quinta-feira, 5 de julho de 2012

Na Flip, Gabeira compara Garotinho com 'comédia de costumes'


Ao apagar das luzes nas mesas oficiais da Festa Litetrária de Paraty (Flip), Fernando Gabeira comparou o governo de Anthony Garotinho, de 1998 a 2002, como uma “comédia de costumes”. A analogia veio após perguntar do mediador da mesa, Zuenir Ventura, perguntar sobre as semelhanças entre o político de Campos dos Goytacazes e Leonel Brizola, a quem se referenciou como um “épico”.
“No caso do Garotinho e do Brizola, eles tentaram estender a experiência Varguista de atender à população mais pobre. Ignoraram um pouco o sistema político e os partidos para falar direto com as massas.“
Com frases arrebatadoras e entusiasmo da platéia, a mesa Autoritarismo, passado e presente, que também contou com a participação do antropólogo e um dos autores do livro Elite da Tropa Luiz Eduardo Soares, encerrou a programação do segundo dia da Flip na Lona dos Autores. Entre os assuntos abordados, estiveram o sucesso da Comissão da Verdade e a reafirmação de ambos os convidados de que o Brasil ainda é autoritário.
Fonte: Jornal do Brasil

Um comentário:

Roberto Torres disse...

A diferenca é que Brizola ignorou o sistema político e os partidos para falar direto com as massas, tenho um programa de construcao da cidadania das massas - para os que gostam de chamá-lo de populista é só lembrar de seu pioneirismo na construcao de escolas públicas, quando ainda era prefeito de porte alegre. Isso sem falar nos cieps, destruídos pela rede globo e pelo moreira franco.
Como nao ignorar os partidos e o sistema política se estes estavam "progrmados" para excluir as massas?

Quando a Garotinho, bem, acho que todos já sabem.

A propósito um belo depoimento do Caco Barcelos sobre o Brizola.

Caco Barcellos, repórter da Globo, revela que só conseguiu começar o ensino primário pelas mãos do ex-governador

"Ao Brizola, eu devo o primeiro lápis que tive na vida, o primeiro caderno que a minha mãe guarda até hoje, a oportunidade de praticar esporte e música em um espaço digno e o acesso à alimentação com proteína de primeira linha. Impossível também esquecer o dia em que eu e os meus
colegas lá do Partenon recebemos um tênis padrão das "brizolinhas", como eram chamadas as milhares de escolas públicas que ele mandou construir nos bairros pobres de Porto Alegre. Lembro, como se fosse hoje, que ouvi a justificativa do Brizola pelo rádio:É um absurdo que os animais do nosso País sejam mais bem-tratados que nossas crianças. Nunca vi no Brasil um bezerro abandonado, nem cavalo sem ferradura no casco. Toda criança pobre tem que ter, no mínimo, o direito a um sapato no pé.
Isso foi objeto de muitas críticas na imprensa dos conservadores, que já
naquela época tentavam desmoralizá-lo, dizendo que o Brizola era o
prefeito dos "pés-de-chinelo", como se isso fosse uma ofensa.
Portanto, a ajuda dele foi indireta, mas fundamental, decisiva. Eu só
comecei a estudar aos 8 anos de idade porque, até 1958, não havia vagas
disponíveis, eram raríssimas as escolas públicas para o primário na
periferia de Porto Alegre. Da mesma forma, o ginásio onde estudei também
foi construído durante a gestão dele na prefeitura da cidade.
Por causa dessa base emotiva, nunca deixei de acompanhar com interesse a
trajetória do Brizola como estadista. Décadas depois, vibrei muito quando
ele reproduziu a experiência das "brizolinhas" no Rio de Janeiro, que
ganharam o nome de Cieps, com o incentivo de outro guerreiro dos
trabalhadores "não-organizados" do País, o Darcy Ribeiro.
Ambos vão fazer muita falta. Nunca entendi por que ele jamais teve o apoio
da esquerda dos sindicalistas, dos trabalhadores organizados de São Paulo.
Mas essa é uma história para uma carta mais longa. Espero que algum dia o
Brizola tenha a sua obra e a importância histórica reconhecidas não só
pelos pobres do Brasil.
Um abraço, Caco Barcellos.

O Dia, Domingo, 27 de junho de 2004.