quarta-feira, 19 de junho de 2013

Incentivo ao turismo


Andréa Ciaffone
Do Diário do Grande ABC
O poeta português Fernando Pessoa imortalizou a frase “navegar é preciso, viver não é preciso”, atribuída a antigos marinheiros que se aventuravam mar afora. Hoje, viajar é prazer e não risco de morte. Para ampliar ainda as chances de quem quer arrumar as malas, o Ministério do Turismo deve lançar nos próximos meses, em parceria com o Ministério do Trabalho, o Programa Viaja Mais Trabalhador. 

Voltado para quem ganha até quatro salários-mínimos (R$ 2.712), a novidade deverá seguir os mesmos parâmetros do Viaja Mais Melhor Idade. O secretário executivo do Ministério do Turismo, Valdir Simão, antecipou que os roteiros terão tarifas reduzidas e financiamento compatível com a renda mensal do viajante. “Estamos dando oportunidades para que os brasileiros possam conhecer mais e melhor o País”, diz Simão. 

“O Ministério do Trabalho demonstrou interesse em estar conosco porque é um benefício direto ao trabalhador. Estamos discutindo de que forma”, disse Simão. Caso o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) não possa ser usado, outra possibilidade é o financiamento a juros mais baixos. “A Caixa e o Banco do Brasil terão taxas diferenciadas”, explicou. “A ideia é que o trabalhador tenha um crédito que pode vir com taxas de juros menores”, explicou.

Além de facilitar a vida das famílias de classes C, D e E na hora de planejar suas férias, o programa, voltado especialmente para quem viaja em baixa estação, deverá ajudar uma série de destinos turísticos Brasil afora que ficam com capacidade ociosa fora dos períodos de maior procura. 

VIVER É PRECISO

De acordo com dados do Inpes (Instituto de Pesquisas) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a medida deverá atingir pelo menos 44% da população do Grande ABC, que representam os 40% da classe C (que tem rendimento médio de R$ 2.086) e os 4% das classes D e E (que têm média salarial de R$ 1.199). No total, 349 mil famílias poderão usar essa alternativa para fazer turismo. 

Os estudos apontam que nas sete cidades da região, as famílias dedicam, em média, considerando todas as classes sociais, 2,4% do seu orçamento em lazer e cultura – que inclui viagens. 

O valor baixo mostra que sobra pouco dinheiro na região para explorar o País. A mesma pesquisa aponta que, tirando as despesas fixas como moradia, alimentação, higiene, transporte e Educação sobram para a classe C, em média, R$ 634 por mês. Para a base da pirâmide, estratos sociais D e E, sobram apenas cerca de R$ 300 mensais. (com agências) 



Nenhum comentário: