sábado, 2 de março de 2013

Reencontro



     Walnize Carvalho
        Agora que o “ano novo” realmente começou, a rotina dos dias nos consome a ponto da maioria exclamar: - O “meu” dia precisaria ter vinte e cinco horas!
É que esse “começar tudo outra vez” nos exige prioridade nas tarefas a ser cumpridas; readaptação de horários; retorno de hábitos já esquecidos e paciência para polir e fazer funcionar a engrenagem da máquina de cada vida individual.
        E logo surgem questionamentos que nos põem à prova. Foi o que se deu comigo: Dia desses acordei do sono vespertino (ah!... como gosto de uma sesta!) de forma diferente.
Ao invés de descansada para dar continuidade ao que havia proposto para o restante do dia, despertei um tanto sobressaltada.
        Abri os olhos - vagarosamente - cheia de indagações: - Onde estou? - Que horas são?...
Suava por todos os poros.
Teria tido um pesadelo?
Um desconforto inexplicável me dominava. Tentei acalmar-me e permaneci, ainda deitada, aprisionada em meus pensamentos.
Com os olhos semicerrados, minha imaginação levou-me a cenário não tão distante e bem familiar.
      A exemplo de semanas atrás (quando ainda estava na temporada de veraneio) visualizei pela janela gradeada,o pé de papoulas florido,como se estivesse a observar-me.
Em seguida, chequei a hora: quatro da tarde.
A lembrança nefasta voltou a passar por minha cabeça:- E se ela não viesse mais? –Que contas daria?...
     Suspirei melancólica e em estado letárgico voltei a dar asas à imaginação.
Desta vez havia me levantado, caminhado até a varanda da casa e sentado na rede.
     Por lá, a estranha sensação voltou a sobressaltar-me e balbuciei: - Difícil executar meus projetos sem a sua presença!...
     De repente, foi como uma brisa suave acariciasse minha face.
Fixei o olhar - mais uma vez - no pé de papoulas florido.
Como uma dança coreografada, flor a flor se apresentava: Umas abertas; outras ainda por desabrochar; algumas caídas no chão. Vez por outra,algum beija-flor participava da coreografia.
Senti-me privilegiada pelo espetáculo gratuito e de rara beleza e lembrei-me, que diuturnamente, o ritual se repete: flores que abrem,fecham, perfumam, caem, nascem, renascem sem que se tenha - na maioria das vezes - quem as assista e nem por isso deixam de embelezar o ambiente.
Nesse estado de êxtase levantei-me.
Com olhos cheios de brilho exclamei: - A natureza nos dá lições de magnitude e humildade. Esquecida da dúvida, que me atormentava: o retorno da companheira, que me move a comunicar-me com os que "passam os olhos" sobre o que escrevo, fiz a crônica deste sábado, pois ela - a INSPIRAÇÃO - havia chegado e... cheia de saudade!

2 comentários:

Ana Paula Motta disse...

Ai, como é difícil despertar no fim do verão. Ando tão cigarra, difícil voltar à rotina. Saudade de você e de um papo na varanda da casa cor-de-rosa florida com papoulas. Beijo, amiga.

walnize carvalho disse...

AmigAna,
Apareça para um papo(mesmo na gaiola de concreto-meu aptº) para um lanche à tarde.
Olha! Enquanto escrevo ,um bem-te-vi passou por aqui (até rimou!)...
Bjs,Wal