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Anônimo disse…
BELEZA ANTIGA Ficou surpreso ao vê-la, pois de há muito não o fazia. Lembrou claramente que ela passou pelo universo imaginário de onze entre dez rapazes da sua época de jovem. Era linda e muitíssimo educada –– acrescentou. Estudou em bons colégios e pouco frequentava as atividades sociais clubisticas, tão em voga naqueles tempos. Sua família levava vida social de bastante recato, muito pouco aparecendo, ou quando, somente em reuniões familiares. Já havia sabido que foi muito bem casada, mas não sabia com quem. Também que namorou somente com o que ela se casou. Imaginou que da mesma forma como fora assediada em tempos de juventude, assim deverá estar agora, pois o marido faleceu não muito recente. Na oportunidade a reconheceu pela voz. Permanecia a mesma, um tanto grave e de uma sonoridade incomparável. Do mesmo jeito tranquilo e comedido de se expressar. Sem vê-la, no entanto, pois estava de costas, a identificou de primeira. Depois, de forma discreta podendo olhá-la melhor à distância –– sem ser percebido, claro –– viu que estava acompanhada de casais amigos. A beleza continuou, agora como de uma senhora, contudo. A elegância no andar, vestir e falar –– inatacáveis. Só não se lembrava de ter cursado faculdade, mas o de normalista se recordou bem e até do uniforme do colégio. Não tiveram assim uma aproximação maior na juventude, pois com um pouco mais de vida do que ele participava de outra “turma”. No entanto, se conheciam e cumprimentavam. Era na verdade contemporânea do seu irmão, mas nunca houve nenhum envolvimento e nem mesmo foram amigos, mas tinha com ele mais aproximação. Recordou, passeando agora por aquelas épocas, que em certo período “torcia” para que o irmão a namorasse. Pensou agora, que se fosse pra ser sua cunhada teria gostado e muito. E até hoje –– mas não viúva –– completou. Francisco Alberto Sintra
Os anos da ditadura militar foram conhecidos como os Anos de Chumbo. Esta é uma imagem inteligente e sugestiva, já que a cor chumbo é escura e sem brilho, como as forças conservadoras daquela época tentaram impor à toda sociedade. E assim, vivemos todos, por mais de duas décadas, privados dos nossos direitos básicos garantidos por qualquer constituição democrática em um Estado de Direito. Direitos como a liberdade de expressão, de voto, o de ir e vir, o de livre associação, etc..., foram dissociados da vida cotidiana dos cidadãos atravás de uma série de medidas de força, intimidação e censura. Foram anos tristes, de perdas importantes e que deixaram cicatrizes varridas para baixo do tapete. A intimidação é uma forma clássica de ação do pensamento autoritário. Como vivemos tempos democráticos, não cabe mais a intimidação física muitas vezes perpetradas na calada da noite como nos anos de excessão. Para os que se acham donos de um "feudo" chamado Campos dos Goytacazes, no enta...
Comentários
Ficou surpreso ao vê-la, pois de há muito não o fazia.
Lembrou claramente que ela passou pelo universo imaginário de onze entre dez rapazes da sua época de jovem.
Era linda e muitíssimo educada –– acrescentou.
Estudou em bons colégios e pouco frequentava as atividades sociais clubisticas, tão em voga naqueles tempos.
Sua família levava vida social de bastante recato, muito pouco aparecendo, ou quando, somente em reuniões familiares.
Já havia sabido que foi muito bem casada, mas não sabia com quem.
Também que namorou somente com o que ela se casou.
Imaginou que da mesma forma como fora assediada em tempos de juventude, assim deverá estar agora, pois o marido faleceu não muito recente.
Na oportunidade a reconheceu pela voz. Permanecia a mesma, um tanto grave e de uma sonoridade incomparável.
Do mesmo jeito tranquilo e comedido de se expressar.
Sem vê-la, no entanto, pois estava de costas, a identificou de primeira.
Depois, de forma discreta podendo olhá-la melhor à distância –– sem ser percebido, claro –– viu que estava acompanhada de casais amigos.
A beleza continuou, agora como de uma senhora, contudo.
A elegância no andar, vestir e falar –– inatacáveis.
Só não se lembrava de ter cursado faculdade, mas o de normalista se recordou bem e até do uniforme do colégio.
Não tiveram assim uma aproximação maior na juventude, pois com um pouco mais de vida do que ele participava de outra “turma”. No entanto, se conheciam e cumprimentavam.
Era na verdade contemporânea do seu irmão, mas nunca houve nenhum envolvimento e nem mesmo foram amigos, mas tinha com ele mais aproximação.
Recordou, passeando agora por aquelas épocas, que em certo período “torcia” para que o irmão a namorasse.
Pensou agora, que se fosse pra ser sua cunhada teria gostado e muito.
E até hoje –– mas não viúva –– completou.
Francisco Alberto Sintra