terça-feira, 23 de outubro de 2012

"Voando" com Milton Nascimento


Saudades dos aviões da Panair

Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira
E o motorneiro parava a orquestra um minuto
Para me contar casos da campanha da Itália
E do tiro que ele não levou
Levei um susto imenso nas asas da Panair
Descobri que as coisas mudam
 e que tudo é pequeno nas asas da Panair
E lá vai menino xingando padre e pedra
E lá vai menino lambendo podre delícia
E lá vai menino senhor de todo o fruto
Sem nenhum pecado sem pavor
O medo em minha vida
nasceu
 muito depois descobri que minha arma
é o que a memória guarda dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere o coração
Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar
E aquela briga e aquela fome de bola
E aquele tango e aquela dama da noite
E aquela mancha e a fala oculta
Que no fundo do quintal morreu
Morri a cada dia dos dias que eu vivi C
erveja que tomo hoje é apenas em memória
Dos tempos da Panair
A primeira Coca- Cola
foi me lembro bem agora
Nas asas da Panair
A maior das maravilhas
foi voando sobre o mundo nas asas da Panair
Em volta desta mesa velhos e moços
Lembrando o que já foi
Em volta dessa mesa existem
 outras falando tão igual
Em volta dessas mesas existe a rua
Vivendo seu normal
Em volta dessa rua
 uma cidade sonhando seus metais
Em volta da cidade

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