Festival de Jazz e Blues em Rio das Ostras é destaque na "Veja"


O blueseiro Rod Piazza se empolgou e foi tocar sua gaita no meio do público, na edição do ano passado (Foto :Cezar Fernandes)


Da Veja On-line:

"Entre os dias 22 e 26 de junho, um pequeno munícipio da Região dos Lagos do Rio de Janeiro será invadido por milhares de amantes do jazz e do blues, um fenômeno que tem se repetido ano após ano. É o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, que chega à sua nona edição como o maior do gênero no país e um dos principais da América Latina. Dessa vez, entre os destaques internacionais, estão o trio Medeski, Martin & Wood (com participação especial do lendário saxofonista Bill Evans), a cantora Jane Monheit e a banda de jazz fusion Yellowjackets.

O festival deu a sorte de pegar carona no crescimento vertiginoso que os royalties do petróleo provocaram no balneário ao longo dos últimos dez anos. Na estreia, em 2003, shows de artistas como Kenny Brown e Nuno Mindelis atraíram 5.000 pessoas. Em 2005, esse número já havia triplicado. No ano passado, foi rompida a marca dos 100.000 espectadores. Para 2011, os organizadores aguardam um público total de 120.000 pessoas nos cinco dias de evento, quando acontecerão 29 shows e mais de 60 horas de jazz e blues ao ar livre - tudo de graça. Estão previstas 22 atrações, sendo 10 internacionais.

O apoio financeiro e de infraestrutura da prefeitura foi o que viabilizou o projeto, idealizado pelo produtor musical Stenio Mattos. Atualmente, apenas metade do orçamento de 1,2 milhão de reais ainda vem da prefeitura. Mas a fonte quase secou na primeira troca de comando no poder municipal.

“Confesso que quando assumi, em 2005, quis cortar a verba do festival. Estava precisando de dinheiro para investir em outras áreas. Mas, graças a Deus, fui convencido a manter o projeto”, lembra Carlos Augusto, o atual prefeito.

Desde a emancipação em 1992, o desafio de Rio das Ostras foi superar a condição de patinho feio da Região dos Lagos. A cidade não chega aos pés de Búzios em termos de beleza e, muito menos, de charme. E fica mais distante da capital do que Cabo Frio. O festival foi uma aposta que deu certo. O jazz e o blues inseriram Rio das Ostras no calendário internacional.

A partir de 2005, o festival passou a acontecer no feriado de Corpus Christi, com o objetivo de atrair turistas fora da alta temporada. E a estratégia funcionou. Levantamento da Secretaria Municipal de Turismo feito a 15 dias do festival já apontava uma taxa de 80% de ocupação na rede hoteleira no período, que em breve deve chegar aos 100%. Aliás, em quase 10 anos de evento, a infraestrutura de hospedagem para os artistas foi uma das maiores mudanças.

Nas primeiras edições, uma pousada familiar com 30 quartos, localizada a poucos passos do palco principal, em Costazul, era o quartel general do festival. Era lá que ficavam astros como Big Time Sarah, Jane Monheit e Stanley Jordan e até mesmo o escritório de contabilidade, onde os músicos faziam fila para receber o cachê. Hoje, as estrelas do jazz e do blues ficam em hotéis mais bem equipados e dispõem de transporte especial para se deslocar pela cidade.

“Nós não estávamos habituados a receber artistas internacionais, acostumados a ficar nos melhores hotéis do mundo. Foi um processo de aprendizado para todos os donos de pousadas e hotéis daqui. Crescemos junto com o festival”, lembra Beatriz Negraes Rodrigues de Melo, dona da pousada Puerta del Sol.

E este não é o único exemplo de como o festival transformou a vida da população. Desde o início, a organização do festival buscou profissionais da própria cidade e faz questão de mantê-los até hoje. Atualmente, mais de 800 pessoas estão envolvidas diretamente na realização do evento. Um deles é o técnico de som Hélio Figueira da Silva Júnior, 35 anos, que viu a empresa da família dobrar de tamanho nesses 10 anos.

“Nós cuidamos da parte técnica do festival desde o primeiro ano. No início, tínhamos 10 funcionários. Hoje, são 20. Nesse tempo, aprendemos muito com os técnicos que vinham de fora e, agora, já cuidamos de tudo sozinhos”, orgulha-se Júnior, que tem a difícil missão de manter a qualidade do som de shows realizados à beira do mar.

A edição de 2011 ainda nem aconteceu, mas o produtor Stenio Mattos já está com a cabeça na comemoração de 10 anos do festival, no ano que vem. Uma das promessas é o retorno do guitarrista Stanley Jordan. “Vamos trazer os artistas que mais agradaram o público nesses anos todos. E ainda pretendo trazer duas grandes atrações que nunca pensei que teríamos dinheiro para contratar”, sonha."

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