Contemplação


Walnize Carvalho

Dia desses, li e publiquei aqui no blog : Cliente poderá cancelar recebimento de mensagens publicitárias no celular.
“Cansado de receber mensagens publicitárias no celular? A Anatel decidiu que o cliente tem o direito de recusar. Mensagem que vem pelo celular é sempre uma surpresa. Mas as operadoras também ocupam esse espaço. Enviam com frequência mensagens publicitárias que vão de promoções a sorteios.
Agora, por determinação da Anatel, o cliente terá o direito de decidir se quer continuar recebendo ou não este tipo de mensagem. As operadas deverão enviar, entre 20 de julho e 20 de setembro, uma mensagem para que os usuários façam a opção. No texto, o cliente terá a opção de escrever apenas a palavra "sair" para o número indicado pela operadora, e depois, esperar pela resposta da prestadora do serviço, confirmando a suspensão dos envios.” E segue...
Terminada a leitura me lembrei de que tanto a telefonia fixa quanto a celular sempre foram alvo de publicidade e o que é pior... em horários, quase sempre, inoportunos.
Fui buscar em meio aos meus escritos, um fato ocorrido comigo (em tempos anteriores às mensagens) ou seja, via telefonista e que transformei na crônica que vem a seguir.
Dei o título de :
Contemplação
Fim de um dia de múltiplos afazeres.
A tarde já se despede deixando no céu sua luz crepuscular.
A noite apressa-se em vestir sua túnica de estrelas para entrar em cena.
Abstraída olho pela janela a troca de cenário do grandioso espetáculo da Natureza. De repente, me dou conta de que o telefone toca insistentemente.
Deixo a contemplação e, a contragosto, atendo ao telefonema: “Alô!” Ouço uma voz pausada e estudada do outro lado da linha: “Boa noite! Aqui é da Operadora de telefonia móvel tal...” E segue: “Senhora, estou ligando para comunicar que a senhora foi contemplada”... E eu: “Hum, hum!”...
Depois de ouvir pacientemente agradeço e digo que não estou interessada. Ela insiste: “Senhora! a senhora foi escolhida entre tantos clientes!?! É uma proposta imperdível. Estamos lhe oferecendo um pacote com desconto. É por tempo limitado.” Respondo pausadamente: “Não estou interessada.”
Desligo o telefone.
Minutos depois, nova ligação. Mesmo assunto.
Impaciento-me e já com tom de aspereza na voz, afirmo: “Não desejo pacote, oferta e nem desconto. Fui claro! Aliás, você me deu uma ótima idéia. Quero cancelar a linha existente.”
Ela questiona: “ Senhora, tem algum motivo especial?
Desligo rápido.
Retorno à janela. Contemplo o céu. A iluminação dos postes da rua impede que veja o brilho das estrelas.
Como ato final, a lua se esconde por entre as nuvens “fechando” as cortinas do espetáculo.
E mais uma vez, o telefone toca....
Com a boa notícia que li dia desses - repito- agora é só esperar pelo próximo dia 20, para responder a mensagem e “sair” feliz, a fim de contemplar o fim de tarde e visualizar - quem sabe - uma esplendorosa lua cheia, sem me preocupar com plim plins indesejáveis...

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