sábado, 3 de maio de 2014

Vou de táxi


Walnize Carvalho

           Quase todas as tardes, para ir buscar a neta no colégio, utilizo este meio de transporte. E a cada tarde ao embarcar no veículo faço o trajeto de quinze minutos na companhia dos mais diferentes profissionais do volante. São verdadeiros personagens que preenchem o cotidiano das cidades.
            Uns nos saúdam com um sonoro “boa-tarde”, enquanto outros olham para o retrovisor e resmungam: - Para onde?
            A maioria segue calada ouvindo as notícias do rádio ou atenta às chamadas das próximas corridas.
            Há os que resolvem falar de política, do tempo, das ruas esburacadas, das barbeiragens dos carros que cruzam e até dos artistas das novelas de tevê.
            Dia desses, no trânsito engarrafado um motorista falante e resmungão – mais resmungão do que falante – tornou o trajeto ainda mais longo. Dá até para lembrar as suas colocações: - Liguei o ar refrigerado, a senhora quer que desligue? Acabei de deixar um passageiro que quase no fim da corrida achou de acender um cigarro. Se fosse no início rejeitava na hora! E acrescentou: - Quando a central liga para o meu número já sabe das minhas exigências: não carrego cachorro nem gato (o que tem de gente levando bicho ao salão de beleza!...); fumante, já disse: não levo! E foi logo entregando: - Há duas senhoras amigas  que usam perfume francês muito forte! No meu carro elas não entram!
            Comecei a me encolher no carro e falei baixinho: - E criança, o senhor carrega? E ele: - Depende do comportamento. Tem umas que chegam gritando, subindo no banco de qualquer maneira...
            Passei a suar frio e rezar por todos os santos para que a neta estivesse cansada, sonolenta até.
            Chegamos ao  colégio. Pedi que me esperasse. A neta veio ao meu encontro. Dirigi-me ao carro. Ela entrou e falou com o maior sorriso: - Eu sou Valentina! E você quem é?
            O motorista esboçou um sorriso amarelo no canto da boca.
            Ajeitei a menina no colo, sussurrei-lhe palavras afetuosas e ela pareceu entender os apuros da vovó fazendo o trajeto na maior tranqüilidade.
            E com tranqüilidade encerro esta crônica lembrando de tantos outros motoristas de táxi da minha Campos que nos atendem com fidalguia e competência.
           


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