sábado, 9 de junho de 2012

Peregrinação




Walnize Carvalho

Hei! Psiu!...Confesse para mim – ninguém está nos vendo, só estamos eu e você– se houve pelo menos alguma vez em que você (comigo já aconteceu, afirmo!) tenha ido resolver algo em alguma repartição pública (seja federal, estadual ou municipal) e lhe causasse ansiedade.

Ansiedade - palavra suave – é a primeira sensação. Você é recebido por um guarda, cara fechada (no crachá que está no bolso ostenta um tremendo sorriso), ele lhe olha de cima em baixo e lhe indica uma fila. Depois de alguns minutos (hoje estou boazinha... quase meia hora) você consegue chegar ao balcão. Nele uma senhora, com um sanduíche na boca, tenta lhe perguntar: - “Quol” é o seu caso? E lhe encaminha para outro balcão. Nova fila, mais outros minutos!?! E depois de fazer a sua identificação (apresentar a carteira de identidade) você se dirige ao elevador (lotado e demorado, por sinal).

Chega à sala mencionada e já no terceiro balcão a funcionária, que conversa ao telefone, lhe mostra uma porta onde há um corredor e uma mesa ao fundo. Você se senta na cadeira em frente e fica naquela solidão ouvindo apenas o barulho do aparelho de ar condicionado. Surge alguém – Viva!!! É o faxineiro que passa e lhe dá um sorridente bom-dia.

Da porta em frente - em que está escrito CHEFIA- não aparece ninguém. Então, a dita ansiedade vem lhe fazer companhia. Com ela um suor frio nas mãos, um cruzar de pernas sem fim, uma olhada insistente no relógio. E, duvido, reforçando - du-vi-de-o-dó- se você não passa a rezar baixinho, para que venham lhe atender e solucionar seu problema.

Parece que ouvindo as suas preces chega, afinal, alguém do setor, que exalando hálito de café e cigarro, puxa a cadeira e balbucia algo, que aos seus ouvidos soa como um bom-dia. Você retribui e, humildemente, espalha sobre a mesa seus papéis e antes que explique o que lhe trouxe ali, ele com ares de sono e tédio, arrasta a cadeira, atravessa a porta, fecha e depois de alguns minutos (eu disse alguns?) retorna com a informação de que nada poderá ser feito; que você deverá agendar pela internet outra vinda à repartição, pois o responsável pelo assunto “está em reunião”... Você tenta argumentar que irá esperar, mas não consegue...
Sai à rua consciente que o dinheiro a ser recebido é seu; que o tempo perdido foi seu; que sua paciência “o gato comeu”.
Dá de ombros e se pergunta: - Qual “receita” para encontrar humor numa hora dessas?

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