terça-feira, 12 de junho de 2012

Bombons e flores


Walnize Carvalho

Dia dos Namorados...
É sabido que no Brasil, a data é comemorada no dia 12 de Junho, por ser véspera do Dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro e é utilizada, também, para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.
Ao falar em namorado, recordo o dia em que ouvi o papo entre minhas netas
adolescentes: -Mariah tá de “rolo”com Renatinho!... No que a outra respondeu: - Nada sério, garota! Ela só tá “ficando”!...
Aproximei-me das duas e recebi uma aula de “namorês”: Vó! Agora é “ficante”, “peguete”! Sorri, irônica, pois bem que já tinha ouvido outras denominações do tipo: namorido, namorante!...Tudo muito atual e prático o que me faz lembrar e concordar com os versos da canção: “românticos são poucos/românticos são loucos. Romântico é uma espécie em extinção!”...
E eu, ensimesmada, chego a conclusão de que se bicho fosse já estaria na lista das espécies ameaçadas como “mico leão dourado” ou “jacaré do papo amarelo”...
Uma leve nostalgia se instala em meu coração.
Tentando espairecer à mente e, quem sabe, distrair meus leitores, fui buscar na caixinha de minha memória afetiva, um fato inerente à data:
Anos 70. O pátio do Instituto de Educação fervilhava.
Acabara de tocar a sineta para o recreio.
As normalistas naquela manhã estavam mais do que falantes: estavam eufóricas! Também pudera! Dia posterior ao dos Namorados!?... A um canto, eu e amiga Cláudia (a reencontrei dia desses levando netas para a escola) sorríamos enigmáticas, pois havíamos arquitetado um plano que seria infalível. E foi.
Sabedoras do “pãodurismo”- ou melhor, distração!- de nossos namorados (ainda que românticos) estávamos convictas que não nos dariam presentes. Fato é que sempre nos aguardavam na sala de espera da matinê do Cine Goitacá, para não pagar nossos ingressos (naquela época era falta de cavalheirismo!) Sendo assim, tratamos de nos precaver de possível questionamento das colegas de classe.E houve.
Aproximamos do grupo, que desfilava exibindo os mimos dos seus amados: Taninha abraçada ao long play do Roberto Carlos cantarolava uma das faixas preferidas; Sandra não se cabia de contente exibindo sua pulseira de ouro, enquanto Regina olhava com ares de deslumbramento para o anel de chapinha com as iniciais de seu nome impressos...E Hildinha? Esta, folheava e lia em voz alta um dos poemas do livro de Fernando Pessoa.
E chegou o momento fatídico. As amigas (!?), em uníssono, lançaram a pergunta,olhando em nossa direção: E vocês? O que ganharam de presente dos namorados?Da mesma forma respondemos a uma só voz: - Bombons e flores! E elas se entreolharam e repetiram:- Bombons e flores?! Houve até uma delas que assim se expressou: - Quanto romantismo!
A sineta voltou a tocar. Acabara o recreio e nos dirigimos à sala de aula.
Eu e Cláudia nos entreolhamos e sorrimos aliviadas. Afinal, “os bombons” já teriam sido degustados e “as flores” já estariam murchas na jarra imaginária!...
Pensando bem, a menina romântica que habita em mim,acharia romantismo mesmo, um simples pedacinho de papel em que estivesse escrito: - Eu te amo!...

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