Royalties: Campos, Macaé e Rio das Ostras perderiam R$ 1 bi já em 2013
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Por
Gervásio Cordeiro NETO
-
Matéria de "O Globo":
"Se o projeto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que muda a
distribuição dos royalties do petróleo, for sancionado pela presidente
Dilma Rousseff, só os municípios de Campos, Rio das Ostras e Macaé
perderiam quase R$ 1 bilhão (R$ 930 milhões) em arrecadação no ano que
vem, segundo levantamento da assessoria técnica do PSDB na Câmara dos
Deputados.
Município com maior dependência dos royalties de petróleo no Estado
do Rio, São João da Barra deixará de receber no próximo ano mais de R$
100 milhões em royalties e participações especiais se o projeto virar
lei, ou quase a metade da arrecadação da prefeitura com essas
transferências. Os royalties representam 72,3% da arrecadação do
município.
— Nossa população vai crescer de 33 mil habitantes
para 200 mil habitantes em dez anos por causa do Complexo Portuário do
Açu, maior investimento privado do país. Precisamos dos recursos —
disse a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB).
Conta para recém-eleitos
Como
outros prefeitos, Carla deixará a prefeitura ao fim do ano e será
sucedida no posto pelo prefeito eleito José Amaro Martins de Souza, o
Neco (PMDB), que vai ter que executar os cortes no Orçamento.
Pelo
levantamento, os 87 municípios do Estado do Rio terão uma perda de
receita de R$ 1,751 bilhão no próximo ano. Mantido o nível médio da
produção de petróleo atual, as perdas totalizarão R$ 14,01 bilhões até
2020. Se a produção de petróleo triplicar com o pré-sal, como prevê a
Petrobras, essas perdas podem chegar até R$ 42,03 bilhões em 2020 para
esses municípios.
Segundo o levantamento, incluindo o governo
estadual, as perdas em 2013, entre royalties e participações especiais,
chegarão a R$ 3,24 bilhões. Até 2020, as perdas chegam a R$ 25,93
bilhões. Caso a produção triplique em 2020, estado e municípios do Rio
podem acumular perdas da ordem de R$ 75 bilhões.
— Estão querendo
fazer caridade com o chapéu alheio. Sempre concordei que estados e
municípios não produtores recebam uma parcela dos royalties, mas desde
que não prejudique o Estado do Rio, porque os royalties são uma
compensação financeira para as regiões afetadas pela atividade — disse
o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).
Otavio Leite lembrou que esses
recursos fazem parte dos orçamentos dos municípios como também do
Estado, e a sua redução levará à falência das administrações públicas.
O deputado disse que uma saída seria a União abrir mão de suas receitas
com os royalties que é elevada e será ainda maior no regime de partilha
para a produção no pré-sal.
O presidente da Organização dos
Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Riverton Mussi (PMDB),
explica que os municípios mais dependentes dos royalties terão que
reduzir drasticamente seus orçamentos. Mesmo áreas como saúde e
educação podem perder parte do orçamento.
— Prefeituras que aplicam em saúde e educação mais do que o previsto pela obrigatoriedade, não terão como manter esses gastos.
Outro
município com recursos ameaçados é Paraty, que pode perder R$ 27,2
milhões já em 2013. O prefeito José Carlos Poto Neto, o Zezé (PTB),
afirma que eventos culturais na cidade podem ser afetados.
— Esses eventos têm custos, de manter a cidade limpa, organizada — explica."
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