Bombons e flores-Walnize Carvalho



Anos 70. O pátio do IEPAM fervilhava
Acabara de tocar a sineta para o recreio.
As normalistas naquela manhã estavam mais do que falantes: estavam eufóricas! Também pudera!Dia posterior ao dos Namorados!?... A um canto, eu e amiga Cláudia (a reencontrei dia desses levando netas para a escola) sorríamos enigmáticas, pois havíamos arquitetado um plano que seria infalível. E foi.
Sabedoras do “pãodurismo” de nossos namorados (ainda que românticos) estávamos convictas que não nos dariam presentes.Fato é que sempre nos aguardavam na sala de espera da matinê do Cine Goitacá para não pagar nossos ingressos(naquela época era falta de cavalheirismo!) Sendo assim, tratamos de nos precaver de possível questionamento das colegas de classe.E houve.
Aproximamos do grupo: Taninha abraçada com o long play do Chico cantarolava uma das faixas preferidas; Sandra não se cabia de contente exibindo sua pulseira de ouro, enquanto Regina olhava com ares de deslumbramento para o anel de chapinha com as iniciais de seu nome impressos...E Soninha?Folheava e lia em voz alta um dos poemas do livro de Fernando Pessoa.
E chegou o momento fatídico. As amigas (!?) em uníssono lançaram a pergunta,olhando em nossa direção: E vocês? O que ganharam de presente dos namorados?Da mesma forma respondemos a uma só voz: _ Bombons e flores! E elas se entreolharam enquanto uma delas se expressou:_Quanto romantismo!
A sineta voltou a tocar.Acabara o recreio.Eu e Cláudia sorrimos aliviadas e nos dirigimos à sala de aula. Afinal, “os bombons” já teriam sido degustados e “as flores” murcharam na jarra imaginária!...

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