domingo, 22 de novembro de 2009

Meninas e meninos


As meninas
Walnize Carvalho

As meninas circulam
o meu dia-a-dia.
Jogam-me na roda,
No centro da roda,
Na berlinda.

A romântica
Puxa-me pela saia
Quer que abra gavetas
Escreva
Emoção sentida
Em qualquer folha de papel.

A vaidosa
Coloca-me
Frente ao espelho
Quer me ver bem,
Olhos brilhantes,
Batom bem retocado nos
Lábios.

A organizada
Olha o relógio
Ajeita a roupa
Combina cores
De calçado e blusa
Vai à luta
Cumprir jornada.
É a mesma que chega comigo
Ao lar
E insiste
Em brincar de “casinha”.

A desprendida
Cabelos ao vento
Corre lépida
Para ver o mar,
O luar
Ou alguém
Para falar...
Agitada
Deixa-me
Quase sem ar!

Mas, há
A menina assustada
Que vez por outra
Vem visitar-me
Na calada da noite.
Se achega
De
Mansinho
Pede-me colo
E
Uma historinha
Que faça
Dormir
E assim...
Brincando com elas
De
Bem-me-quer
E
Mal-me-quer
Encontro no dia-a-dia
Minha Essência
De MULHER.


Os meninos

Os meninos rodeiam
O seu dia a dia
Lançam-lhe no círculo
No eixo do círculo
No redemoinho.

O romântico
Puxa-lhe pela camisa
Quer que abra gavetas
Escreva
Emoção sentida
Em qualquer folha de papel.

O vaidoso
Coloca-lhe
Frente ao espelho quer vê-lo bem
Ar saudável
Barba e cabelos bem feitos.

O executivo
Olha a agenda
Ajeita a gravata
Combina cores
De calçado e cinto.
Vai à luta
Cumprir jornada.
É o mesmo
Que chega consigo ao lar
E insiste em brincar
De vídeo game.

O peralta
Cabelos ao vento
Corre lépido
Para ver o mar
jogar bola
papear...
Agitado deixa-o
Quase sem ar!

Mas, há o menino assustado
Que vez por outra
Vem visitá-lo
Na calada da noite.
Se achega de mansinho
Puxa-lhe a coberta
Pede um cantinho
Da cama para dormir.
E assim
Brincando com eles
De herói
Ou
Mocinho
Espantando lobisomem
Encontra
No seu dia a dia sua essência de homem.

Walnize Carvalho (paráfrase ao meu poema “As meninas”)