Ela, novamente...

Despedida
Walnize Carvalho
Vinha pela rua distraída.
Senti que algo terrível havia acontecido na calçada, bem em frente à minha casa.
Uma tragédia. Uma morte. Um esquartejamento.
Sem fôlego e sem reação, vi os últimos suspiros daquela figura imponente. Os braços já trucidados, caídos ao chão.
A cabeça pendia. Nela, cabelos enfeitados de flores.
O vento vesperal soprava rajadas em sua face, como se quisessem ressuscitá-la.
Os homens – algozes com moto serras – terminaram o serviço.
Entrei em casa.
Lágrimas corriam pelos sulcos do meu rosto.
Duas horas depois, um caminhão veio buscar os restos mortais da velha amiga.
Impotente, fechei a janela.
Coração enlutado pela morte da ÁRVORE centenária que habitava em minha rua.
Seu crime? Enchia de folhas, as calçadas...Sujava carros. com cocôs de passarinhos,que em seus galhos gorjeavam... Abrigava carros alheios em sua sombra...
Mergulhada na penumbra da sala, fiquei horas meditando.
De repente, me dei conta, de que a Primavera havia chegado.
Triste começo!
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