quinta-feira, 14 de março de 2013

Classe artística opina sobre a escolha do novo Papa



"Não posso falar muito sem conhecer o perfil dele, mas pode colocar que é um puta mau gosto. Qualquer membro da Igreja Católica argentina é nefasto, mancomunado com o Estado, com militares e apoiadores da tortura. A única virtude de termos um papa argentino é que ele come carne."
HECTOR BABENCO, cineasta argentino radicado no Brasil 

*
"Não o conhecia. Ninguém falava da possibilidade de ele ser eleito. Não sei analisar, não sou católico, mas a escolha de um latino-americano pode indicar o propósito de alguma mudança importante na igreja. Também acredito que as críticas que ele faz ao populismo na América Latina podem ter influenciado a decisão."
FERREIRA GULLAR, poeta e colunista da Folha
 
*
"Parece que é um papa sob medida para os traços daqueles perfis que o José Simão faz. Vou aguardar. Eu me pergunto: será que este papa vai ajudar a salvar a economia da Argentina? Agora, sem brincadeira, eu espero que ele demita aquele sujeito que foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos aqui no Brasil. Será que teremos mais respeito com os homossexuais? E o aborto também é uma conquista do mundo moderno. Mas me parece que, com esta escolha, vamos continuar na mesma, pisando no pescoço das mulheres e botando os homossexuais numa prisão sem fundo. Havia alguma esperança, até a própria igreja falava em um papa do século 21. É a zebra do ano."
TOM ZÉ, cantor e compositor
*
"Tomara que seja um papa progressista. É o que se espera, uma igreja que abrace a diversidade, pois já há rancor demais no mundo."
MIGUEL FALABELLA, ator e diretor 

*
"Estou emocionado, óbvio (e muito!), mas é pena que percebo que ele é mais um que se opõe ao casamento gay e a todos esses itens que têm mantido a Igreja Católica 'estacionada' nessa garagem enferrujada! Que pena! Vamos lutar para que ele mude suas posições justamente por ser de um novo continente, um continente que não tem o compromisso com essas merdas retrógradas da velha Europa de Ratzinger."
GERALD THOMAS, diretor de teatro
*
"Fico muito feliz pelo simples fato de chamar a atenção para o Rio da Prata e a Argentina, que está passando por um momento de mudanças positivas. Agora imagino as piadas que os brasileiros vão ter de aguentar. Argentina tem Oscar, Messi..."
CÉSAR CHARLONE, diretor uruguaio de "O Banheiro do Papa" (2007), sobre a visita do Papa João Paulo 2º a uma pequena cidade do Uruguai 

*
"O fato de ele escolher o nome Francisco é um sinal muito positivo, porque São Francisco foi o reformador da igreja. Acho positivo também para a América Latina, continente com o maior número de católicos. O que importa é que ele seja uma pessoa aberta para as demandas que a igreja exige hoje. A idade não importa: João 23 (1881-1963), o papa mais revolucionário dos últimos séculos, também foi eleito com quase 80 anos [77]."
FREI BETTO, escritor e frade dominicano 

*
"Havia uma fumaça no ar para abordar, que não era branca nem escura. Havia uma fumaça de que a igreja tentaria dar uma volta por cima na crise que vive, a começar por alguém que estivesse fora da órbita da Europa Ocidental. Creio que resolveram ir por esse caminho e escolher um nome simbolicamente representativo de uma área não muito ligada à cúria. Ele tem uma porção de desafios. Restaurar a credibilidade da igreja, uma coisa tão geral quanto importante."
BORIS FAUSTO, historiador 

*
"Os argentinos já ganharam o Oscar, tiveram um papa eleito e, pelo jeito, vão ganhar a Copa do Mundo no Brasil. E com o nosso 'PIBinho', nem podemos mais nos gabar da nossa economia. Triste povo brasileiro!"
BRUNO BARRETO, cineasta 

*
"À primeira vista, vejo sinais encorajadores, a começar pelo nome, uma homenagem a são Francisco de Assis. O que me deixou surpreendido é que eu estava certo de que iam escolher alguém na faixa dos 60 anos, justamente depois de um papa que renunciou mencionando a idade. Mas ele tem 76. A questão essencial hoje para o papa é que seja um gerente, capaz de pôr ordem na casa. Ele me pareceu tão surpreso quanto nós, do lado de cá. Meio assombrado, intimidado, encabulado também. Aparentemente, não tem nada de intelectual como o Bento nem o charme, em termos de atrair multidão, de João Paulo 2º. Vamos esperar que seja só uma primeira impressão."
EVALDO CABRAL DE MELLO, historiador e diplomata 

*
"Foi uma grande surpresa até aqui na Argentina. Ninguém esperava. Ele é um religioso muito conhecido aqui. É conservador e muito carismático; certamente está mais próximo de João Paulo 2º que de Bento 16. A escolha me parece, de alguma maneira, uma jogada política da igreja. Ele é bastante crítico ao kirchnerismo e ao populismo que se estendeu a outros países da América Latina, como a Venezuela. Em todo caso, é bem provável que o governo argentino tente tirar vantagem disso. Cristina sempre utiliza a força do inimigo para posicionar-se."
FEDERICO ANDAHAZI, escritor argentino

*
"Acompanhei tudo e achei a escolha interessante. Simpatizei bastante. Eu estava torcendo para o cardeal de São Paulo e para o de Gana, um africano, mas foi uma boa escolha. Gostei muito da forma como ele se apresentou."
MARTINHO DA VILA, cantor e compositor 

Fonte: Folha de São Paulo

Nenhum comentário: