segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lembrando do escritor...


...Waldir Carvalho, que veio a falecer nesta data há 5 anos.

LUA CHEIA EM SÃO THOMÉ
Waldir Carvalho
 
Findou-se a tarde em companhia do sol,que caiu cansado nos braços da serra do Itaóca.
A pálpebra da noite desce irresistivelmente sobre a nossa cabeça.
Tudo indica que o manto escuro que nos envolve, impedirá até mesmo que haja a luz das estrelas.
Da quietude da varanda, ouve-se o canto das ondas lá do mar, o ambiente é de paz em nossa volta.
 Há um pouco de tristeza sem motivo a nos invadir o pensamento.
Mas, os instantes que se seguem, são prenúncio de uma alegria incomum: somos, então, atraídos para o horizonte na direção do nascente.
A iluminação indireta que se projeta do fundo das águas, embeleza com requinte o prescênio do palco, onde a natureza, em pouco irá representar.
Não há no espaço nuvens privilegiadas a serem banhadas de prata em primeiro lugar.
Se o azul do céu serve de prisma e é capaz de traduzir o esplendor que não tarda.
Silêncio.
O momento é místico e a cena, sagrada.
O mar, o vento, tudo se curva com reverência ante o grande altar.
 Por trás do imenso cálice que se transborda cá na areia, eleva-se a grande hóstia para a comunhão das criaturas.
Nossa alma, nesse momento de contrição, se faz em prece.
Não custa nada orar pelos homens que podem promover a paz.
Vale a pela convencê-los a amar uns aos outros.
Provando que o amor é a única força capaz de garantir a felicidade do mundo, a lua cheia que segue a sua jornada por entre os astros do firmamento, vai derramando, fraternamente, sua luz bendita sobre justos e injustos, sobre crentes e ateus, sobre árabes e judeus, na esperança, talvez, de que um dia a paz seja, também, de todos — Universal.

Um comentário:

BLOG REFLEXÕES disse...

Receba o meu abraço Walnize Carvalho!
É uma lacuna que jamais será ocupada. A dor da ausência esmaece no decorrer dos dias, mas em datas assim ela nos invade. Estamos juntas.

Beijo grande!