sábado, 30 de novembro de 2013

Visita anual

    
Walnize Carvalho
             Na manhã ensolarada do sábado,  dirigi-me ao Centro da cidade.
             De repente,  me  assustei com alguém postado na porta de uma loja.  
            Em seguida, me perguntei: - Por que do meu espanto se ele é uma figura afável, nada assustadora, carismática, tem ares de bonachão e carrega sempre um sorriso doce nos lábios?
            Na verdade, não contava que ele já estivesse de volta. - Mas,já?!...balbuciei.
            Deduzi que em tempos modernos, por certo, ele deve ter trocado seu tradicional meio de transporte (trenó) e prevendo o caos nos aeroportos ou engarrafamentos nas estradas, em dezembro, optou por precaver-se e contratou um jatinho particular e assim, antecipou sua visita anual.
            Sabem a quem estou me referindo? Ao Papai Noel solitário, que avistei na entrada de um estabelecimento comercial. Ele e a sua tradicional vestimenta vermelha, suas botas pretas, sua imensa barba branca, o saco de brinquedos nas costas, um sino dourado em uma das mãos (cobertas de luvas brancas) e a sua conhecida saudação: - Ho! Ho! Ho!...
            Segui murmurando repetidas palavras que trocamos com as pessoas, que encontramos no dia-a-dia: - Nossa!... Como o tempo passa depressa! O ano já está indo embora! De repente, já é Natal!...  
             Sorri, melancólica com a sensação  de que  hora virá,  que não teremos pernas para alcançar o Tempo e constatei que, ironicamente, a Natureza também demonstra ter pressa.
         Lembrei-me dos ipês que floresceram no Inverno; da Primavera com ares de Verão; do Outono generoso que cede lugar às outras estações...         
        A melodia natalina advinda de um carro de som, que passava na rua, me transportou à  natais distantes, onde “o sapatinho era colocado na janela do quintal e Papai Noel deixava o presente de Natal”...
            Fui despertada  e segui, impulsionada, pensando nas sábias palavras ditas pelo saudoso poeta, ator e compositor Mário Lago: “Eu não posso ficar sentado na calçada vendo a banda passar; eu tenho é que fazer parte dela”.
           E pensando em tempos atuais e apressados, indaguei com meus botões: - Quem sabe, na próxima saída matinal, estarei dando de cara com o Rei Momo?!



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