Gripe: sem exageros mas com muito cuidado


Quem me conhece sabe que detesto "teorias de conspiração" e sensacionalismo, muito menos em questão tão séria como o caso da Gripe A.
A decisão das Secretarias de Estado e Municipal de Educação de reeiniciar as aulas na próxima segunda-feira é questionável.
Vários profissionais de saúde afirmam que a situação é muito grave e que todo cuidado é pouco. As clínicas e ambulatórios de hospitais em Campos estão evitando ao máximo a aglomeração de pacientes em salas de espera, limitando o número de consultas e organizando a agenda dos obstetras de modo que não exponham as gestantes a grandes riscos.
Não é prudente essa volta às aulas. O argumento do número de dias letivos a cumprir é frágil.Em situações de emergência é possível editar medidas para diminuir esses dias ou mesmo prolongar o ano letivo até o fim do ano ou início do outro.
Na minha época de estudante eram 180 letivos e ninguém duvida que e educação era muito melhor, portanto expor nossos alunos e professores ao risco com esse argumento é no mínimo questionável.
Segunda-feira não vou mandar meu filho para a escola e vou comunicar a decisão à escola e exigir uma providência. Espero que outros pais façam o mesmo.

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O AMOR NOS TEMPOS DA GRIPE SUÍNA
No tempo de Moisés, em pleno deserto, água racionada, a multidão de hebreus egressos do cativeiro egípcio eram obrigados pela Lei a lavarem as mãos. Não era lei humana, era divina. Higiene era coisa sagrada. Os hebreus, em meio ao deserto árido eram mais higienizados que o Egito banhado pelo caudaloso Nilo. Experiência semelhante sucedeu-se com a chegada dos portugueses a terra brasileira. Os nossos índios tinham hábitos de banhar-se exaustivamente e os nossos civilizados colonizadores eram verdadeiros cascões. A secularização dos hábitos, principalmente após a Renascença tornou a sociedade progressivamente mais alheia à higiene corporal e moral. Os avanços científicos com o microscópio de Leeuwenhoek e a bacterioscopia de Pasteur expuseram ao homem negligente quanto ao asseio corporal o quanto ele era vítima dos microorganismos. Leeuwenhoek foi no mínimo insensato ao afirmar que a nossa boca era mais suja que uma lata de lixo. Quase foi morto por isso. Pasteur sofreu revolta política e popular contra a vacinação anti-rábica. Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, lutando para erradicar o nosso conhecido Aedes Aegypti da vida carioca, também passou por perseguição, pois mandou eliminas as bromélias de todos os jardins. As donas dos jardins o odiaram por isso. Teve que se esconder na casa de Carlos Chagas, seu amigo. Mas nos dias de hoje, a população está ficando mais educada. Nada de chegar a um lugar e cumprimentar todo mundo. Acene com a cabeça que já está muito educado. E essa gripe acabou por mudar muitos hábitos para melhor. Toalhas de papel, álcool gel nas bolsas. Todo mundo mais higienizado no corpo. Só falta higienizar a mente e o espírito. E não adiante tomar preventivo de gripe. Não existe, a não ser a vacina, um preventivo contra qualquer tipo de gripe. Fórmulas homeopáticas servem para ajudar sintomas em longo prazo e não para tratar ou prevenir infecções virais graves. E a gripe suína é uma infecção viral grave. Ouço que essa gripe é igual á sazonal comum, mas não é mesmo. Ela é severa e diferente das gripes sazonais, que acometem apenas as vias respiratórias superiores, o H1N1 acomete rápida e extensamente os pulmões, tendo predileção pelos alvéolos, causando pneumonia rapidamente. Essa capacidade de gerar pneumonia é assustadora e é possível que se assemelhe ao vírus da pandemia de 1918, que matou mais de 10 milhões de pessoas. Portanto, sem pânico, seguir as orientações do Ministério da Saúde, coordenadas pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, higienizar o corpo, para protegê-lo dos vírus e a mente e o espírito, para protegê-los do estresse e do medo. E viver!
Flávio Mussa Tavares

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