quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Prêmio Jabuti 2013


Da:Folha de São Paulo

O livro de reportagem "As Duas Guerras de Vlado Herzog" (Civilização Brasileira), de Audálio Dantas, e o volume de crônicas "Diálogos Impossíveis" (Objetiva), de Luis Fernando Veríssimo, foram os grandes vencedores da 55ª edição do Prêmio Jabuti.
O resultado foi anunciado na noite desta quarta-feira (13), em cerimônia na Sala São Paulo, no centro da capital.
As obras foram eleitas, respectivamente, o livro do ano de não ficção (disputado pelos ganhadores de 16 das 27 categorias da premiação) e o livro do ano de ficção (ao qual concorrem os vencedores de cinco categorias). Os ganhadores de outras seis categorias não concorrem a livro do ano
.
Veríssimo não compareceu à cerimônia por estar na programação da Feira do Livro de Porto Alegre, que termina nesta semana. Sua agente literária, Lucia Riff, e por seu editor, Mauro Ventura, o representaram na Sala São Paulo.
Já Dantas foi ovacionado pelo público presente, composto em sua maioria por integrantes da Câmara Brasileira do Livro --que são os responsáveis por eleger os livros do ano de ficção e não ficção.
"Ao mesmo tempo em que sou autor, sou personagem desse livro, porque vi de perto e senti o medo e o horror daquele outubro de 1965 em que assassinaram Herzog. Quero terminar apenas dizendo Vlado vive", disse o autor ao receber o prêmio.
Dantas e Verissimo levaram, cada um, R$ 35 mil pelo prêmio de livro do ano. "Vou usar parte do valor para pagar minhas dívidas", comentou Dantas, que passou um ano e meio escrevendo a obra sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog "e outros 30 anos vivendo essa história".
"Eu era presidente do sindicato dos jornalistas de São Paulo quando a ditadura pôs em prática o plano de caçar jornalistas acusados de ser comunistas, acompanhei caso a caso. Antes de Vlado foram 11. Acompanhei desde o começo, denunciando prisões e torturas", disse.
Dantas disse esperar que o cinquentenário do Golpe de 1964, no ano que vem, ajude a trazer a tona informações ainda hoje inacessíveis.
"Tive muita dificuldade para conseguir papéis do SNI. Na pesquisa, tive o desprazer e a surpresa de ver o Arquivo Nacional me exigir que levasse o atestado de óbito de Vlado para ter acesso a documentos. Achei um acinte o funcionário me pedir isso, sendo que desde o dia da morte de Herzog fui um dos que mais questionaram a versão oficial, de suicídio", comentou.
O jornalista criticou todos os governos desde a abertura pela "falta de coragem de enfrentar essa questão [da liberação dos papeis da ditadura] na prática" e ressaltou a importância do trabalho da Comissão da Verdade em trazer à tona o teor de documentos que ainda não estão disponíveis.
Também aproveitou para criticar "tentativas de proibir biografias por motivações puramente pecuniárias". Destacou a obra "Marighella" (Companhia das Letras), de Mário Magalhães, vencedora do Jabuti na categoria biografia, como um dos bons trabalhos que dependem da liberdade de informação.
Os primeiros colocados de cada uma das 27 categorias (estes escolhidos por equipes de três jurados por categoria) receberam cada um R$ 3.500.
No total, 2.107 obras concorreram nesta edição do Jabuti.

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