quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Uma Cultura que se resume a Bolinha x Luluzinha- Por Gustavo Matheus


Texto primoroso que encontrei no blog de Gustavo Matheus, no site da Folha da Manhã:


“Campos respira Cultura!”
Esta “célebre” frase não configura um “falso paradoxo literal” de nosso português, mas representa um oximoro moral sem tamanho em todos os idiomas.
Expelido pela nossa comandante Rosinha, a prefeita, aqui, esse combinado de palavras mal domadas tritura até os mais viris e rústicos dos tímpanos, mas ainda assim há quem o repita em alto e bom som.
Para falar de Cultura por aqui é complicado. Relutei bastante, contudo cedi. Não posso simplesmente fazer uma analogia do atual momento com uma obra cinematográfica de Truffaut. É impossível. Até porque a cultura subnutrida de quem a geri, mixada a fome de dinheiro, o maior dos males, remete toda esta situação “Garotinhiana” a alguns desenhos animados.

O famoso cartoon chamado “Luluzinha” decalca, e até mesmo colore, muito bem como funciona, ou melhor, porque não funciona esta bendita Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL). Nos moldes centralizadores do Garotinho, mas sob a gerência de Rosinha, a Cultura se viu refém de uma divisão de grupos, o clube do Bolinha versus o clube da Luluzinha. A prefeita tinha que montar o seu time, ter sua própria estrutura e pessoas de confiança. Quer melhor lugar que a FCJOL? Era tudo que Rosinha queria! Após a vitória na queda de braço com o marido, que estava prestes a retirar da pasta duas peças que lhe pertenciam, dona Rosangela começou a botar seu plano em prática. Ao lado de suas fiéis escudeiras, a vereadora Linda Mara e a atual presidente da Fundação, Patrícia Cordeiro, Rosinha cantou de galo, e como cantou. A prefeita gravou até CD! Outro desenho animado surgia, na união das três amigas: “As meninas superpoderosas”.
“Ninguém aguenta essa turma da cozinha”, bradou um dos importantes membros do clube do Bolinha nos bastidores da Câmara. Lá, ninguém tolera o “trio ternura” e seus colaterais. Até porque, quem quer dar a cara a tapa pelas três meninas da cultura? Elas incomodavam muito. Eram cartas-convites, indicações, panelinha para campanha de uma certa vereadora, que perdeu, mas levou. A coisa estava feia.
“O calcanhar de Aquiles deste governo são os shows, o Cepop, a Cultura. Todo mundo sabe.” disse outro influente do Bolinha. E o monopólio da banda “A Massa”, do marido de Patrícia Cordeiro, Lucas Cebola? Não é bom aprofundar, pois há tanto para se dizer que este assunto merece um post exclusivo. A verdade é que, com a exceção das “meninas superpoderosas”, ninguém aguenta mais esta situação. Elas, por outro lado, rebatem apontando para a Saúde e Educação, até com certa razão, mas o escândalo dos shows – “Telhado de Vidro” – foi o que fez ruir o governo Mocaiber, e as amigas seguem pressionando a mesma tecla hipócrita de quem critica por esporte. É bom que as meninas comecem a perceber que nesta política todos têm “telhados de vidro”.
Os vereadores estão fugindo do assunto de todas as maneiras possíveis. Obviamente, nenhum dos parlamentares está disposto a defender o indefensável, mesmo que isso seja um dos requisitos mínimos de adesão inicial ao grupo rosáceo, porém, trata-se de um grupo rival. “São elas, as pavorosas Luluzinhas”.
Bem, iniciei com uma frase e encerro com outra, porém esta simboliza tudo o que temos “respirado” em termos de Cultura e, para mim, uma das frases do ano em nossa realidade goitacá, formulada pelo jornalista Ricardo André, do blog “Eu penso que…”, quando entrevistado pelo também jornalista Aluysio Abreu Barbosa, aqui:
“Cultura no governo Rosinha só a da gastança!”"

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