Twitter:

"A tarefa de perdoar os traficantes cabe a Deus, a nós, somente promover o encontro com Ele."

Doação de Medula Óssea em Macaé‏

A Campanha para doação de medula óssea está confirmada em Macaé.
Dias 3 e 4 de dezembro na Associação Médica de Macaé, na rua da Igualdade, no bairro de Imbetiba. A Secretaria de Saúde de Macaé e a Hemorio estão promovendo esse evento.
Poderão doar pessoas com mínimo de 18 anos e máximo de 55 anos em boas condições de saúde.
Mais esclarecimentos favor mandar email para romacae51@hotmail.com ou no telefone 22 98 08 98 99.

A Natureza pede socorro


Foto:Walnize Carvalho

Dia do Rio será comemorado com limpeza no sábado

Por Regina de Oliveira(www.campos.rj.gov.br)

"Para marcar o Dia do Rio, comemorado na quarta-feira (24), a secretaria municipal de Meio Ambiente promove no próximo sábado (27) uma manhã com várias ações de limpeza e despoluição do Rio Paraíba do Sul, em Campos.

Com o tema “Quem ama, preserva – Jogue limpo com o Rio”, representantes de instituições públicas, privadas, associativas e empresas privadas atuarão no trecho entre a Ponte General Dutra e o Cais da Lapa, das 8h às 12h, distribuindo folderes e retirando lixo em ambas as margens do rio. Para isso, serão utilizados cinco lanchas, dez barcos, duas canoas havaianas, caiaques, retroescavadeira e vários veículos terrestres.

- Vamos contar com a participação de estudantes, canoístas, pescadores, mergulhadores e colaboradores de empresas privadas para essa iniciativa, que visa conscientizar a população da importância do rio e alertá-los para os riscos se não cuidarmos desse bem natural e importante para nossa sobrevivência - explicou o secretário municipal de Meio Ambiente, Humberto Nobre.

A ação, coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Campos e pela a concessionária Águas do Paraíba, contará com a participação de representantes da Associação de Remo de Campos, Associação de Pescadores Esportivos, Associação dos Pescadores do rio Paraíba do Sul, Associação de Moradores do Bairro da Lapa, Batalhão de Polícia Florestal, Guarda Municipal de Campos, Instituto Ambiental do Rio de Janeiro (INEA), Secretaria Municipal de Limpeza Pública, Universidades Estácio de Sá e Salgado de Oliveira (Universo) e as empresas Ampla, Purac Síntese e Vital Engenharia, além de outros participantes."

Hoje é dia de teatro no Sesc Campos

Pro dia nascer feliz


"A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota."

Jean-Paul Sartre

Ajuda para crianças alérgicas alimentares‏

Recebi este e-mail da amiga Aucilene Freitas e faço questão de divulgar aqui. Tenho quase certeza que conheço a Flávia, que se for quem estou pensando, era uma das melhores amigas de Léo, meu irmão. Não sabia destas informações. Importante repassá-las para que um número cada vez maior de pessoas tenham acesso.:

"Caros colegas, sou jornalista, em Campos, interior do Estado do Rio e preciso muito que vocês me ajudem a tornar de conhecimento público o problema cada vez mais frequente que atinge crianças em todos os cantos do Brasil: a alergia alimentar, severa e múltipla. Crianças morrem pelo Brasil a fora sem tratamento adequado, sem o leite especial e com muitas outras dificuldades de atendimento no sistema de saúde nacional. É um problema impressionante, mas ainda muito pouco conhecido pela população em geral. Crianças que podem morrer porque comeram um simples e inofensivo chuchu, um tomate, uma banana.

Nem os médicos sabem como agir com crianças assim. São poucos os especialistas que conseguem entender os sintomas da alergia alimentar, que pode até matar as crianças. A maioria dos pediátras não consegue pensar que os sintomas são alergia e aí as crianças e os pais, em geral enfrentam um calvário até que tenham um diagnóstico e o tratamento adequado.

As alergias crescem a cada dia. Eu tenho dois filhos alérgicos múltiplos que assim como milhares de crianças tomam Neocate, um hidrolizado especial de aminoácidos livres, que custa caríssimo, R$ 600,00 a lata, isso no Brasil, porque nos EUA a mesma lata é vendida em qualquer farmácia por U$ 25,00. Os prefeituras do país inteiro e os governos estaduais tem programa para fornecerem esse leite e outros especiais para as crianças que precisam, mas o problema é que em quase todas as cidades brasileiras os pais não estão conseguindo o leite, ou quando conseguem não é liberada a quantidade adequada.

Por sorte a empresa que distribuiu o Neocate está fazendo uma promoção e quem pode está conseguindo comprar duas latas por 350 reais. Mesmo assim é muito dinheiro. Tem relato de mãe que deu dipirona pro filho com fome dormir. Porque existem crianças que só podem tomar Neocate, que correm risco real de morte se ingerirem outros alimentos. É desesperador. Tem gente que mesmo com processo ganho na Justiça continua sem receber o bendito leite, que salva a vida da criança e quase mata os pais.

Gostaría muito que vocês nos ajudassem a divulgar que este problema existe e que na maior parte do país o governo não está fornecendo o leite como deveria. Faço parte de um grupo de discussão de mães e pais que pode dar entrevistas pelo país afora. Também temos contatos de especialistas que são considerados os melhores do país, que podemos dar caso vocês queiram fazer entrevistas. Nos ajudem a tornar o problema mais conhecido e com isso aumentar o acesso aos tratamentos e ao leite, além de sensibilizar juizes, promotores e defensores públicos para a urgência desses processos que se acumulam nos juizados brasileiros.

Em nome de mães e pais desses pequenos agradeço a ajuda de vocês que enviarem a todos os jornalistas conhecidos.

Muito obrigada, Flávia Ribeiro Nunes Pizelli, mãe de Joaquim e Pedro Nunes Pizelli, alérgicos alimentares, múltiplos e severos. Pedro tem três anos e cinco meses e Joaquim um ano e cinco meses ."

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Se as coisas ficarem calmas, vai rolar em Macaé no fim de semana...

Evento: Campeonato Estadual de Futsal (Semifinal)
Data: 30 de novembro, às 19h
Local: Ginásio Poliesportivo Maurício Soares Bittencourt
Informações: www.macae.rj.gov.br

Evento: Campeonato Estadual de Basquete Masculino (Semifinal)
Data: 29 de novembro, às 19h
Local: Ginásio Juquinha
Informações: www.ururau.com.br

Evento: 10° Macaé em Duas Rodas
Data: de 26 a 28 de novembro
Local: Praia dos Cavaleiros
Informações: www.motoclubemacae.com.br

Evento: 1º Workshop em comemoração ao Dia do Pedagogo
Data: 26 de novembro, das 13h às 18h
Local: Rua Aluísio da Silva Gomes 50, Granja dos Cavaleiros
Informações: www.macae.rj.gov.br

Evento: IV Salecom
Data: até 25 de novembro, de 18h30 às 22h00
Local: Rua Monte Elíseo s/nº, Visconde de Araújo
Entrada franca

Evento: Feirinha da Praça Carlos Alberto de Souza
Data: todas as terças, às 18h
Local: Praça Carlos Alberto de Souza, Visconde de Araújo (em frente à Igreja Santo Antônio)
Informações: www.macae.rj.gov.br

Evento: Feirinha da Praça Veríssimo de Mello
Data: todas as quintas, a partir das 16h
Local: Praça Veríssimo de Mello, Centro (em frente ao Hospital São João Batista)
Informações: www.macae.rj.gov.br

Exposição: Memórias de César Mello
Data: de segunda à sexta, das 10h às 18h
Local: Solar dos Mellos
Informações: www.macae.rj.gov.br

Exposição: Exposição anual de brinquedos antigos (peças do século XIX e XX)
Data: aos sábados às 16h, com exibição de desenhos animados antigos e filmes de longa metragem
Local: Solar dos Mellos
Entrada franca
Informações: www.macaetem.com.br

Exposição: Macaé Antigo de Ignácio Zamudio Ordoñez
Data: até 30 de novembro, das 11h às 16h (terças, quartas e quintas)
Local: SESI Macaé
Informações: www.firjan.org.br

Evento: Jassambô (Samba e Bossa)
Data: 26 de novembro, às 21h30
Local: Av. Atlântica 2690
Informações: www.macaetem.com

Evento: The Flashback
Data: 27 de novembro, às 21h30
Local: Av. Atlântica 2690
Informações: www.macaetem.com

Socorro!


Novo logotipo das Olimpíadas no Rio

Twitteiros deixam seu recado sobre situação no Rio

"Além dos blindados é bom o Governo providenciar um tapete maior pra caber a sujeira q vai ter q ser escondida pra ter Copa e Olimpíadas."
Bruno Mazzeo- humorista

"Todas as redes de Televisão se transformaram, nessa tarde, num grande programa do insuportável Datena."
Fernando Leite- Jornalista fidelense

"Curioso: nenhum "blogueiro progressista" perguntou ao Lula sobre violência no Rio. Ah, eles não lêem a mídia nacional nem a mundial."
Marcelo Tás- Jornalista,ator e apresentador do CQC.

"Poucas vezes vi imagens tao impressionantes, as pessoas nas janelas das casas acenando com lençóis brancos...onde fomos parar, gente? "
Paula Toller- Cantora

"8 carros da polícia acabam de passar do lado do táxi q estou. Fuzil, gritaria na rua. Tô passando em Copa no Pavão- Pavãozinho."
Patricia Lopes- Jornalista da ESPN Brasil.

"Firme na luta pela paz no Rio. Esse projeto de segurança pública de longo prazo vai continuar! "
Sérgio Cabral- Governador do Estado do Rio de Janeiro

"Moro no Rio, do lado da Rocinha, ando muito a pé, não tenho carro blindado nem camera de segurança e nunca fui assaltado. Só pra constar. "
Gregório Duvivier- Humorista

"Só vou dizer uma parada: na época do Adriano no #Flamengo, essas coisas não aconteciam na Vila Cruzeiro. Pensem nisso. "
Kibeloco- Site de humor.

"Pedir calma é o papel do Cabral, mas não basta! Como as mães podem ficar calmas com seus filhos nas ruas? Também temos um pedido: SEGURANÇA "
Thalita Rebouças- escritora e jornalista

Cabo Frio e Macaé sob extrema tensão

Em Cabo Frio, o comércio foi fechado no Centro e em outros locais por conta de boatos de um arrastão. A situação foi contornada pela PM, que aumentou seu efetivo na cidade, que teve 4 carros queimados entre ontem e hoje.
Muitos sabem que a situação de insegurança em Macaé vem crescendo muito há algum tempo. O tráfico é cada vez mais forte. Ontem houve tiroteio e ônibus queimados em Lagomar nesta madrugada. As comunidades Malvinas e Nova Holanda, onde a maioria do tráfico atua, estão sem transporte coletivo. Hoje, circula um boato que setores do tráfico vão agir nesta noite. Eu mesmo, que sairia para caminhar, desisti. Todos os ônibus da cidade farão sua última viagem às 21 horas, seguindo orientação da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que reforçou o policiamento na cidade.
E em Campos???
Alguém pode me dizer como estão as coisas?

O bicho vai pegar!!! Caveira neles!!!!

Sem legenda


Marcos Borges

Manhã literária


Ontem tive o prazer de participar do primeiro Café Literário do Ciep"Wilson Batista".Por lá, a Poesia aqueceu os corações quanto o cafèzinho e quitutes servidos.
A programação ricamente preparada pela Direção, Coordenação Pedagógica e Professores de Lingua Portuguesa iniciou com o canto do Hino Nacional e, em seguida o da Escola.De quebra,recital de poesias de autores nacionais e de escritores e poetas locais, feito de forma entusiasmada pelos alunos...
Confesso que ir a esses encontros (em que sou chamada a participar)me proporcionam muita alegria.E a prova inconteste que "A poesia quer falar" e precisa ser ouvida em dias e horas tão angustiantes no mundo em que vivemos!

O terror ao vivo no Rio

O canal Globo News dá destaque na programação ao caos urbano na Cidade Maravilhosa. Clique abaixo e assista a um trecho da programação onde um caminhão de entregas de móveis e eletrodomésticos foi incendiado por bandidos na entrada da Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio de Janeiro. A fiação elétrica da rua também pegou fogo e entrou em curto-circuito.

Andamentos


Luiz Fernando Verissimo 

Há semanas li num jornal francês que no dia anterior havia sido paga a última parcela da reparação devida pela Alemanha aos países aliados que a derrotaram na Primeira Guerra Mundial.
A notícia estava no rodapé de uma página interna do jornal, mas o cabeçalho reconhecendo sua importância, ou estranheza, merecia uma primeira página. Finalmente acabara a Guerra de 14!
Mais de 90 anos depois da assinatura do Tratado de Versalhes que condenara a Alemanha a pagar 33 milhões de dólares de indenização pelos estragos que causara na guerra, estava saldada uma dívida que eu nem sabia que ainda existia, e aposto que você também não. O pagamento do principal terminara em 1983, faltava pagar os juros acumulados.
Foi o que aconteceu no mês passado.
Nesse meio tempo a Alemanha voltou a tumultuar o mundo sob o comando de Hitler, cuja ascensão (ironia) se deveu em grande parte à reação alemã às sanções impostas pelo Tratado, e causou estragos ainda maiores. Matou milhões, mas ninguém pode negar que nunca deixou de ser uma boa pagadora.
A notícia da liquidação da dívida tantos anos depois induz a uma reflexão sobre os diversos andamentos, no sentido musical do termo, da História.
Há períodos em que a História anda num allegro assai — o ritmo maluco da revolução da informática, por exemplo — e outros em que vem num andante larghissimo. Me lembrei da frase atribuída ao Mao quando lhe perguntaram quais tinham sido as consequências da Revolução Francesa: "Ainda é cedo para dizer".
Certo. Ainda é cedo para saber quando poderemos deduzir de algum rodapé que o século dezoito definitivamente chegou ao fim, como a Primeira Guerra Mundial com o pagamento da dívida alemã.
De certa maneira o que se discutia então é o que se discute hoje. Aquela história ainda não acabou.
No Brasil temos nossa própria história inacabada, a dos 20 anos de regime militar.
A liberação dos autos do processo do governo militar contra a Dilma conseguida pela "Folha de São Paulo" pode apressar a sua resolução, se o resto da nossa grande imprensa for diligente como a "Folha" e cobrar toda a verdade daquele período negro.
Assim como a nação tem o direito de saber a biografia da sua presidente eleita, tem o direito de saber como era o estado que a torturou e manteve presa, e torturou e matou outros.
Até hoje tem gente esperando para saber a simples localização de corpos para poder enterrá-los condignamente, e a informação lhes é sonegada.
Neste caso a lentidão da história também é uma forma de tortura.

Como assim?

O tal diretor do BBB, Boninho, mandou via twiter o recado: "Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser", escreveu  no microblog. E completou: "esse ano... liberado! vai valer tudo, até porrada".
E não parou por aí. Ele também declarou que agora o programa não servirá aos participantes apenas bebidas "ice". "Vai ser power... chega de bebida de criança", sentenciou.

Acho uma tremenda bola fora e com a onda de violência espalhada por todos os cantos, o programa que já não contribuía positivamente em nada para a sociedade, agora será um incentivo a violência? Uma lástima.
Em tempo: a Globo conseguiu baixar a classificação indicativa do próximo "Big Brother Brasil" de 14 para 12 anos.

God save the Rio

Acabo de ouvir pela rádio CBN, que há indícios de que a bandidagem fará um grande ataque a sociedade no próximo fim de semana. A PM já conta com reforço da Polícia Rodoviária Federal e da Marinha. A Força de Segurança Nacional também pode ser acionada a qualquer momento.  

E nesta quinta ...

É bom lembrar que...


...hoje é dia Nacional da doação de Sangue.

Doar sangue é um ato de amor que salva muitas vidas!

Pro dia nascer feliz



"O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá."

Madre Teresa de Calcutá

Pequena reflexão..

Um ocidental em visita à China ficou surpreso de ver a quantidade de velhos saudáveis, e, curioso sobre os aspectos da milenar medicina chinesa, indagou de um experiente médico qual o segredo para se viver mais e melhor.

Ouviu do mesmo a sábia resposta:

"- É muito simples. É só: Comer a metade. Andar o dobro. E rir o triplo."

Parece simples, mas em verdade é o inverso do que se assiste na vida agitada e “insana” dos ocidentais...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Derrota do Palmeiras pode complicar a vida do Flu

A surpreendente derrota para o Goiás em pleno Pacaembu por 2 a 1, pela semifinal da Copa Sul Americana em jogo recém encerrado, pode mudar os planos de Luis Felipe Scolari, técnico do Palmeiras, próximo adversário do Fluminense na luta pelo Campeonato Brasileiro.
O Palmeiras está desclassificado da competição e nada impede que Felipão escale os titulares no domingo.
Mas cá pra nós: pelo jeito o time reserva do Verdão é até melhor que o titular...

Cristo Redentor "abraça" o Rio



O momento atual é mais do que propício.O Rio sofre com instantes de tensão, medo e abandono.
O vídeo acima é uma ilusão de ótica de movimento no Cristo Redentor foi feito por meio de projetores de alta potência, sincronizados com 3D do ambiente e da estátua. A intervenção visual no monumento é uma iniciativa de mobilização nacional pela campanha “Carinho de verdade, um gesto contra a violência sexual das crianças e adolescentes” para chamar a atenção da sociedade para o problema da exploração sexual comercial de meninos e meninas.
Para simular o abraço, o cineasta Fernando Salis usou oito projetores, que cobriram a estátua com imagens do Rio, como sobrevoos de asa-delta, as florestas e até mesmo o trânsito. Ao som de Bachianas Brasileiras n.º 7, de Villa Lobos, e com animação em 3D, a estátua parece fechar os braços.
Aconteceu na noite de 19 de outubro deste ano. Acho que nem o mais pessimista carioca pudesse imaginar que pouco mais de um mês depois a realidade da cidade maravilhosa fosse a atual.

Carros incendiados também em Cabo Frio

Hoje foi a vez de Cabo Frio sofrer com os ataques da bandidagem, que parecia restrito ao Rio e região metropolitana.
Durante o dia, 3 carros foram incendiados em situações bem semelhantes aos atentados que vem acontecendo na cidade maravilhosa.
Segundo testemunhas, dois homens em uma motocicleta jogaram garrafas de querosone nos veículos que estavam no bairro Algodoal e depois fugiram num Pálio branco e um Celta preto.
Já o terceiro carro incendiado estava no Portinho, um dos bairros de melhor poder aquisitivo da cidade praiana.
A polícia investiga o caso. Até agora, um homem foi preso com suspeita de participação no incêndio e encaminhado para a delegacia da cidade.

Quebra tudo motociclista!!!!!!!!!

Os amantes por motos tem encontro marcado neste fim de semana. Acontece em Macaé, a partir das 7 da noite da próxima sexta, o X Macaé em Duas Rodas, organizado pelo Moto Clube Macaé.
O encontro de motociclistas terá apresentações de diversas bandas musicais e termina no domingo (28).
Além das atrações musicais, o evento terá a participação da Trupe Trovão, da Academia Brasileira de Luta Livre, que se apresenta no sábado, às 20h.
E durante todos os dias da programação, serão feitas inúmeras apresentações de manobras radicais, com a Equipe de Weeling Rotação Radical.
Na parte musical, um nome deve atrair muita gente: Celso Blues Boy se apresenta na noite de sábado no local.
O evento conta ainda com dez barraquinhas de alimentos, bebidas, bijuterias e lembranças. E ainda traz a chance de ajudar os mais necessitados, uma característica marcante de vários motos clubes do país: O Moto Clube de Macaé estará arrecadando fundos para entidades carentes com a venda de camisas e com doações de cestas básicas para serem repassadas a estas entidades.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

Dia 26 - sexta-feira
Palco Principal
19h00 - Made in Rock
21h30 - Banda Na Contra Mão
22h00 - Abertura
23h00 - Elvis cover
00h30 - Banda Faixa Etária

PALCO 2
19h00 - Banda Route 69
21h30 - Banda The Riders
21h30 - Sérgio Rocha
23h00 - Banda Cilindrada

Dia 27 - sábado
Palco Principal
19h30 - Banda Senhor X
21h00 - Sérgio Rocha
23h00 - Celso Blues Boy
01h00 - The Black Dog (Led Zeppelin cover)

PALCO 2
14h00 - Renato Rio Blues
17h00 e 19h30 - Bandas Locais
22h00 - Banda Santuarium
01h00 - Banda Mizzi Trio

A partir das 20h00 tem a Trupe Trovão, da Academia Brasileira de Luta Livre.

Dia 28 - domingo
Palco Principal
14h00 - Bandas Locais
17h00 - The Black Dog (Led Zeppelin cover)

PALCO 2
14h00 - Bandas Locais

Celsinho marcará presença, óbvio!!!
ehehehe

Entrevista com Aldir Blanc


Esta entrevista com Aldir Blanc (Cronista e músico)foi realizada em 2007.Extraio fragmentos:

Fonte: Site da ABI

ABI Online — Antes de ingressar na música, você chegou a exercer a psiquiatria. O que o levou a estudar Medicina?
Aldir Blanc — Foi um comentário do meu pai. Ele me acompanhou a uma cerimônia no Colégio São José, onde eu estudava e havia tirado nota dez em todas as provas de Biologia, conquistando uma medalha de ouro. Ele jamais tinha dado um palpite sobre os meus estudos e me surpreendeu com o seguinte comentário: “Pelas suas notas em Biologia, acho que você deve estudar Medicina.”
ABI Online — Você estava convicto de ter feito a opção profissional certa?
Aldir — Nem então eu tive essa certeza. Quanto à paixão pela Reumatologia, acabou depois do 4º ano. Cheguei ao 5º e precisava ir a algum lugar, mas não tinha a menor idéia do que queria ser.
ABI Online — Até quando durou o interesse pela psiquiatria?
Aldir — Até eu começar a tocar percussão com o João Bosco e a fazer letras de músicas que me tomavam um tempo do estudo que eu achava essencial. Precisava sair à noite para tocar, às vezes até viajar... Foi um movimento que eu sabia que era definitivo, sem volta, embora me mantenha rigorosamente atualizado com os livros de psicoterapia e psicanálise. São leituras que fazem parte do meu círculo normal de leitura, com muito prazer.
ABI Online — Quais são suas outras leituras prediletas?
Aldir — Sempre li muito e tenho em casa cerca de 15 mil volumes. Comecei pelas leituras óbvias da juventude, como Monteiro Lobato e tudo que era aventura e capa e espada, além das coleções de Charlie Chan, Sherlock Holmes e Arsène Lupin. Mas dois títulos marcaram a minha adolescência: “A casa demolida”, do Sérgio Porto, e “Tijolo de segurança”, do Carlos Heitor Cony; atuaram em mim como se fosse um abalo sísmico, porque não eram os meus piratas ou detetives. Depois, comecei a comprar loucamente os autores brasileiros e outros estrangeiros consagrados.
ABI Online — Que autores brasileiros?
Aldir — Primeiro, Esdras do Nascimento, Adonias Filho e José Condé. Mais tarde, Jorge Amado, Guimarães Rosa e alguns poetas que lia menos. Eu me lembro que quando li pela primeira vez “Dentaduras duplas”, do Carlos Drummond de Andrade, tomei um choque e levei uns dois anos para compreender que era um poema magnífico.
ABI Online — Você é cria do Estácio e de Vila Isabel, bairros com tradição de samba e boemia. Isso influenciou sua formação artística?
Aldir — Meus livros “Rua dos Artistas e arredores” e “Porta de tinturaria” falam rigorosamente sobre a experiência dos anos vividos em Vila Isabel, dos almoços de domingo, com comida farta, muitas caixas de cerveja... Foi nessa época que acabei criando um temperamento sardônico.
ABI Online — Os personagens dos livros foram tirados dessas reuniões dominicais?
Aldir — Principalmente o Russo, que aparece nos dois. Ele é um cara suburbano do tipo madeira pra toda obra, tocava tão bem um martelo e um prego quanto consertava um telhado. Esse mesmo Russo, no segundo livro, encarna o personagem Esmeraldo Simpatia É Quase Amor, o homem de bigodinho fino que dá em cima de todas as mulheres.
ABI Online — O jornalista Maurício Azêdo, Presidente da ABI, acha que a sua crônica tem um estilo que lembra Sérgio Porto.
Aldir — É uma comparação que me honra, porque eu me lembro do prazer de ler a coluna que ele assinava como Stanislaw Ponte Preta, na Última Hora, e de ver “As certinhas do Lalau”, que nos levavam a grandes sonhos eróticos (risos). O Sérgio Porto usava a linguagem do cronista tarimbado em jornalismo; eu me aproximo dos personagens dos quadrinhos, que têm hora para entrar e sair da história, sempre com um fecho do mesmo alter-ego.
ABI Online — Você fez outro sucesso: “Amigo é pra essas coisas”.
Aldir — Essa música tem uma história inusitada. É um diálogo, que o Ruy e o Magro do MPB-4 transformaram em uma conversa entre quatro pessoas. Acredite quem quiser: não deu certo nem no ensaio geral. No entanto, quando eles entraram no palco, certos de que seria um tremendo fracasso, pela primeira vez funcionou, cativou o público. E está viva até hoje.
ABI Online — Que gêneros musicais são marcantes na sua formação de compositor?
Aldir — Quem me formou foi a seresta. Eu ouvia Sílvio Caldas, Onésimo Gomes, Orlando Silva, e ficava profundamente encantado com a riqueza das letras, com a capacidade de se criar imagens fascinantes com elas, como fizeram Lamartine Babo e Ary Barroso. Depois vieram Cartola e Nelson Cavaquinho, com versos que me marcaram profundamente.
ABI Online — Como nasceu a parceria com João Bosco?
Aldir — Ele estava na platéia de um desses festivais de que participei, sentado ao lado de uma pessoa que ele não sabia que era minha amiga, e disse: “Eu tenho dezenas de músicas que gostaria que fossem letradas por esse cara.” Nós nos encontramos e a coisa teve o efeito de uma cachoeira. Dessa primeira fase, gravamos “Bala com bala” e “Agnus sei”.
ABI Online — São quantas composições no total?
Aldir — Fizemos uma conta recentemente e contabilizamos, por alto, mais de 120 músicas. Se formos contar as inéditas e aquelas cujas letras ficaram pela metade, sobe para umas 150.
ABI Online — Depois de Tom Jobim, você e João Bosco são os autores mais gravados por Elis Regina.
Aldir — Como diz um amigo meu, perder para o Tom Jobim não é perder. Ele tem 30 músicas gravadas por ela e eu e o João temos 28, ou seja, somos os compositores vivos mais gravados pela Elis.
ABI Online — Quais são seus outros parceiros mais freqüentes?
Aldir — O Guinga, com quem já fiz entre 80 e cem composições, e o Moacyr Luz, um parceiro e tanto também. Depois vêm Jaime Vignoli, Sueli Costa, Edu Lobo, Lourenço Baeta (Boca Livre), Djavan e Ivan Lins. Sou autor de 500 composições, 450 das quais estão registradas em discos.
ABI Online — Você esperava ver “O bêbado e a equilibrista” virar o hino da Anistia?
Aldir — O que é bacana nessa música é que ela não nasceu ligada ao tema. Quando o Chaplin morreu, o João me chamou na casa dele e disse que havia feito um samba, cuja harmonia tinha passagens melódicas parecidas com “Smile” (do filme “Tempos modernos”), propositalmente construídas para que homenageássemos o cineasta. Só que, casualmente, encontrei o Henfil e o Chico Mário, que só falavam do mano que estava no exílio.
ABI Online — Surgiu aí a idéia de incluir o Betinho na letra?
Aldir — O papo com o Chico e o Henfil me deu um estalo. Cheguei em casa, liguei para o João e sugeri que criássemos um personagem chapliniano, que, no fundo, deplorasse a condição dos exilados. Não era a idéia original, mas ele não criou caso e disse: “Manda bala, o problema é seu.” A música foi cantada pela primeira vez, pela Elis, num programa em São Paulo. No dia seguinte, estava estourando em todo o Brasil e ainda nem tinha sido gravada.
ABI Online — Como foi seu primeiro contato com o Betinho?
Aldir — Ele retornou ao Brasil, depois da Lei da Anistia, e foi assistir a um show no Canecão (Rio). A gente se cruzou numa ida ao banheiro. Ele olhou para mim e falou, sorrindo: “É você, não é? Eu pretendia terminar os meus dias lá fora e voltei por causa dessa música, seu f.d.p.” E assim essa amizade se solidificou, a ponto de nos transformarmos, Betinho, Henfil, Chico Mário e eu, quatro irmãos.
ABI Online — Como se deu a sua integração com a turma do Pasquim?
Aldir — Um dia o Ziraldo me telefonou, pedindo um artigo especial para a edição de Natal. Eles gostaram da crônica e me pediram mais duas. Passou um tempo e o Ivan Lessa, uma das pessoas mais rigorosas que conheci, me telefonou e disse: “Parabéns, de hoje em diante você é membro da patota do Pasquim.”
ABI Online — Houve um momento em que você escreveu muito para jornais.
Aldir — Em relação a esse dado, acontece uma coisa muito curiosa. Toda vez que eu encontro um jornalista ortodoxo, escuto que não tenho nada a ver com jornalismo. De fato, pode ser que eu não tenha nada a ver. Mas durante 40 anos escrevi em todos os jornais do Rio. E ainda fui colunista do Estadão, a convite do Aluizio Maranhão (atualmente editor de Opinião do Globo).
ABI Online — Voltando à MPB, seus dois discos solo, “Aldir 50 anos” e “Vida noturna”, apesar de muito elogiados pela crítica, não tocam nas rádios.
Aldir — Não são apenas os meus discos que não tocam no rádio, a não ser em programas idealistas como o do Osmar Frazão, na Rádio Nacional. O problema foi e continua sendo o jabá. Para dar uma idéia, no começo da carreira eu e o João Bosco fizemos duas suítes de mais de 12 minutos cada, em parceria com o falecido cineasta Cláudio Tolomei, que ninguém conhece...

e mais...