Eu sou você amahã
De Luiz Carlos Azedo:
Hoje é dia de Lula e Dilma no programa nacional de tevê do PT. Será uma amostra grátis do que virá pela frente, depois da Copa do Mundo, quando começar a campanha da coalizão governista na telinha.
Será a primeira tentativa de transferir a popularidade do presidente Lula para a candidata petista depois de sua saída da Casa Civil.
A fórmula é do marqueteiro João Santana, que aposta numa solução milagrosa: em 10 minutos, Lula fará um perfil político e administrativo de Dilma, dirá que é nela que confia, e em mais ninguém, para garantir a continuidade de sua política. Uma espécie de Dilma será Lula amanhã. Será?
A biografia da ministra não comporta maquiagens. Os retoques de assessores mais realistas do que o rei já lhe causaram dores de cabeça demais.
A pecha de mentirosa ronda a campanha de Dilma. Por isso, o xis do problema é exatamente esse: ser convincente na tevê, não passar a ideia de que a candidata é uma peça publicitária, apenas.
O programa petista vem na hora decisiva. A campanha de Dilma ainda não encontrou o eixo político e está sendo pautada por José Serra. É o caso da polêmica sobre a taxa de juros, o câmbio e o papel do Banco Central.
O tucano levantou, sem querer, a discussão sobre um assunto que virou tabu em matéria de política econômica. Dilma comprou a briga, mas Serra parece que gostou. Fala sobre o bolso do cidadão. Ou melhor, para o seu coração.
Seria melhor para Dilma deixar o assunto cair no vazio. Votos do mercado financeiro não ganham eleição.
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Cadinho RoCo
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