Simples assim...


Walnize Carvalho

Gosto do trivial. Deste “ feijão com arroz”, que é meu jeito de escrever.E sei,sem falsa modéstia, que há quem deguste e aprove o sabor.
Tenho o olhar sobre o cotidiano das coisas, dos lugares, da Natureza e das pessoas simples, pois me aguçam o paladar e me alimentam com sua Beleza natural. No caso dos humanos - especificamente - suas histórias de vida são vitaminas, que me revigoram e me estimulam a discorrer sobre elas.
Em um domingo desses (em sua coluna de “O Globo”) a escritora gaúcha Martha Medeiros enumerava assuntos do cotidiano, que aos olhos dos outros dariam inspiração a qualquer cronista e falava: “Recebemos uma overdose de informações: crise econômica, sequestros de avião, conflitos religiosos, casamentos e separações de celebridades, corruptos no poder, ameaças ambientais ao planeta, tendência da moda. Nada disso significa que os acontecimentos sejam surpreendentes” e finalizava: “As novidades são como mariposas. Nascem e morrem no mesmo dia. Por isso, é que persevero no trivial.”
Comungo com a sua ideia e cada vez mais me convenço, que observando fatos simples, deparamos com os que nos prendem os olhos e se transformam em agradável narrativa.
E é justamente no mote da trivialidade e da cumplicidade dos meus leitores, que publico uma crônica todo sábado aqui no blog.
Lendo outros cronistas (revistas e jornais), observo que há os que gostam de escrever sobre relacionamentos amorosos, ou de laços familiares, ou de personagens de convivência direta: seu analista, seu cabeleireiro, seus amigos do boteco, seu personal trainer, seus gatos. Eu não fujo muito à regra, pois - de quando em vez- me torno confessional e dano a falar sobre “meu” bem te vi,que bate ponto todas as manhãs em minha janela; sobre minhas manias, meus acertos , meus erros, amigos, parentes e ... minhas netas.
Mas...por que não reproduzir e dividir essas vivências neste espaço democrático?
Ainda no último
feriado prolongado, passamos (eu e a Valentina, a neta mais nova) o período juntas, regado a passeio no Jardim São Benedito, ida ao cinema, lanches no shopping e horas em casa, onde ela, na companhia de suas bonecas organizou a brincadeira.Passou minutos, talvez horas, dedicando à atividade lúdica sem se dar conta de que eu estava à sua volta e, acima de tudo, sem se preocupar “de fazer bonito”.
Sem máscaras e nem subterfúgios ela era toda concentração.
Ironicamente, do meu posto de observação constatei, que o mundo do faz de conta da criança tem muito mais de realismo e autenticidade do que, muitas vezes, o nosso mundo adulto e senti a urgência de que - vez por outra - libertemos “a criança” que vive em nós.
Refleti no quanto nos robotizamos na correria diária. Atropelamos pequenos gestos de espontaneidade. Deixamos de corresponder a um aceno, da vizinha da casa em frente; a um bom dia do varredor de rua; a um sorriso de uma criança...
Não prestamos atenção até no que a Natureza nos sinaliza: uma flor que nasce, o pôr do sol, nas gotículas de chuva na vidraça... Tudo tão simples e tão belo!
Chegando ao término desta crônica me sinto segura em afirmar, de que onde há simplicidade há beleza. Basta olhar com olhos de atenção e sensibilidade o que está a nossa volta: Simples assim...

Comentários

Ana Paula Motta disse…
Adorei seu texto, aliás adoro sempre suas crônicas, um gênero literário que me é caro desde a adolescência quando era leitora voraz do saudoso Arthur da Távola. Beijão, Wal.
walnize carvalho disse…
Doce Aninha,
Este incentivo em forma de cumplicidade me estimula a continuar retratando o cotidiano que nos cerca.
Grande lembrança do grande cronista Arthur da Távola!
Bj grande,
Wal

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