sábado, 2 de agosto de 2014

Mudou a festa ou mudamos nós?

                                                                  Walnize Carvalho
               Seis de agosto. Festa do Santíssimo Salvador.
            A memória afetiva vai em busca de tempos idos, quando a programação assim sinalizava: uma parte religiosa e uma parte profana.
            Atendendo a diferentes públicos, do programa da festa constavam: alvorada, novenário, missa campal, crisma, ladainhas com o coral do Conservatório de Música.
         Antes da procissão -  ponto alto das comemorações - havia o desfile de bandeiras.
          Para a missa solene, acorriam famílias representativas da sociedade, que se incumbiam de ornamentar o altar.
         Ao mesmo tempo, acontecia a prova ciclística e, sobre as águas do Paraíba, eram  apreciadas as famosas Regatas. Partidas de futebol eram disputadas entre os consagrados times Americano e Goitacaz, sem contar com a grande movimentação do Centro Galístico da rua do Gás...
          Na semana das festividades, ocorriam as retretas a cargo da Lira Guarani, da Sociedade Musical Operários Campistas e Lira Apolo, com músicos em uniforme de gala, que executavam verdadeiros concertos ao ar livre, levando ao povo, entre outras peças, a Ópera: “O Guarani”. Tais execuções dividiam-se entre os coretos das praças São Salvador e das Quatro Jornadas.
            Aconteciam também inúmeras exposições, que iam de trovas,  de livros de autores campistas a canários...
 Como esquecer o esmero dos lojistas para a disputa do  concurso de vitrinas , ao longo da avenida Sete e rua João Pessoa ? E as barraquinhas de jogos, de guloseimas, além dos vendedores de bandeirinhas, bolas coloridas, algodão doce...
À tardinha, as atenções se dirigiam para a sempre bem vinda exibição arrojada da Esquadrilha da Fumaça...
Shows artísticos com nomes nacionais e artistas locais, que faziam sucesso no Rádio, atraiam pessoas de toda faixa etária ao entardecer.
No fim da noite, em clima de confraternização, campistas e visitantes apreciavam a beleza dos fogos de artifício lançados aos céus e refletidos nas serenas águas do Rio Paraíba...
Chegamos  à mais uma Festa do Padroeiro.
Na programação, tradicionais eventos ainda ocorrem.
O que difere, talvez, seja a mudança de espaços físicos e de público presente. A diferença, creio, se dá pelo fato de que havia um cunho religioso e cívico muito marcantes e que em tempos atuais, tornando -se uma festa popular,  vem de agrado aos que, por esse motivo, se deslocam neste dia para prestigiar o evento. 



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