O drama de Fernando Haddad

O que está ocorrendo com Fernando Haddad é uma dupla tragédia, devido aos desgastes provocados por erros nas provas do Enem.
A primeira delas é coletiva: apesar de todas as limitações, o Enem é um avanço no vestibular, exigindo do aluno mais habilidade de associar informações do que decoreba. É um jeito de melhorar o ensino básico, com um currículo mais sintonizado com realidade. Vai tomar tempo até esse teste ganhar credibilidade.
A segunda tragédia é pessoal: é possível que a marca de Fernando Haddad, pelo menos em boa parte da opinião pública, fique associada a esse rumoroso episódio de fim de governo. Não é justo.
Quem acompanha a educação de perto sabe que a gestão de Haddad tem avanços significativos.. Em sua gestão, ampliou-se, como nunca, a transparência de dados educacionais, a ponto de conhecermos a nota de cada escola ( o que prefeitos e governadores em geral não fazem), criaram-se metas de longo prazo, estabeleceu-se um marco para a ampliação da jornada escolar e estímulo ao uso da comunidade como espaço educativo, ampliaram sistemas para estímulo à formação de professor, ganhou mais força o ensino técnico. Houve um
estímulo a se pensarem novas ideias, especialmente no currículo e uso das novas tecnologias, Sempre esteve aberto a ouvir novas sugestões. Apesar do corporativismo doentio do PT, ele abriu as portas para empresários e empresas preocupadas em melhorar a educação pública.
Pode-se dizer, com toda a segurança, que foi uma boa gestão, com a habilidade de ter seguido muitas políticas deixadas pelos antecessores. O lamentável episódio do Enem não reflete o conjunto da sua obra.

Gilberto Dimenstein


Comentários

Ana Paula Motta disse…
Digo sem medo de errar, sou professora há 25 anos (hoje atuando na área de tecnologia educacional) e nunca vi tantos investimentos em formação, em material didático, em tecnologia, em aumento e renovação do acervo das bibliotecas e em políticas públicas sérias para a melhoria do ensino básico como na gestão do Ministro Fernando Haddad. Esse desgaste com a questão do ENEM além de não refletir sua gestão ainda cria problemas para que Haddad permaneça - e eu espero que permaneça- já que o próximo salto de seria a fiscalização dos investimentos na ponta ou seja por parte de governos municipais e também nas AAEs das escolas estaduais que recebem dinheiro direto na escola.
Roberto Torres disse…
Haddad é um grande ministro. O caso do ENEM, todos que olham com bom senso, sabem que nao estava no controle do MEC. Num ano a gráfica (da Folha de Sao Paulo) deixa vazar provas no outro imprime errado. A culpa é do MEC? Como?

Só mesmo o nosso vício de culpar a política oficial (porque a oficiosa das gráficas e da mídia)de tudo que acontece para explicar o desgaste do ministro. Torco muito para que ele fique no governo Dilma. Desperdicar um trabalho sério como o que ele faz nao é um luxo que o Brasil pode ter.

Dilma deveria bater o pé contra o desgaste e a campanha midiática e manter o cara.

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