Alguma poesia

Reproduzo do blog carinhos-entremeios da minha amiga Ângela estas duas poesias. Peço licença a Walnize, poeta de mão cheia, para entrar neste território. Segundos os entendidos, a poesia é um alimento para a alma. São duas poesias bem diferentes na sua natureza. A do Vinícius, leve e divertida. A da Florbela Spanca triste e contemplativa.





Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga


Vinicius de Moraes






Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.


Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!


Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas


E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!



Florbela Espanca




Comentários

Gustavo Carvalho disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
walnize carvalho disse…
Cláudio,
postei o comentário anterior no note book de Gustavo(meu filho) que encontrei aberto sobre a mesa.Gafe!
se der ,exclua para mim,viu?
walnize
Claudio Kezen disse…
Walnize querida,

Não havia necessidade, mas excluí à seu pedido.

Um forte abraço.
walnize carvalho disse…
Cláudio,
São os apuros de blogueira novata!
De qualquer forma o que postei foi "Todo o Sentimento".
Obrigada
Ps.: Lembrei-me de "Todo o sentimento" de Chico Buarque.Vou procurar para postar.
Kezen, enviei um comentário, mas acho que não foi.

A primeira vez que li Florbala Espanca foi no LIceu, mas nos bancos da Faculdade de Direito, porque o LIceu estava em reforma.

Adorava aula de Literatura Portuguesa, mas não pude continuar no curso poir era muito para mim. Matenática me acabava e História era um caos. Não entendia nada, pois as aulas eram de Nivel de doutorado.

Tive que ir para o Colégio Municipal fazer o Curso Normal e minha primeira aula de Filosofia foi fazer uma redação:
"Só sei que nada sei."
Não é que tirei 10? Pois é... esta frase significou muito para mim. E algo, quando "significa" faz uma grande diferença.

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