Os anos da ditadura militar foram conhecidos como os Anos de Chumbo. Esta é uma imagem inteligente e sugestiva, já que a cor chumbo é escura e sem brilho, como as forças conservadoras daquela época tentaram impor à toda sociedade. E assim, vivemos todos, por mais de duas décadas, privados dos nossos direitos básicos garantidos por qualquer constituição democrática em um Estado de Direito. Direitos como a liberdade de expressão, de voto, o de ir e vir, o de livre associação, etc..., foram dissociados da vida cotidiana dos cidadãos atravás de uma série de medidas de força, intimidação e censura. Foram anos tristes, de perdas importantes e que deixaram cicatrizes varridas para baixo do tapete. A intimidação é uma forma clássica de ação do pensamento autoritário. Como vivemos tempos democráticos, não cabe mais a intimidação física muitas vezes perpetradas na calada da noite como nos anos de excessão. Para os que se acham donos de um "feudo" chamado Campos dos Goytacazes, no enta...
Comentários
Para tudo que ouvia tinha uma interpelação própria, bem como fazia rapidamente ilações com fatos ou pessoas.
Muito antes de raciocinar emitia “destranbelhadamente” uma opinião.
Certa vez no centro da cidade, naquelas conhecidas rodas de amigos ouviu de um parceiro, quando a discussão passava pelo vício do fumo e o efeito em determinada pessoa:
--Nele, o constante salivar é oriundo do vício do tabagismo.
Foi o bastante para ele interferir:
--Constante Bolívar? Conheço desde a infância, somos amigos.
Em outro momento, muito prolixo em suas exposições, começou a contar sua viagem ao interior de São Paulo onde residia uma filha.
Era do tipo que discorria sem interrupções e ainda segurava o antebraço do interlocutor, se pressentisse qualquer descuido de atenção quanto à sua fala.
Não deixava por menos. Toques no peito, ligeiras batidas no ombro, dedo em riste.
Bem verdade que até as suas histórias tinham sempre alguma coisa de interessante.
Na viagem a São Paulo, longa, tomou a manhã inteira prendendo a atenção dos que o cercavam.
Hora do almoço chegando, começaram os movimentos de corpo para as escapadas. Foi o bastante para que ele segurasse o mais próximo e sentencia-se:
--Aguenta aí, ainda não te contei o retorno da viagem que é muito mais interessante!
Era conhecido por hábitos simples e vida metódica, mas um dia foi descoberto, por informação de um vizinho íntimo, que não era “chegado” ao banho.
E a forma se deu que ele interpelou o vizinho de maneira crítica:
--Não sei como você aguenta. Num verão “doido” eu tomo dois banhos por dia.
No que o interpelado respondeu:
--É..., eu só tomo um mesmo, mas no inverso também!
Francisco Alberto Sintra