quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Imagens antigas e informações sobre outras enchentes em Campos

Recebi de um amigo o e-mail abaixo que reproduzo aqui no Sociedade, com texto e imagens de outras enchentes em nossa cidade. Para os mais novos e os que sempre ouvem falar da famosa enchente de 66 (sou um deles), eis um relato interessante. Ainda houve uma enchente marcante em 1943, como veremos.
Infelizmente não sei de quem é autoria do texto, mas vale o registro:


Os anos de 1943 e 2007, também entram nesta lista, pela forma como deixaram a cidade, na parte central, com muitas ruas alagadas.
 Com diques ou sem eles, o que fica registrado oficialmente é que o ano de 2007 foi o de nível mais alto registrado pelas réguas de medição, no Paraíba do Sul.
 Em 1966 o nível do Rio chegou a 10,80; mas como não haviam diques, os transtornos foram enormes, mas em relação a nível d'água, só nesta primeira semana de 2012, ultrapassamos a barreira dos 11 metros por duas vezes, só que agora com a presença dos diques. Em 2007, a medição foi de 11,64m, o recorde até hoje.






AS TRADICIONAIS ENCHENTES
 
O Rio Paraíba do Sul sempre aterrorizou muitos campistas com suas enchentes. Antes de 1966 ( ano em que se registrou uma das piores e mais desastrosas cheias do Paraíba) elas eram muito freqüente. Após a construcão do dique de contenção o problema diminuiu, mas ainda assusta a população ribeirinha.
 Muitas inundações assolaram a região Norte Fluminense, sendo efeito dos regulares transbordamentos da calha do Rio Paraíba do Sul. Historicamente as maiores cheias foram registradas em 1943, 1966 e em 2007, mas lembrando que a desta primeira semana de 2012 também entrou para este seleto grupo de inundações.
 A inundação de 1966 foi responsável por arruinar toda safra de cana de açúcar e por desabrigar 11 mil pessoas só na cidade de Campos dos Goytacazes. Nessa cheia o rio Paraíba do Sul atingiu a cota máxima de 10,80 metros e uma vazão estimada em 6000 m³/s.
Por causa dos efeitos devastadores desta enchente, deu-se inicio a uma grandiosa obra de controle de cheias na região realizada pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento(DNOS). O órgão tinha como metas de trabalho finalizar os diques da margem direita do Paraíba e inverter o sentido do fluxo dos canais afluentes de drenagem no sentido da Lagoa Feia. A partir da lagoa, essas águas seriam vertidas para um único canal (Canal das Flechas) diretamente para o mar pela Barra do Furado.
Posteriormente a essas obras, foram construídas seis tomadas d’água controladas por comportas no Rio Paraíba do Sul e direcionadas para a irrigação e drenagem das águas pluviais. Essas tomadas d’água somadas aos canais principais e aos canais secundários possuem cerca 1300 km de extensão. Atualmente, pela falta de manutenção, por muito tempo estavam em estado de abandono tendo grande responsabilidade pela suscetibilidade a enchentes.
Foram construídos também 65 km de diques com uma altura de 12 metros baseado em cálculos para uma elevação do nível d’água do Rio Paraíba em até 5 metros acima da situação média, sem ocorrer extravasamento. Mesmo assim, as obras de engenharia realizadas pelo DNOS não foram capazes de conter a enchente ocorrida em janeiro de 2007 que superou a do ano 1966 se tornando a maior enchente da história. Com o transbordamento do rio Paraíba do Sul, inundando várias cidades da região, causando danos que só foram sanados anos mais tarde.
A força das águas ocasionou também a queda da ponte General Dutra, comprometendo por um tempo considerável grande parte do tráfego rodoviário entre o Sul e o Norte do Brasil realizado pela BR 101.
Como ocorrido nas cidades brasileiras, o fenômeno do crescimento urbano gerado pelo êxodo rural se repetiu também no município de Campos dos Goytacazes. A cidade encontra-se na região Norte Fluminense e possui mais 463.000 habitantes (IBGE, 2010).
 A planície campista é uma região muito fértil e todo crescimento populacional está ligado a essa área. Sendo a cidade localizada na área de inundação do rio Paraíba do Sul, por muitos anos o objetivo do poder público e privado era dominar os alagados, brejos e conter as águas das constantes cheias. Desde o desenvolvimento da cidade até a forma do município como tal, registros históricos nos apontam sobre as grandes catástrofes relacionadas às cheias do Rio Paraíba.
Com a expansão da lavoura canavieira, com a criação de órgãos como o I.A.A.(Instituto do Açúcar e do Álcool) em 1933 e do DNOS passou-se a buscar soluções para conter as inundações através da drenagem, retificação de cursos de água, alternando a direção de córregos com a intenção de impedir prejuízos agrícolas ocasionados pelas enchentes. DNOS construiu uma das maiores obras governamentais do séc. XX. Foram 1.300 km de canais numa área inferior a 3.000km², 170 km de diques nas margens do rio Paraíba para conter as inundações; 84 pontes e 5 baterias de comportas para a regulagem dos níveis de muitos canais além de aumentar a área cultivável. 
 Com o término da Segunda Guerra Mundial, o açúcar perdeu importância na economia e o Brasil passando por uma inflação elevada acabou se refletindo nos preços do açúcar e do álcool. Campos, principalmente sua zona rural, foi atingido por esses impactos, começando na região o êxodo rural.
Foi a partir da década de 70 que a população urbana ultrapassou a população rural, associado à instalação de universidades, melhoria da oferta de energia e meios de transporte, desenvolvimento da rede bancária, além do fortalecimento do funcionalismo público municipal, estadual e federal através dos funcionários da Petrobrás. Esses fatos geraram uma força de atração populacional vindo dos municípios vizinhos e de outros estados representando na década de oitenta, 26,4% da população urbana do município.
 A população cresceu, o perímetro urbano se formou ao longo do Paraíba, obras de macro drenagem foram realizadas para conter as inundações de uma área ocupada sem um planejamento durante a fase de crescimento e mesmo assim não foram capazes de solucionar o problema das enchentes na cidade de Campos. Esse fenômeno ocorre naturalmente devido a localização geográfica do município no baixo curso do rio, recebendo todo fluxo de água vindo das cidades a montante."

Um comentário:

walnize carvalho disse...

Neto querido,
Uma "senhora" postagem!