quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cops e Jail.

A recente e catastrófica mudança na grade de programação de uma empresa de televisão à cabo da região acabou me chamando a atenção para um certo canal, o TrueTV. Basicamente é um canal que exibe operações policiais que vão desde a perseguição e captura de suspeitos de delitos à investigações forenses.

Dois dos programas do canal chamam-se COPS (tiras) e JAIL (cadeia). São programas que exploram a miséria e a desgraça humana, onde indivíduos alcoolizados, drogados ou foragidos da justiça acabam sendo presos ou tem que passar uma noite na cadeia.

Ora, direis, e eu com isso?

Responderei eu: nada.

Porque nada? Por que até a miséria humana tem a sua hierarquia, meu caro. E você que está lendo este post com certeza está nas posições mais baixas deste ranking. Saiba disso antes de ser assaltado, roubado ou vítima de qualquer ilícito penal que dependa da nossa gloriosa força policial, seus equipamentos e instalações e tome suas precauções.

Voltando aos programas: por serem documentários, não exibem maquiagens ou uma realidade fantasiosa. Exibem porém, de uma forma até arrogante para nossa emergente realidade econômica, uma estrutura policial altamente aparelhada com tecnologia de ponta do tipo computadores de bordo e câmeras de vídeo em suas viaturas, sistema de rádio que identifica imediatamente o suspeito, policiais muito bem treinados e acima de tudo respeitados, ou melhor, temidos pelos delinquentes.

É bom lembrar, que as viaturas sempre tem gasolina.

Já o Jail, mostra pessoas que passam a noite na cadeia por causa de infrações menores. Com que desfaçatez aqueles americanos branquelos de olhos azuis, negros e latinos esfregam na nossa cara suas delegacias bem equipadas, limpinhas e iluminadas! Suas luvinhas de borracha para evitar contato com pessoas possivelmente usuárias de drogas injetáveis são de dar inveja em muita dona de casa por aí. E as celas todas em aço escovado, sem arestas que possam provocar ferimento nos presos e...com ar condicionado? Exames de sangue e toxicológicos são feitos na hora, para ver o grau de intoxicação e consequentemente do delito cometido pelo indivíduo, tanto nas cadeias como nas perseguições e assim documentar e encaminhar o inquérito policial.

Psicólogos e médicos de plantão são obrigatórios nas delegacias e juntamente com os Cops, prestam seus serviços na repressão de delitos e na condução das prisões dentro das instalações policiais.

Me lembrei dos idos de 1979, quando residia em Minneapolis, principal cidade do estado de Minnesota e fui informado que os policiais não carregavam arma de fogo no estado, apenas cassetetes.

Depois de tanto exibicionismo, até chamei minha mulher que trabalha na área da saúde municipal, para dar uma olhada naqueles programas de gringo. Que caras de pau!

Eles que esperem! Em 2016 sim, eles vão ver! Nossas delegacias, viaturas e todo o aparato policial serão do tipo "nunca antes na história deste país"! Seremos encaçapados por cassetetes olímpicos, abriremos BOs em delegacias "nunca antes vistas"! Nossas balas perdidas baterão récordes de velocidade e eficiência e assim por diante...

Esses gringos não perdem por esperar...

2 comentários:

Luciano Aquino Azevedo disse...

Prezado Cláudio,
através de um programa do Rotary, passei um tempos nos USA, especialmente em MN, Mineapolis. Bom descobrir alguém que tem laços lá.

Claudio Kezen disse...

Olá, Luciano:

Eu morei e estudei em Dinky Town, o campus da Universidade de Minnesota em 79/80.

Ainda tenho em minha memória os edifícios da universidade em meio aos parques lindos e muito bem cuidados do campus. A frenética vida diurna do campus me impressionou imediatamente.

No verão, ia com amigos tomar banho de lago, as praias deles. Me lembro particularmente do Calhoun Lake, todo urbanizado e equipado para o lazer.

Além disso, a programação cultural e gratuita era fantástica: shows de jazz, música erudita, reggae e rock gratuitos.

Me lembro também do cinema universitário, o Varsity Movie Theater que todo dia apresentava 3 seções de filmes, sempre em ciclos temáticos. Ali conheci a obra de grandes cineastas de todo o mundo praticamente de graça.

Além das aulas, a noite no campus era muito animada, principalmente nos pubs, bares e cafés. O departamento de estudantes estrangeiros na UM era na época um dos maiores de todo os USA, o que me permitiu aos 19 anos conviver e fazer amizade com pessoas de diversos países da Europa, África, Ásia, América Latina, etc...

Naquela época os moradores de Minneapolis eram orgulhosos da alta qualidade de vida da cidade que chamavam de Miniapple numa alusão à Big Apple.

Acredito que hoje as coisas devem estar bem diferentes, mas tenho lembranças maravilhosas daquele período.

Um abraço,
Claudio.
Um abraço.