Pro dia nascer feliz


"A busca da solidão é uma tendência do nosso tempo; antes, e desde o seu aparecimento sobre a terra, o homem buscou apenas não ficar sozinho."
Gregório Marañón

Comentários

Anônimo disse…
ÚLTIMA CHANCE
Na atividade esportiva era de reconhecido valor.
Jogava bem o futebol, basquete, vôlei e também era exímio nadador.
Chegou até a disputar os jogos estudantis, à época, certame importante no meio e que era muito difundido.
Naqueles tempos a rapaziada procurava se destacar como forma de afirmação junto aos colegas e, em contrapartida, facilitava as conquistas das garotas.
Mas nos estudos ele era uma negação.
O pai. abastado produtor rural em outro município, morou muitos anos no interior daquela região onde era proprietário.
Lá, começaram os seus estudos, em colégio de pouca expressão e desprovido de recursos pedagógicos maiores.
A situação financeira da família mudou, foi acumulando bens e aumentando o saldo da conta bancária, paralelamente já se ia à cidade mais facilmente, em razão da melhora das estradas, o que foi o bastante para adquirir uma camionete ampla que acomodava toda prole.
Mas não satisfeito, se mudou de vez.
Comprara uma casa em bairro de classe média e os filhos foram estudar nos melhores colégios.
Com certa dificuldade, pois desprovido de maior conteúdo, foi aos “trancos e barrancos” que aquele bem resolvido esportista conseguiu já aos quinze anos concluir o curso primário.
Veio a tentativa de ser admitido no colégio público principal, na ocasião considerado o melhor para exercitar o segundo grau.
Não foi bem sucedido.
Nova tentativa no ano seguinte e o resultado idêntico.
Outra alternativa não coube ao pai a não ser de matriculá-lo em um estabelecimento particular, que não exigia o teste.
Ali, comparecia às aulas, mas no final do ano não se houve bem nas provas.
O pai, em nova pretensão, o encaminhou a um outro, considerado na cidade o segundo em valor na área privada.
E novamente depois do tempo decorrido o insucesso se fez presente.
Partiu para o terceiro, local preponderantemente dirigido e com exercício do magistério de membros de uma mesma família.
Não sem antes fazer-lhe as recomendações de praxe, agora sob a ameaça de que seria a última vez.
A partir dali o seu caminho seria o retorno à fazenda para trabalhar como campeiro, tomando conta dos animais, o que, vale a pena ser lembrado, era tudo o que não queria e até o apavorava a ideia.
Mas o final do ano chegou e o resultado foi o mesmo.
Os amigos, por ser ele um bom parceiro na atividade física, procuraram um dos professores, também da família do estabelecimento e lhe expuseram a situação, reivindicando uma tomada de posição, inclusive argumentando que a presença dele havia colocado o colégio em destaque esportivo na comunidade.
Examinadas as fichas de registro escolar, ele teria se havido mal em todas as matérias, mas, felizmente, havia “passado de raspão” em algumas, ficando “devendo” quatro”, que, por coincidência, eram ministradas por herdeiros da escola.
Acossado com tanta insistência, não houve alternativa senão aquiescer.
Porém, sob uma condição:
Seria feita apenas uma pergunta, sem segunda oportunidade e que ele só continuaria matriculado se aprovado fosse.
Única chance.
Aí, deu-se o diálogo.
–– Vou lhe fazer uma pergunta.
–– Uma só e você vai ter quer acertar a resposta.
–– É acertar para ficar, ou não, se errar, sem mais apelos estará excluído.
–– Concorda?
Concordo –– respondeu.
Vamos lá, preste atenção ––disse o Professor.
–– Me dê o exemplo de três animais ferozes.
Semblante demonstrando preocupação, cabisbaixo, coçou a cabeça, olhou para os amigos.
Vamos, responda, não espero mais –– insistiu o Mestre.
De repente ele se refez e fortemente com um ar de vencedor, exclamou:
TRÊS ONÇAS !
Francisco Alberto Sintra

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