terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Atualizações sobre a tragédia em Santa Maria

*** Presos e com bens bloqueados pela Justiça nesta segunda-feira, Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann, sócios da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, já tinham ficha na polícia gaúcha: o primeiro é acusado de agredir clientes em duas ocasiões e ainda de se envolver em um acidente de trânsito com lesão culposa, e o segundo é suspeito de estelionato. As duas queixas de agressão contra Spohr foram comunicadas pelos próprios clientes da danceteria. Já a ocorrência de trânsito foi encontrada no banco de dados do Departamento Estadual de Informatica Policial (Dinp). Nos arquivos da polícia, o nome de Mauro Hoffmann aparece relacionado a um caso de estelionato, no entanto, a polícia não deu mais detalhes da acusação.
Sob custódia da polícia gaúcha em hospital de Cruz Alta, onde alega que se internou por causa da inalação de fumaça, Kiko Spohr foi acusado de agressão corporal na danceteria no dia 18 de abril de 2010, mesmo ano do acidente de trânsito, como descrevem os boletins policiais. O segundo caso de agressão a cliente da boate ocorreu no dia 30 de janeiro de 2011. Já o caso de estelionato envolvendo Mauro foi registrado no dia 20 de novembro de 2011. Estes boletins podem ou não virar inquérito policial, dependendo a decisão da autoridade responsável pela área.


*** Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que 65 pessoas que estavam na boate Kiss no momento do incêndio continuam hospitalizadas em Santa Maria e outras 53 estão em unidades de Porto Alegre. Segundo informações do jornal “Zero Hora”, Padilha afirmou que há 27 pacientes em ventilação mecânica e 75 em estado crítico.
Em entrevista em frente ao Hospital de Caridade de Santa Maria, o ministro afirmou que a Força Nacional do SUS vai reforçar ainda mais o atendimento aos pacientes atingidos pelo incêndio e aos familiares dos mortos. Padilha fez mais uma vez um alerta para a possibilidade de aparecer sintomas da pneumonia química em jovens que inalaram a fumaça na hora do incêndio em até 72 horas após a tragédia. O ministro reforçou que o quadro pode evoluir rápido para insuficiência respiratória. Na segunda-feira, o primeiro caso da doença foi confirmado pelo próprio ministro.
Quem tiver tosse seca, falta de ar ou sensação de cansaço deve procurar imediatamente a UPA, no bairro Perpétuo Socorro, o Pronto Atendimento do bairro Patronato ou uma unidade de saúde mais próxima.

*** Designer Lucas Franco Colusso, 26 anos, encabeçou uma campanha para transformar o local onde ocorreu o incêndio que vitimou 231 pessoas em Santa Maria (RS) em um memorial para homenagear as vítimas. Natural de Santa Maria, ele se formou em Desenho Industrial na Universidade Federal da cidade e hoje faz pós-graduação em Santa Catarina, onde mora.
Por meio de sua página pessoal no Facebook, Lucas sugeriu a criação de uma petição pública e até desenvolveu um esboço de como ficaria o local com a demolição da Boate Kiss. Após ganhar apoio nas redes sociais, o jovem criou de fato um abaixo-assinado virtual para que a ideia pudesse avançar.
  Destinado ao prefeito de Santa Maria, o abaixo-assinado pede "um memorial com o nome de todos aqueles que foram embora deixando seus sonhos sem realizar, que deixaram seus familiares, parentes e amigos em desespero. Homenageando também aqueles que sobreviveram, e os heróis que ajudaram a salvar vidas". Qualquer pessoa pode assinar o pedido por meio da internet.  
 
*** Em depoimento dado ao Ministério Público, integrantes da banda Gurizada Fandangueira afirmaram que o incêndio que matou 231 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de domingo, 27, não foi causado por sinalizadores manipulados por eles, mas sim por uma pane elétrica no equipamento da boate.
"Eles dizem que o sinalizador era de fogo frio, sem pólvora, que não poderia incendiar material algum. E que já haviam usado isso em outras apresentações, inclusive na mesma boate", afirmou a promotora Valeska Agostini, que cuida do caso com o promotor Joel Oliveira Dutra. Por sua vez, os donos da boate afirmaram que não haviam autorizado nenhuma apresentação pirotécnica no local.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul já indica que poderá acusar Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além dos integrantes da banda Marcelo de Jesus Santos e Luciano Bonilha, pelo crime de homicídio com dolo eventual - situação em que a pessoa assume o risco de matar alguém, mesmo não tendo intenção. A pena é de até 12 anos de reclusão em regime fechado.
Os quatro, até agora tratados apenas como suspeitos, estão presos temporariamente em celas isoladas na Penitenciária de Santo Antão, a 15 km de Santa Maria.
Para os promotores Veruska Agostine e Joel Oliveira Dutra, que cuidam do caso, é "muito grave" o fato de os donos da boate não terem fornecido à Polícia Civil imagens do circuito interno de TV e terem retirado antes da perícia realizada nesta segunda-feira, 28, todos os registros do caixa central da boate.

Fonte: O Globo, Terra e UOL


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