segunda-feira, 1 de abril de 2013

Gratos ao pastor Feliciano- por Ricardo Noblat

Comunicado público: Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, e Renan Calheiros, presidente do Senado, agradecem de coração ao pastor Marco Feliciano o seu desempenho como presidente recém-eleito da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
E se oferecem para ajudá-lo a se manter no cargo se essa for sua vontade, como parece. Na esperança de que seja, despedem-se felizes e aliviados.

Henrique e Renan em débito com o pastor Feliciano

Cadê o movimento que recolheu mais de uma milhão e meio de assinaturas pedindo o afastamento de Renan (PMDB-AL) da presidência do Senado por falta de decoro? Esgotou-se?
Sua única finalidade era amealhar as assinaturas? Não se ouvirá mais falar dele nas redes sociais? Nem do alvo de sua sanha? Justificável sanha, por sinal! Alvo bem escolhido.
Como pode voltar à presidência do Senado alguém que renunciou a ela para não ser cassado?
Descobriu-se que um lobista de empreiteira pagava as despesas de uma ex-amante de Renan, e mãe de uma filha dele. Renan alegou que o pagamento era feito com o seu dinheiro.
Descobriu-se mais tarde que ele forjou documentos para justificar um patrimônio que não tinha.
O procurador-geral da República denunciou Renan ao Supremo Tribunal Federal pela prática de três crimes: peculato (quando o servidor utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) corre o risco de ser denunciado por esses crimes ou por alguns deles. Espera ter mais sorte do que Renan.
O comando de um dos três poderes da República está entregue a dois espertalhões e pouca gente se incomoda com isso.
Chamá-los de patifes seria pedir para que me processassem.
Bastam os processos a que respondo, dois deles movidos por Renan, dois pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e um pelo senador Fernando Collor (PTB-AL). Que trinca, hein? Quase uma quadrilha.
Concordo que o pastor Feliciano não deve ser deixado em paz. É um poço de preconceitos. Será incapaz de presidir com equilíbrio uma Comissão destinada a zelar pelo respeito aos direitos humanos - em especial aos das minorias.
De resto, é um notável picareta. Porque somente um picareta poderia condicionar a eventual cura divina à doação de dinheiro ou de bens. E reclamar do fiel que lhe deu o cartão de crédito, mas esqueceu de lhe revelar a senha.
Então que se combata o pastor sem deixar, porém, de conferir o devido destaque a tudo o que corrompe o exercício do poder entre nós.
Por ora, para ficarmos somente no âmbito do Congresso: quanto custará ao fim e ao cabo a eleição de Henrique Eduardo para a presidência da Câmara?
Fez parte do preço a entrega da presidência de uma Comissão ao PSC de Feliciano.
Fez parte também o aumento da verba de gabinete.
É de R$ 26.700,00 o salário mensal de um deputado. Mas ele recebe um segundo salário para pagar despesas com alimentação, telefone, aluguel de carros, combustível e passagem área.
De R$ 34 mil, o segundo salário passará para R$ 38.600,00. É pago mediante a apresentação de notas fiscais. Ninguém checa se as despesas foram de fato realizadas. E se as notas não são frias.
Henrique saldou mais três parcelas do preço de sua eleição: aumentou o auxílio-moradia de R$ 3 mil mensais para R$ 3.800,00; eliminou o limite de reembolso para assistência médica aos colegas; e aprovou a criação de 59 cargos em comissão.
Em sua defesa, lembra que limitou o pagamento do 14º e 15º salários anuais aos deputados.
Economia de palito de fósforo!
Pergunta que não quer calar: quem financiou a eleição de Henrique? Quem foi?
Nós, seus bobinhos! Nós!

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