terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não foi só o Amarildo

Fonte: Coluna de Mônica Bérgamo, na Folha de São Paulo

A OAB-RJ vai lançar uma campanha pelo esclarecimento de mortes registradas como autos de resistência pela Polícia Militar do Estado. De acordo com a entidade, mais de dez mil "Amarildos" morreram no Rio de Janeiro entre 2001 e 2011, em ocorrências que envolveram policiais e que jamais foram elucidadas.
A maioria dos mortos são rapazes negros e pobres, os "Desaparecidos da Democracia", como definirá o slogan da campanha da OAB-RJ.
E o advogado João Tancredo, que representa a família de Amarildo de Souza, diz que espera para hoje a definição da Justiça sobre a emissão de certidão de morte do pedreiro. A lei determina que uma pessoa precisa desaparecer por cinco anos para ter a morte presumida. "Mas, neste caso, já temos todos os elementos para concluir que ele não está mais vivo", afirma Tancredo.
Com a certidão, o advogado pedirá pensão para a mulher e os seis filhos de Amarildo. "Todos estão desempregados", diz. A família, que morava num imóvel de um cômodo, "com o vaso sanitário ao lado do fogão", está agora na casa de uma tia, na Rocinha. "São 17 pessoas vivendo no local. As dificuldades são enormes."

Um comentário:

Anônimo disse...

O interessante é que anos atrás, em Salvador, também usaram o desaparecimento de um pedreiro de nome Floquet para mover campanha contra o então governador Waldir Pires. A história se repete: quem sabe mesmo se foi a PM que sumiu com ele ou se ele está escondido, foi morto pelo tráfico ou outra hipótese? Na dúvida, acusar quem queremos colocar no papel de algoz.