sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Peixes dourados ouvem música e sabem a diferença entre Bach e Stravinsky

Do UOL, em São Paulo
Comuns na ornamentação de aquários, peixinhos dourados (Carassius auratus) têm a capacidade de diferenciar peças de música clássica compostas por Johann Sebastian Bach e Igor Stravinsky. A conclusão é de um estudo de pesquisadores da Universidade Keio, no Japão, e destaque na mais recente edição do periódico científicoBehavioural Processes.
A pesquisa acrescenta informações ao que já se sabia sobre a capacidade de animais de entenderem músicas - outras pesquisas sobre o assunto já tinham sido feitas, por exemplo, com pombos e macacos.
Para descobrir o gosto musical dos peixinhos dourados, uma equipe liderada pelo cientista Kazutaka Shinozuka acostumou oito desses animais, abrigados em um grande tanque, a ouvirem 20 segundos das composições Toccata e Fuga Em Ré Menor, de Bach, e O Rito da Primavera, de Stravinsky.Os peixes foram treinados para tocarem em um objeto vermelho colocado na superfície da água durante a execução das músicas eruditas. Mas metade do aquário deveria executar a tarefa só quando a peça de Bach fosse reproduzida, ao passo que os outros só deveriam fazer o exercício ao som de Stravinsky.  

  • Getty Images
    Peixe de aquário se reproduz mesmo após quase 1 ano morto

Quando os animais completavam a missão com sucesso, recebiam uma porção de ração como prêmio - o treinamento teve, ao todo, cem sessões.
Ao fim, os pesquisadores constataram que em 75% das tentativas os peixinhos dourados demonstraram entender quando a música adequada à missão era reproduzida, desempenhando corretamente a tarefa, e quando o som ouvido não pedia que eles fizessem o trabalho. Para Shinozuka, isso mostrou que "essa espécie tem capacidade de diferenciar os dois compositores clássicos".
"É claro que música é um estimulante artificial produzido por humanos, então não possui um significado específico para o peixe. Contudo, músicas são caracterizadas por funções acústicas complexas e ter a habilidade de distinguir esse estímulo pode beneficiar a espécie em termos de evolução."
O estudo ressalta, ainda, que outras músicas dos mesmos compositores não surtiram o mesmo efeito sobre os peixes, reiterando a importância do treinamento no sucesso do experimento, e que não foi possível apontar preferência dos animais por um ou outro compositor.


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