quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Entrevista com a escritora Martha Medeiros


Do UOL, em São Paulo
Entrevistada do programa da TV Cultura "Roda Viva" da última segunda-feira (2), a escritora Martha Medeiros defendeu a arte e a cultura como formas imprescindíveis para "combater a ignorância". Ao falar sobre o caso do menino Bernardo - que supostamente foi morto pela madrasta com o consentimento do pai -, ela tratou o ocorrido como um "problema de formação das crianças dentro das famílias brasileiras".
"As pessoas tratam muito mal das crianças. Temos que combater esse tipo de coisa combatendo a ignorância. Aí entra uma formação familiar que a gente não tem. A pessoa ouve um pagode e acha que tem arte em casa. É necessário uma formação cultural que envolva filosofia, psicologia, noções básicas. Mas não basta só ir ao colégio. Acho que existe um vazio existencial dentro das pessoas que a arte pode preencher e resultar em famílias mais harmônicas. Acho que a cultura é tão fundamental para tudo isso para combater a ignorância", discursou ela no programa,
Dona dos bestsellers "Trem-Bala", "Doidas e Santas", "Divã" e conhecida por falar sobre assuntos amorosos/cotidianos, Martha defendeu  a legalização do aborto e ainda criticou a visão de que a mulher nasceu para a maternidade. Para ela, o aumento de mulheres que não querem ser mães faz parte da sociedade atual.
"Eu acho uma consequência natural da independência feminina. Antigamente, a gente não tinha muitas opções de realizações a não ser ser mãe. É uma sacanagem com as mulheres. A gente divulga muito o lado sublime e omite o lado encrenca da coisa. Porque é muito difícil e tem muitos problemas. Acho muito latino essa passionalidade de ser mãe.  Primeiro ser mãe depois o resto, é uma coisa que eu não compartilho. Tudo é importante", disse a escritora, que acha que a maternidade é "mais uma aventura da vida".  Ela é mãe de duas mulheres.
"Não gosto que me vejam como guru"
Durante a entrevista, Martha foi questionada sobre qual era a sua receita para conquistar leitores fiéis em um país que pouco lê. Sempre fugindo de rotulações, ela contou que começou escrever como um processo terapêutico para narrar suas angústias. Segundo a escritora, foi uma tentativa que atraiu o público.
No entanto, ela acredita não ser um guru e que não está apta para dar dicas sobre as relações cotidianas. "Não gosto muito de me verem como guru. Parece uma coisa messiânica. É muito fácil entender as coisas por escrito. Me atrapalho todos os dias como qualquer outra mulher. Estamos vivendo em um mundo exibicionista. E eu falo o que acontece entre quatro paredes. Ai as pessoas sentem identificação", explicou ela.
Martha Medeiros acaba de lançar a antologia composta pelos títulos "Liberdade Crônica", "Felicidade Crônica" e "Paixão Crônica" para comemorar seus 20 anos como cronista de jornal - atualmente nos jornais "Zero Hora' e "O Globo".

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